sexta-feira, 27 de março de 2009

tetodecéu

Eu queria mesmo era morar num balão
Desses que vejo partindo em céu azul daqui da estrada!

Balão colorido de amarelo, de vermelho e de azul.
Ah, se sêsse assim que seria tão bom!
Ia mesmo era comer pão quentadinho pelo sol com geléia de morango escorrendo pelas beiradas.
Que ia sentir vento na cara pra refrescar
E abrir a boca pra comer algodão docinho de nuvem
Sede? Nóis matava com água da chuva
Abria o bocão, fechava os olhim e deixava cair goela abaixo.

E quando balão não queresse avoar mais,
Aí nóis escolhia morrer!
Eu, o balão, a geléia e o pão!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Hoje tem marmelada!

Frederico morria de vergonha porque o pai era palhaço de um circo sem futuro.
Quando bem pequeno, o menino até se divertia com o fato.Tinha sorriso de graça quando queria. Era bem divertido ver seu pai chegando colorido em casa.
Com o tempo, Frederico começou a querer que o pai fosse mais preto e branco, vestisse cinza e formas retas, mas isso não fazia parte do homem que, ao notar a vergonha do filho, via ser desenhado em seu rosto de palhaço uma lágrima de pasta d`água.
Frederico cresceu e foi embora vestir cores neutras, falar manso e não contar pra ninguém que tinha um pai que vestia um sorriso pintado, estampas e risadas pra comprar o pão.
Um dia, o filho soube que o seu velho estava no leito de morte e pra lá correu.
Vendo aquelas rugas, antes escondidas por máscaras de sorriso, deitadas na cama de hospital, Frederico se desesperou.
Dentro do homem que foi menino cinza bateu um ódio ao cinza, ao discreto, ao neutro.
Sentia lágrimas lavando todo o seu corpo nojento que cheirava envelope de papel pardo.
Frederico tirou a gravata, jogou o paletó na cadeira próxima e disse:
-Pai, me ensina a ser palhaço?

(Inspiração : Palhaço do circo sem futuro- Cordel do Fogo encantado)

oi, eu sou a Isa e eu tenho algumas pedras!

"-Mas você não tem bebido água, né, minha filha?
-Mãe, a primeira coisa ruim pra quem tem crise renal é a dor, insuportável.A segunda coisa é, no meio da dor, você ter que ficar ouvindo "também, não bebe água.."
-Sabe, a mãe de quem tem crise renal sofre muito também!"

domingo, 22 de março de 2009

"Isabela, mas você vai fazer Direito?Sério? Nada a ver com você..."

Desigualdade.
algo nem tão mal assim.
A desigualdade pode ser necessária e bonita.
Sejamos desiguais!
Cada um com sua cor, seu rosto, sua cara e sua marca!
Cada um com seus gestos, suas bocas e seus gostos.
Cada um com seu bom ou mau senso.
A igualdade que deve existir é a jurídica.
Eu me encanto quando ouço "...e todos são iguais perante a lei"
e acredito. sim. acredito de verdade.
Diante de um livrinho, não importa cor,credo,cabelo,pinta,grana.
Todos são iguais.
Todos tem os mesmos direitos. Todos tem os mesmos deveres.
Há uma atmosfera linda ao redor dessas palavras.
Um encanto.
Algo mágico em pensar que isso existe, embora não pareça existir.
Há de existir, ó Justiça!
...
Que com os meus pequenos conhecimentos, eu possa mostrar àqueles que não sabem, os seus direitos.
Que eu possa dar voz para quem não sabe falar. e que eu grite por eles, BERRE.
Que eu possa mostrar que o seu mundo pode ser melhor, porque você nasceu, é um homem, um cidadão brasileiro!
Que eu consiga, com todo meu enorme idealismo, alfabetizar juridicamente pessoas que não sabem o quanto PODEM nesse mundo!
Que eu acaricie com uma vida melhor o coração de Josés e Marias.
Que eu cumpra a beleza que há no Direito,
e que essa beleza deixe de ser pura teoria para mim!
E viva o Brasil!

O criar um blog.

"Eu escrevo e te conto o que eu vi e me mostro de lá pra você."

quinta-feira, 19 de março de 2009

prazer, Inocência

É, meu nome é Aninha!
Lá em casa?
ah, lá em casa tá super legal!
Estão comprando várias coisas novas,mudando outras coisas de lugar...
Eu acho que minha mãe vai fazer um quarto de borboletas pra mim, eu vi!
Eu vi a minha mãezinha comprando um monte de travesseiros coloridos.Eu nem vou contar pra ela que eu quero tudo rosa,pra não estragar a surpresa!
Eu vi minhas tias trazendo vários presentes, tinha bichinho pra mim...
A minha mãe não me mostrou, mas eu vi quando ela guardou tudinho no meu armário novo!
Sempre tem visita agora e a mamãe fica mostrando as coisas novas pra todo mundo!
Meu pai só chega em casa sorrindo e ele e a minha mãe, toda noite, agora, ficam na frente da janela da sala conversando e rindo...
Eu já vi também que ele tá com mania de ficar passando a mão na barriga dela,sabe que eu acho que deve ser por isso que tem uns dias que a barriga dela tá ficando maiorzinha...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Bonita

Eu tava no ônibus quando vi a Bonita.
Tava chovendo na capital carioca e eu ia rumo a partida, de volta para o interior.
O ônibus parou em algum sinal e não foi difícil observar aquela cena.
Na janela do carro que parou ao lado, que eu não pude gravar a cor, vi a Bonita.
Era uma menina de uns 6 anos mais ou menos.
A menina tinha a pele branca, muito branca para uma cidade praiana, e cabelos que, percebia-se que eram bem compridos,e negros, muito pretos,além de lisos.O que mais chamava a minha atenção na cena, além do ato da menina que vou descrever em breve, era o batom. A pele branquíssima, o cabelo escuríssimo não bastavam para o enorme contraste no rosto infantil,ela tinha um batom vermelho sangue, toda a cor que não havia naquela pele.
Eu imaginei a menina em frente ao espelho, passando delicadamente o batom e colocando cor ao rosto pálido.
O ato? Ela delicadamente soprava no vidro do carro, dava baforadas de ar e rapidamente riscava os dedinhos no vidro a fim de fazer um desenho, que logo sumia e ela ia, novamente, soltando golpes de ar contra os pingos de chuvas...
É só.

domingo, 15 de março de 2009

Sóriso

Catarina era feliz, bem feliz.
Tinha bons pais, um irmão menor e teve uma boa infância.
Não sei o porquê, mas quando vi Catarina atrás do balcão da loja suja que entrei, eu vi algo diferente.
Quando ela me respondeu, eu percebi.
Não quis ficar olhando, mas Catarina não tinha um dente da frente, ou era quebrado, eu não fiquei observado os detalhes.
Era uma moça jovem, feia, sem sal, magrela e mal cuidada, mas tinha nome!
Ela também tinha um namorado, que gostava de mulheres com dente e com sal.
A mulher pálida sentia-se constantemente censurada. Tinha motivos pra sorrir, mas não podia.
Às vezes, enfrentando uma situação engraçada, desejava escancarar a bocarra e soltar uma gargalhada deliciosa e não, não podia. Tinha vergonha.
Vergonha não só por si, mas por aqueles que a acompanhavam.
Aconteceu que um dia ela brigou com o namorado, pois o pegou com uma mulher muito, muito feia, mas que tinha todos os dentes.
Foi dormir chorando e querendo perder todos os outros dentes que possuía, assim, não haveria gritante diferença, ficaria por de tudo banguela, horrível e simétrica.
...
Quando acordou, não reconheceu o lugar.
Foi andando e vendo pessoas bonitas e feias, tanto fazia, mas todas não tinham o dente da frente ou o tinham quebrado, o de cima ou o de baixo, ou o do lado, mas todos numa visão de frente.
Todos sorriam na vila do meio sorriso, todos gargalhavam.
Grupos se reuniam para contar piada e poder tirar o atraso das risadas censuradas.
Distraída com tanta gente igual a si, Catarina tropeçou e caiu.
Quebrou e ficou sem nenhum dente na boca e começou a rir, ali mesmo, sentada no chão, e todos os novos conhecidos riram junto.
Era a Terra do Sóriso!!

eu e o meu mundo

Isabela Rodrigues em : A primeira semana de aula- como morar sozinha.


1 ânsia
2 ânsias
Segura o vômito, Isabela, e junto com ele a ansiedade!
Eu nem sabia que mangueira de gás tinha validade.
...
Ontem chegaram três sonhadoras.
Plantas, panelas, livros e sonhos.
Colocaram os sonhos em gavetas.
Pais zelosos, mães corujas
o medo e a vontade andam juntos e dormem com elas.
...
Confusão de línguas e vozes
vozes nunca ouvidas antes
cada um conta em frases sua trajetória até ali.
Tão diferentes, um sonho só, e realizado! (parcialmente)
Que venham os próximos anos!
...
Ouço alguém bem parecido comigo
não vejo seu rosto, mas sei o seu gosto
Que vontade de gritar:
-TOCA RETRATO PRA IAIÁ!!
Arrumar cozinha ficou mais gostoso com esse som, menina vizinha.

Cimento fresco em lágrimas

A menina tava de mão com a mãe, ouvindo a conversa dela com mais alguém que não importava bem saber.
De repente, seus cabelos finíssimos e loiros mexeram, ela foi ver de onde vinha aquele cheiro de cimento fresco que pairava no ar.
Liesel correu em direção ao local e olhou a textura daquele futuro solo.Teve vontade de desenhar, foi quando seu avô,dos lindos e miúdos olhinhos azuis se aproximou e fez a proposta.
Os dois escreveram seus nomes " Liesel e Vô Nonô" juntamente com a data.
A pequena talvez não tenha sabido interpretar, mas o avô que já sentia o peso da idade chegar com uma enorme velocidade, fixou o olhar nas escritas e pensou que estariam para sempre marcados ali.
A amizade destoante de duas gerações distantes, o carinho da mão com calos pegando na outra delicada para ensiná-la o valor das letrinhas e a vontade que todos nós temos de deixar nossas marcas.
Os olhos do velho enxeram-se de lágrimas que caíram no cimento formando uma poça em volta das assinaturas, mas o sol a secou.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Rubem tormento deitado no cimento.
Rubem cimento deitado no tormento.
conte a métrica você também! vem!

sexta-feira, 6 de março de 2009

A menina que roubava o mundo

Logo que fechou o portão, remeteu-se a anos antes.
Sempre gostara da liberdade e fazia questão de abominar descaradamente tudo o que fosse contrário à arte de ser livre.
Quando ela sentiu o vento,depois de ter apertado o cadeado do velho portão enferrujado de sua casa,lembrou-se de uma história.
Quando tinha mais ou menos seis anos,não se sabe bem o porquê,ela disse a mãe que sairia de casa,mesmo já fazendo noite.
Arrumou algumas das pequeninas peças de roupa na sua mochila de personagem infantil,e disse que estava partindo.A mãe, achando ser mais um dos dengos de sua menina,esperou e a deixou para ver o que ela faria.
Isabela passou pela porta, fechou.Passou pelo portão,fechou.Trancou o cadeado que reluzia com as luzes da rua e foi descendo os degraus, com um pouco de receio,afinal, com seis anos, mal sabia ler...
Quando chegou ao pequenino portão,ao final da escada,ela viu um homem, que até hoje não se sabe se era real ou fruto da (já grande) imaginação da pequena. Aquele monstro do mundo real assustou a menina, que subiu e chegou sem fôlego, batendo o cadeado ao ferro do portão para a mãe abrir pra ela novamente.
Pode ser que ela tenha tido medo, não se sabe, mas o fato é que ela sabia que,dentro de alguns bons anos, ela desceria a escada e fecharia os portões e, encontrando ou não monstros,teria que sair.
O tempo passou...
Agora, ela estava ali, iria para o mundo, se esse não fosse pequeno para ela, ainda.

A esfiha que eu nunca comi.

Já anoitecia e eu estava realmente com muita fome,mas tinha visto que não havia a esfiha que eu queria e fui voltando para entregar o dinheiro para minha mãe e me consolando em comer algo em casa mesmo.
Quando vi, minha mãe conversava com uma mulher que era linda,porém sofrida.Dava para ver marcas no rosto dela,rosto claro, cabelos loiros.Ela vendia panos de prato e pedia para minha mãe comprar "pelo menos pra ajudar, Dona", ao mesmo tempo em que essa cena acontecia,vi uma criança que estava com ela, bonita igual, puxando a roupa de um dos fregueses da casa de esfihas e pedindo repetidamente "me dá um salgado, me dá um salgado". Eu vi que deram para ela, mas a outra que vinha, sua irmã, entrou desesperadamente na lanchonete e já foi dizendo que também sentia fome.
Sem pensar muito, eu fui buscar aqueles olhos quase claros e brilhantes de mãozinhas pequeninas e sujas e perguntei-lhe se queria um salgado também.A resposta foi óbvia, levei-lhe a bonita vitrine de salgados e falei que ela podia escolher.Depois de muita indecisão, ela escolheu um kibe, mas disse assim:
-Tia, me paga um "Garaná" também?
-Pago sim!
-Mas não pode ser gelado, tá?
-Tá,... ele está na geladeira,mas como você pediu o lanche pra levar, até você chegar em casa já perdeu o gelo!
-Não tia, tem que ser sem gelo, tem que ser sem gelo, tem que ser sem gelo!
-Tá bom, fique calma, vai ser sem gelo!
Em poucos segundos meu cérebro foi a mil, aqueles olhos, a pequenina boquinha, a quantidade de panos de prato em suas mãos, o desespero da fome...
Eu dei a bebida e a comida para a pequena, paguei e fui embora com a minha mãe.Senti meu estômago cheio, sentia meu rosto molhado em lágrimas,não tinha voz e não tinha fome.
Aquele salgado que eu deixei de comer porque não tinha do meu gosto e dei a menina me alimentou pelo resto da noite.
Seus olhos se tornaram os meus, suas mãos as minhas, e seu estômago vazio de fome o meu .

quarta-feira, 4 de março de 2009

oi,

Tô com fome de não sei o que é.
Acordei com umas batidas na porta,
fui atender.
Era a "adultice" me chamando pra ir lá fora.
Eu olhei meio de longe pro lugar
tinha misto de chuva, sol e arco-íris.
tinha nublado e tinha colorido.
(...)
acho que vou acabar partindo pra onde ela quer me levar,
mas sem perder o samba!

versus

A minha vida se resume no conflito entre o que quero e o que devo.
Eu não sei fazer escolhas
Quero tudo ter
quero tudo ser
não quero ter que optar.
quero poder partir
quero poder ficar
Sou um conflito barroco vivo
sou uma antítese
um paradoxo.

Não me faça muitas perguntas, só por hoje.



"Descobri que a parede da casa de Deus é azul." (alguém que não sei quem)

terça-feira, 3 de março de 2009

Hay Kay (créditos a Mariana Farnesi)

Que história é essa de não poder mudar de opinião?
Ter sempre que achar a mesma coisa, eu heinh, que bobeira isso!
A vida não e imóvel pra se manter assim, muito menos as pessoas.
Tem isso né? Você acha uma coisa, vai lá e fala, faz um discurso, tem toda uma opinião formada, baseada em dados ou não...
Até que, um dia, você acorda, presta atenção em tudo aquilo que você defendia e pá, decide que não gosta mais. Razão? Não sei ué, não quero mais, não gosto mais, que saco, gente! MUDEI, entendeu? M U D E I , ué.. mudei de opinião, de gosto, descobri, conheci, amadureci, DESACHEI. Isso, é isso que vim fazer aqui com toda essa retórica mirabolante cheia de coloquialismos, vim criar um novo verbo.
Na onda dos novos padrões gramaticais desse país, peço a licença poética (mesmo que essa divagação não esteja nada poética) para criar um novo verbo, o DESACHAR.
(continua....)






Ps: Ao publicar esse texto em um outro lugar, fui informada de que o verbo desachar já existe...

segunda-feira, 2 de março de 2009

Menino nunca tinha visto sorriso e achou graça!

Foi que o menino não tinha nome.
Foi que ele sempre ouviu o chamarem de menino.
"Menino,pega a cana"
"Menino vai dá de comer pros boi"
Até que Menino ganhou livro, foi por dar direção a gente de circo que passava e andava perdido.
Menino não sabia ler.Isso tinha graça na terra seca do agreste, porque Menino inventava suas histórias.
História de homem que se apaixonava por sereia e se entranhava pelo canavial até que encontrava mar.
História de homem que virava peixe.
Foi que Menino cresceu e um dia saiu pra vender cabra magra pela cidade.Perguntaram o nome do homem em uma das vendas, foi que ele disse "meu nome é Menino" e o mundo inteiro danou-se a rir.
Menino nunca tinha visto sorriso e achou graça.
Foi que voltou pra sua mulher e contou história de um mundo onde as pessoas eram por demais de feliz, mas tão feliz, que viviam de rir.

Carnaval na quinta-feira

Quando a velha desdentada e feia, conhecida como a mais rabugenta da vila chegou à janela de sua casa cheirando a mofo, viu o prédio bonito refletindo o sol em seu vidro caro.
Após se distrair, algo lhe chamou a atenção!
Era em uma das janelas do prédio, não se sabe bem o porquê, mas sua vista pareceu ficar bem próxima da cena, podendo reparar detalhes.
Via uma menina, cabelos claros e um vestido longo, muito colorido e florido.
Ela estava sozinha, mas nem parecia, de tanto que ria!
Em sua mão, várias fitas coloridas que a menina balançava enquanto rodava.
Uma música
Um samba lindo,
e a princesa parecia desfilar em sua própria escola de samba
em seu próprio carnaval
morria de rir, gargalhava
rodava, rodava em volta de seu vestido até trançar as pernas
balançava as fitas para o alto, para os lados
e dançava, lindamente.
A velha foi tomada por um sentimento estranho, algo que a incomodava, aquela alegria a irritava.
Quando ela piscou os olhos, a cena não estava mais ali, nem nada daquilo
Foi então que ela viu...
a menina era ela, em algum futuro bem próximo!

Sem cores, por enquanto.

Ele quer desfilar numa Avenida
e que se derrame uma chuva de confetes sobre ele!
Logo em seguida, vem a Colombina.
Ele se faz Pierrot.
De repente,ele senta e começa a escrever versos.
O carnaval pára.
O bloco pára.
Todos param pra ver suas letras desfilarem na Avenida.
E ele retrata a cena (em preto e branco!)

Pierrot Paradoxal.Eu só o vi uma vez, mas precisava registrar aqui essa vista!

domingo, 1 de março de 2009

Incesto das almas

O que acontece entre esses dois, eu não sei explicar, nem nunca saberei. Nem eles sabem, nem ninguém entende.
Naquela noite não fora diferente, mas ela estragou um pouco da sua vida.
Há tempos que os dois não se viam, como sempre rolou a discussão(desde antes do primeiro beijo, há anos, que eles não conversam sem haver uma pontinha de provocação ou coisa parecida.)
Só que debaixo das estrelas daquele dia, ao som de uma música que não era do gosto de ambos, não houve nem ao menos palavras e sorrisos. Um pouco de ciúme do passado, um pouco de raiva, mas o beijo.Esse, involuntário dos dois. Eles não escolhem mais que se beijem, as bocas simplesmente se unem, elas são imãs,assim como os corpos. Suas cabeças não têm vontade própria e as línguas não se preocupam com diálogos.
Eles se odeiam, ou nem tanto assim, mas não querem se prender.Talvez, sejam tão incompatíveis por serem tão gêmeos assim, um incesto seria!
Eles fazem cinema, é beijo, é saída, é sem despedida.
Um par, um duelo, um jogo.
Para ninguém nunca ousar entender.

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