Oi Madalena,
Hi Madeleine.
I see you and eu vi você e quero que seja minha doninha.
te quiero.
para ser minha mon petit. pequena doninha. doninha do meu cuore.
ser assim, minha de cor.
mas Madô,
Je ne comprends pas francais, nem nenhuma outra língua.
Você terá que falar comigo de outra forma...
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
domingo, 25 de outubro de 2009
A queda
Foi com os olhos que eles se despiram.
A roupa que se tira com os olhos. os beijos que se dá com os olhos.
Porque eram compromissados e porque eram felizes em seus compromissos de amor, que não deveriam se chamar compromissos, por serem de amor.
Não tinham porquê, porque pra essas coisas não tem que haver porquê. Eram felizes lá, mas eram felizes também aqui enquanto se devoravam com os olhos e só com os olhos pra não consumar. E enquanto traíam com os olhos. Na confusão das palavras tiradas, linhas retas que fincavam, na doce implicância que se alimentava em uns abraços mais apertados que o normal pra tentar matar o desejo que não se supria com o olhar. O olhar que despia, o olhar que beijava loucamente e dizia pra dizer frases que cortassem com a doce e amável implicância que nutriam.
A roupa que se tira com os olhos. os beijos que se dá com os olhos.
Porque eram compromissados e porque eram felizes em seus compromissos de amor, que não deveriam se chamar compromissos, por serem de amor.
Não tinham porquê, porque pra essas coisas não tem que haver porquê. Eram felizes lá, mas eram felizes também aqui enquanto se devoravam com os olhos e só com os olhos pra não consumar. E enquanto traíam com os olhos. Na confusão das palavras tiradas, linhas retas que fincavam, na doce implicância que se alimentava em uns abraços mais apertados que o normal pra tentar matar o desejo que não se supria com o olhar. O olhar que despia, o olhar que beijava loucamente e dizia pra dizer frases que cortassem com a doce e amável implicância que nutriam.
sábado, 24 de outubro de 2009
24 de outubro de 2004.
Cinco anos de Cinema.Transcendental.
Transcendental.
Caetano só viria depois. Ele e a queixa.
Um amor assim delicado.
Não há culpados.
Foi pecado apostar na alegria?
Cinco anos de Cinema mudo.
eu mudo.ele muda.(quase)tudo muda.
é contínuo.
Caetano:
-tempo, vou te fazer um pedido!...
Transcendental.
Caetano só viria depois. Ele e a queixa.
Um amor assim delicado.
Não há culpados.
Foi pecado apostar na alegria?
Cinco anos de Cinema mudo.
eu mudo.ele muda.(quase)tudo muda.
é contínuo.
Caetano:
-tempo, vou te fazer um pedido!...
domingo, 18 de outubro de 2009
Romance
" - Esse é o problema com o amor... ou ele vira cobrança e ninguém tem mais paz, ou então ele vira rotina e as pessoas morrem de tédio.
- Se você quer amar alguém por muito tempo tem que aprender a gostar da rotina.
- O casamento é o túmulo do amor. Foi inventado para os seres humanos medianos, que não são aptos nem para o grande amor, nem para a grande amizade, portanto para a maioria. Nietzsche.
- Você não quer casar porque é um ser superior, é isso?
- Não, eu não quero casar porque casamento é chato. Porque casamento é uma coisa, amor é outra. As pessoas se casam por amor e depois terminam se estapeando por causa de uma infiltração na cozinha.
- Eu não posso acreditar que você não vai mais me namorar por causa disso. Por causa de uma frase do Nietzsche e uma infiltração na cozinha.
- Eu prefiro a aventura à rotina.
-Eu prefiro os dois. Criar um filho, por exemplo, é uma aventura e é rotina ao mesmo tempo.
- Eu não quero ter filhos... quero fazer teatro. Ou filhos ou livros.
-Nietzsche de novo.Pois eu quero casar, ter filhos e fazer teatro. Mas não com você! "
- Se você quer amar alguém por muito tempo tem que aprender a gostar da rotina.
- O casamento é o túmulo do amor. Foi inventado para os seres humanos medianos, que não são aptos nem para o grande amor, nem para a grande amizade, portanto para a maioria. Nietzsche.
- Você não quer casar porque é um ser superior, é isso?
- Não, eu não quero casar porque casamento é chato. Porque casamento é uma coisa, amor é outra. As pessoas se casam por amor e depois terminam se estapeando por causa de uma infiltração na cozinha.
- Eu não posso acreditar que você não vai mais me namorar por causa disso. Por causa de uma frase do Nietzsche e uma infiltração na cozinha.
- Eu prefiro a aventura à rotina.
-Eu prefiro os dois. Criar um filho, por exemplo, é uma aventura e é rotina ao mesmo tempo.
- Eu não quero ter filhos... quero fazer teatro. Ou filhos ou livros.
-Nietzsche de novo.Pois eu quero casar, ter filhos e fazer teatro. Mas não com você! "
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Por um lamento
Hoje é o dia mais triste da minha vida.
Hoje morre um pouco de Isabela nesse mundo.
Hoje, um pedaço de Isabela vai embora pra nunca mais voltar.
E Isabela nunca mais será a mesma, porque há pedaços que não se regeneram, passe mil anos.
Talvez seja como o tempo. E eu nunca mais voltarei a ser o que era nunca.
Devia ter me aproveitado mais de mim.
Hoje é o dia mais triste da minha vida.
Faço o enterro dos meus pedaços.
Não tenho vergonha de dizer que morro.
Hoje morre um pouco de Isabela nesse mundo.
Hoje, um pedaço de Isabela vai embora pra nunca mais voltar.
E Isabela nunca mais será a mesma, porque há pedaços que não se regeneram, passe mil anos.
Talvez seja como o tempo. E eu nunca mais voltarei a ser o que era nunca.
Devia ter me aproveitado mais de mim.
Hoje é o dia mais triste da minha vida.
Faço o enterro dos meus pedaços.
Não tenho vergonha de dizer que morro.
Elegia à embriaguês
Se alguém agora
Lá fora passa
E de soslaio olha
E vê tanta alegria
Comenta a um amigo
Também fora do palco
Aquilo,companheiro, é fruto do álcool
E diz a um vizinho
cheio de intriga
Aquilo, meu amigo, é fruto da bebida.
Mas, se na peça da nossa embriaguês,
Um ato é de amor e o próximo de alegria
Se, ao cair o pano,caem as desavenças
E, pelos próprios desafetos, somos com amor tratado!
Por que razão, amigos, o mundo não é assim?
Por que todos, sem exceção, não vivem embriagados?
(Roberto Lando)
Lá fora passa
E de soslaio olha
E vê tanta alegria
Comenta a um amigo
Também fora do palco
Aquilo,companheiro, é fruto do álcool
E diz a um vizinho
cheio de intriga
Aquilo, meu amigo, é fruto da bebida.
Mas, se na peça da nossa embriaguês,
Um ato é de amor e o próximo de alegria
Se, ao cair o pano,caem as desavenças
E, pelos próprios desafetos, somos com amor tratado!
Por que razão, amigos, o mundo não é assim?
Por que todos, sem exceção, não vivem embriagados?
(Roberto Lando)
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Eu não quero sorte pra ter amor. E não quero tranquilo.
Mas quero paixão e sabor e fruta mordida
Quero rede, cabelos e sede que se mata na saliva.
Depois vou querer amor sim,
mas todo ele, todo o que houver nessa vida. Sem trocado, sem garantia.
Quero viver a poesia, mas sem rima.
Quero te alcançar em cheio o mel e a ferida e o corpo inteiro feito um furacão
boca. nuca. mão
e a sua mente sim. A sua mente toda
transtornada e bêbada. Embriagada, embriagada de mim.
Créditos: Todo amor que houver nessa vida - Cazuza.
Mas quero paixão e sabor e fruta mordida
Quero rede, cabelos e sede que se mata na saliva.
Depois vou querer amor sim,
mas todo ele, todo o que houver nessa vida. Sem trocado, sem garantia.
Quero viver a poesia, mas sem rima.
Quero te alcançar em cheio o mel e a ferida e o corpo inteiro feito um furacão
boca. nuca. mão
e a sua mente sim. A sua mente toda
transtornada e bêbada. Embriagada, embriagada de mim.
Créditos: Todo amor que houver nessa vida - Cazuza.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
O coração apenas pulsa. O coração apenas bombeia.
O coração apenas bate.
tum tum tum
O coração é racional. O coração tem seu ritmo e o respeita porque tem
a única função
de bombear o sangue. M a i s n a d a !
Tum.
Quem sente é a cabeça. Quem sofre é a cabeça. Quem chora é a cabeça.
Quem ama é a cabeça.
Quem se apaixona é a cabeça.
Quem ri é a cabeça.
A cabeça é emoção. O cérebro é sensível e emocional.
O coração apenas bate.
tum tum tum
O coração é racional. O coração tem seu ritmo e o respeita porque tem
a única função
de bombear o sangue. M a i s n a d a !
Tum.
Quem sente é a cabeça. Quem sofre é a cabeça. Quem chora é a cabeça.
Quem ama é a cabeça.
Quem se apaixona é a cabeça.
Quem ri é a cabeça.
A cabeça é emoção. O cérebro é sensível e emocional.
Deitei na sua cama e ainda senti aquele cheiro só seu só seu.
Deitei na sua cama e ainda me lembrei quando eu tinha pézinhos e mãozinhas que cabiam assim, no meio, meiozinho de vocês dois. Quando eu ia escalando entre lençóis, no meio da noite, fugindo dos monstros que me perseguiam no meu quarto...
...Me deu uma saudade do presente, porque parece mesmo que eu já estou sentindo saudade de hoje.
Já estou com saudade dessas histórias loucas que tenho vivido, dos amigos que tenho pra ligar hoje e já estou chorando pela falta do segundo que viverei amanhã.
Deitei na sua cama e ainda me lembrei quando eu tinha pézinhos e mãozinhas que cabiam assim, no meio, meiozinho de vocês dois. Quando eu ia escalando entre lençóis, no meio da noite, fugindo dos monstros que me perseguiam no meu quarto...
...Me deu uma saudade do presente, porque parece mesmo que eu já estou sentindo saudade de hoje.
Já estou com saudade dessas histórias loucas que tenho vivido, dos amigos que tenho pra ligar hoje e já estou chorando pela falta do segundo que viverei amanhã.
sábado, 3 de outubro de 2009
Largo das Neves.
Eu quero uma casa verde em Santa Teresa com uma nêga de gesso apoiando a cabeça nos braços gordos e pretos e sorrindo na janela.
Eu quero uma casa verde em Santa Teresa e subir pro Largo das Neves pra odiar os pombos enquanto leio jornal e as bandeirinhas que balançam e as bandeirinhas são de outras Juninas.
Eu quero uma casa verde em Santa Teresa.
Casa antiga e larga, pé direito alto e bem arejada de varanda eu vou ver a vista.
Quando tiver tempo vou descer de bonde. Eu sempre tenho tempo e o bonde é amarelo. O Largo dos Guimarães é uma beleza e aquele povo todo que saiu de outra década vem morar perto de mim.
Eu quero uma casa verde em Santa Teresa e enquanto o bonde passar por de cima dos arcos da Lapa eu vou ver por cada fresta de janela desse Rio de Janeiro a casa de cor do pobre do Centro.
Eu quero uma casa verde em Santa Teresa que é pra enquanto o bonde passar por de cima dos arcos da Lapa, eu vou rezar por cada menino magro de fome e barriga de verme que se torce na camisa e cheira cola pra se alimentar eu vou rezar.
Eu quero uma casa verde em Santa Teresa com árvore de fruta e um cachorro chamado Fubá.
Eu quero uma casa verde em Santa Teresa e subir pro Largo das Neves pra odiar os pombos enquanto leio jornal e as bandeirinhas que balançam e as bandeirinhas são de outras Juninas.
Eu quero uma casa verde em Santa Teresa.
Casa antiga e larga, pé direito alto e bem arejada de varanda eu vou ver a vista.
Quando tiver tempo vou descer de bonde. Eu sempre tenho tempo e o bonde é amarelo. O Largo dos Guimarães é uma beleza e aquele povo todo que saiu de outra década vem morar perto de mim.
Eu quero uma casa verde em Santa Teresa e enquanto o bonde passar por de cima dos arcos da Lapa eu vou ver por cada fresta de janela desse Rio de Janeiro a casa de cor do pobre do Centro.
Eu quero uma casa verde em Santa Teresa que é pra enquanto o bonde passar por de cima dos arcos da Lapa, eu vou rezar por cada menino magro de fome e barriga de verme que se torce na camisa e cheira cola pra se alimentar eu vou rezar.
Eu quero uma casa verde em Santa Teresa com árvore de fruta e um cachorro chamado Fubá.
Yo quiero ser una chica almodovar
Yo quiero ser una chica almodovar
Como la maura, como victoria abril
Un poco lista, un poquitín boba,
Ir con madonna en una limousine.
Yo quiero ser una chica almodovar
Como bibí, como miguel bosé
Pasar de todo y no pasar de moda,
Bailar contigo el último cuplé.
Y no parar de viajar del invierno al verano,
De madrid a new york, del abrazo al olvido,
Dejarte entre tinieblas escuchando un ruido
De tacones lejanos.
Encontrar la salida de este gris laberinto,
Sin pasión ni pecado, ni locura ni incesto,
Tener en cada puerto un amante distinto
No gritar ¡que he echo yo, para merecer esto!
Yo quiero ser una chica almodovar
Como pepi, como luci como bom
Venderle al garbo mis secretos de alcoba,
Ponerme luto por un matador.
Yo quiero ser una chica almodovar
Que a su chico le suplique ¡atame!
No dar el alma sino a quien me la roba,
Desayunar en tifanis con él.
Y no permitir que me coman el coco
Esas chungas movidas de croatas y serbios
Ir por la vida al borde de un ataque de nervios,
Con faldas y a lo loco.
Encontrar la salida de este gris laberinto,
Sin pasión ni pecado, ni locura ni incesto,
Tener en cada puerto un amante distinto
No gritar ¡que he echo yo, para merecer esto!
Como patidifusa escribir mis memorias,
Apuntarme a cualquier tipo de bombardeo
No tener otra fe que la piel,
Ni más ley que la ley del deseo.
Encontrar la salida de este gris laberinto,
Sin pasión ni pecado, ni locura ni incesto,
Tener en cada puerto un amante distinto
No gritar ¡que he echo yo, para merecer esto!
(Joaquin Sabina )
" encontrar a saída deste labirinto cinzento
sem paixão, nem pecado, nem loucura nem incesto
ter em cada porto um amante diferente
não gritar:
- o que que eu fiz, para merecer isto "
Como la maura, como victoria abril
Un poco lista, un poquitín boba,
Ir con madonna en una limousine.
Yo quiero ser una chica almodovar
Como bibí, como miguel bosé
Pasar de todo y no pasar de moda,
Bailar contigo el último cuplé.
Y no parar de viajar del invierno al verano,
De madrid a new york, del abrazo al olvido,
Dejarte entre tinieblas escuchando un ruido
De tacones lejanos.
Encontrar la salida de este gris laberinto,
Sin pasión ni pecado, ni locura ni incesto,
Tener en cada puerto un amante distinto
No gritar ¡que he echo yo, para merecer esto!
Yo quiero ser una chica almodovar
Como pepi, como luci como bom
Venderle al garbo mis secretos de alcoba,
Ponerme luto por un matador.
Yo quiero ser una chica almodovar
Que a su chico le suplique ¡atame!
No dar el alma sino a quien me la roba,
Desayunar en tifanis con él.
Y no permitir que me coman el coco
Esas chungas movidas de croatas y serbios
Ir por la vida al borde de un ataque de nervios,
Con faldas y a lo loco.
Encontrar la salida de este gris laberinto,
Sin pasión ni pecado, ni locura ni incesto,
Tener en cada puerto un amante distinto
No gritar ¡que he echo yo, para merecer esto!
Como patidifusa escribir mis memorias,
Apuntarme a cualquier tipo de bombardeo
No tener otra fe que la piel,
Ni más ley que la ley del deseo.
Encontrar la salida de este gris laberinto,
Sin pasión ni pecado, ni locura ni incesto,
Tener en cada puerto un amante distinto
No gritar ¡que he echo yo, para merecer esto!
(Joaquin Sabina )
" encontrar a saída deste labirinto cinzento
sem paixão, nem pecado, nem loucura nem incesto
ter em cada porto um amante diferente
não gritar:
- o que que eu fiz, para merecer isto "
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Muitas questões povoam a minha mente.
A do ovo e da galinha é a mais conflituosa delas.
O ovo é o disfarce da galinha ou a galinha é, simplesmente, a mãe do ovo?
...Enquanto isso eu não sei o que vou ser,
porque ser é algo que dá muito trabalho,
precisa de um esforço braçal no mental
...mas essa é só mais uma pequena questão das muitas que povoam a minha mente,
onde a do ovo e da galinha é a mais conflituosa delas.
A do ovo e da galinha é a mais conflituosa delas.
O ovo é o disfarce da galinha ou a galinha é, simplesmente, a mãe do ovo?
...Enquanto isso eu não sei o que vou ser,
porque ser é algo que dá muito trabalho,
precisa de um esforço braçal no mental
...mas essa é só mais uma pequena questão das muitas que povoam a minha mente,
onde a do ovo e da galinha é a mais conflituosa delas.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Eu tinha 19 anos e uma cabeleira aloirada de chá de Marcela quando vi uma realidade se tornar sonho.É extremamente estranho quando a realidade vira sonho e, mais estranho ainda é quando, após virar sonho, não se poder mais vivê-lo. É estranho isso, ou não. Mas é que sonho não nasceu pra ser vivido e, quando isso acontece, alguma coisa se sucede no tempo para mudar, porque a vida, companheiro, não é sonho não.Eu tinha 19 anos e uma cabeleira aloirada de chá de Marcela quando deixei o lugar. Eu, que nasci com a tendência à incompletude, via-me a mais completa das criaturas.Mesmo assim, deixei o lugar, com os olhos empapuçados do choro da noite anterior e uma cabeleira aloirada de chá de Marcela que eu tinha aos 19.E nesse dia, eu que sempre quis ser e tão incomum, entrei pro clã dos comuns que vêem sonhos se tornarem realidade, e não realidades se tornarem sonhos.
domingo, 27 de setembro de 2009
Porque eu tenho essa necessidade de ser assim meio contra a corrente. Mas não um contra polêmico, que bate na mesa e fala alto, porque assim também seria muito óbvio e previsível. Um contra que fala baixinho, virando a cabeça pro lado e rindo no final. Porque eu tenho essa necessidade de ser imprevisível e diferente de tudo que possam esperar de mim. Cara de que faz algo muito diferente, mas, no final, se entrega ao banal e ao mais comum. Um rótulo, uns títulos e essa delícia em surpreender,em deixar boquiaberto, em fazer o nada a ver, ou melhor, o que parece ser nada a ver.
O fugir assim, à francesa, pela tangente, de mansinho, de andar lentinho e com charme daquilo tudo que esperam de nós é fantástico.
Ser surfista com cara de surfista não tem graça. O interessante está em descasar as palavras e atos com a imagem e, se não for assim, não há porque rir.
O fugir assim, à francesa, pela tangente, de mansinho, de andar lentinho e com charme daquilo tudo que esperam de nós é fantástico.
Ser surfista com cara de surfista não tem graça. O interessante está em descasar as palavras e atos com a imagem e, se não for assim, não há porque rir.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Desde aquela hora com vontade de comer bis branco que não passa. Eu vejo poesia onde não tem, mas se vejo é porque há e ela me puxa pelos cabelos e me gira e me gira e me gira no ar. A menina caminha solta o corpo fecha os olhos no túnel de metal e se liberta em sonhos porque fecha os olhos que levam segundos de vida que passam e que passam pelo túnel de metal e ela sobe. Sobe, tá chovendo. Vê um abraço e deseja encontrar. Na chuva.Na certa daria um beijo longo na boca quando as línguas dançam e dançam, e depois olharia a cara dele de sono que tem na chuva, no largo.E anda e o guarda-chuva dobra e o vento e o vento e o sinal que pisca e já passa das onze e o casal que namora na porta, no prédio, no escuro. Casal que se beija e faz quem não beija ter vontade de beijar também. Sumi sim e gosto de sumir quando ainda não sumi de mim mas, ao final do dia, tudo o que eu queria mesmo era matar essa vontade de comer bis branco que não passa.
Chovia uma chuva de dar dó.
Cinza e caras cinza.
Nublado. Preto. Branco.
No meio da praça um homem preto.
Negro como Bob. Cabelos como os de Bob cantava
lindamente
como Bob.
O dia era cinza.
Sem sol porque
naquele dia cinza, o sol amarelo havia escolhido aquele homem preto pra morar.
E a chuva.E a chuva que caía do céu só pra lavar seu rosto, homem.
E cantava e cantava porque balançava um balanço de Bob e os dreadlocks que pulavam pra comemorar a chuva que cantava pro homem.
E o sorriso. O sorriso do Bob do Largo do Machado que fazia
o dia ter o sol iluminado mais preto que já vi.
Cinza e caras cinza.
Nublado. Preto. Branco.
No meio da praça um homem preto.
Negro como Bob. Cabelos como os de Bob cantava
lindamente
como Bob.
O dia era cinza.
Sem sol porque
naquele dia cinza, o sol amarelo havia escolhido aquele homem preto pra morar.
E a chuva.E a chuva que caía do céu só pra lavar seu rosto, homem.
E cantava e cantava porque balançava um balanço de Bob e os dreadlocks que pulavam pra comemorar a chuva que cantava pro homem.
E o sorriso. O sorriso do Bob do Largo do Machado que fazia
o dia ter o sol iluminado mais preto que já vi.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
domingo, 13 de setembro de 2009
Lili inventa o mundo
Lili tinha 5 anos e umas balas no bolso quando ganhou um caleidoscópio.
Botou o buraco dentro dos olhos e viu o mundo se mexer colorido.
Lindo.
O mundo que Lili via por aquele único olho do tubo era Lindo.
E Lili decidiu que, a partir de então, mesmo sem o tubo, ela veria o mundo sempre daquele jeito. Miçangas e paêtes e estrelinhas coloridas nadando pelos ares e cores e cores.E, assim, Lili se tornou a famosa garota dos olhos de caleidoscópio.
Quando Lili passava por momentos tristes, as cores ficavam mais escuras no caleidoscópio do mundo, mas ela girava e tudo voltava a ter cor e nadar e nadar e nadar em colorido.
Um dia,Lili achou que não sabia mais que cor estava. Estava tão confusa, havia cor por todo lado. Por vezes, ela queria ser amarelo-laranja-vermelho, por outras, ela queria ser lilás-rosa-verde clarinho. Lili caiu em pensamento. Pela primeira vez na vida não sabia de que cor estava seu mundo. Estranho.
Foi quando chegou no parapeito da janela, e o verão chegava também. Lili arregalou os olhos já não pequenos, e gritou sozinha no quarto:
-Azul!
Azul Azul Azul.
Blue Blue Blue .
Blues. Azuis.
Blue Blues Azul tudo todo mundo nu céu celeste celestial de um azul tudo mas sem você eu fico blue blues azuis azul blue.
Botou o buraco dentro dos olhos e viu o mundo se mexer colorido.
Lindo.
O mundo que Lili via por aquele único olho do tubo era Lindo.
E Lili decidiu que, a partir de então, mesmo sem o tubo, ela veria o mundo sempre daquele jeito. Miçangas e paêtes e estrelinhas coloridas nadando pelos ares e cores e cores.E, assim, Lili se tornou a famosa garota dos olhos de caleidoscópio.
Quando Lili passava por momentos tristes, as cores ficavam mais escuras no caleidoscópio do mundo, mas ela girava e tudo voltava a ter cor e nadar e nadar e nadar em colorido.
Um dia,Lili achou que não sabia mais que cor estava. Estava tão confusa, havia cor por todo lado. Por vezes, ela queria ser amarelo-laranja-vermelho, por outras, ela queria ser lilás-rosa-verde clarinho. Lili caiu em pensamento. Pela primeira vez na vida não sabia de que cor estava seu mundo. Estranho.
Foi quando chegou no parapeito da janela, e o verão chegava também. Lili arregalou os olhos já não pequenos, e gritou sozinha no quarto:
-Azul!
Azul Azul Azul.
Blue Blue Blue .
Blues. Azuis.
Blue Blues Azul tudo todo mundo nu céu celeste celestial de um azul tudo mas sem você eu fico blue blues azuis azul blue.
Bilhete
A vida aos 20 e poucos anos se resume em apenas alguns conselhos (pelo menos para três garotas sonhadoras):
"Cuidem bem da Filó , deixem a geladeira viver até quando ela agüentar e tampem bem os pregos quando a próxima gaveta cair.Cuidem bem da Luana, ela é uma extensão da nossa casa! Vejam esse negócio do disjuntor com a Adriana pra não ter que ficar descendo pra ligar, cuidado com o pai da Adriana, eu o acho tão estranho.Bianca, confira o gás e a porta toda noite, mesmo que já tenha ido deitar. Tentem fazer mais amizades no condomínio, pois eu acho que somos muito excluídas aqui, ou então mudem, mudem pra uma casa com jardim."
"Cuidem bem da Filó , deixem a geladeira viver até quando ela agüentar e tampem bem os pregos quando a próxima gaveta cair.Cuidem bem da Luana, ela é uma extensão da nossa casa! Vejam esse negócio do disjuntor com a Adriana pra não ter que ficar descendo pra ligar, cuidado com o pai da Adriana, eu o acho tão estranho.Bianca, confira o gás e a porta toda noite, mesmo que já tenha ido deitar. Tentem fazer mais amizades no condomínio, pois eu acho que somos muito excluídas aqui, ou então mudem, mudem pra uma casa com jardim."
sábado, 5 de setembro de 2009
domingo, 30 de agosto de 2009
Margarida morava numa terra quente e de tons terra.Lá os dias eram laranja mas, mesmo assim, a vida se passava em preto e branco.
A vegetação parecia gostar de viver e lutava para isso, foi lá que Margarida nasceu, sempre viveu e morreu Margarida.
Margarida surgiu no mundo e tinha esse nome porque a mãe disse que era nome de flor do sul.Era mais uma irmã de oito filhos entre homens e mulheres que foram se perdendo pelo sertão, morrendo de fome, de sede ou de morte morrida que chega de velhice ou de tiro.
Com 12 anos, Margarida foi levada na mão pelo pai pra modo de se casar com Jeremias, um homem feito, filho de Seu Raimundo dono da venda que tava procurando mulher pra casar. Menos um filho, menos uma boca pra ter que dividir a comida e a água e Margarida foi obrigada a casar. Mas não obrigada, porque pra Margarida tanto fazia. Ela não sentia nenhum sentimento mesmo e não sabia o que era sentir.Ela não sabia o que era conversa, não sabia o que ia ser da vida mas também não pensava que não sabia.Sua vida era acordar bem cedo e já quando nascia o sol ia buscar água e fervia e dava banho nos meninos menores e depois a comida e o trato da cabra e até que escurecia e ia dormir. Margarida não sabia muito o porquê que vivia, mas também nunca se perguntou isso. Ela simplesmente vivia o que tinha que ser vivido sem saber a razão de tudo. Não havia perguntas nem questões. Havia um estômago roncando, uma boca seca e uns meninos chorando de leite que não tem em peito de barriga vazia.
E assim Margarida se casou com 12 anos sem saber o que era casar,o porquê de casar e com quem é que casava. Ela simplesmente entendia que ia morar em outra casa pra poder ter comida pros menores. E ela entendia que, à noite, tinha que fechar os olhos e não entender muito bem o que acontecia mas que acontecia.
Até que um dia sua barriga começou a crescer, e Margarida entendeu que ali tinha criança e criança é boca pra dividir comida. Margarida socou a barriga, tomou chá e empurrou, mas o menino não teve modo de descer antes do tempo pra ver se não vingava, e acabou que nasceu depois mesmo, e de uma dor danada.
E mais crianças vieram depois de fechar muitos olhos em muitas noites daquelas que não entendia o que acontecia, mas acontecia.
Era manhã de maio quando Margarida estava na cozinha e um dos seus meninos chegou mostrando a ela um antigo pôster seu de revista com a imagem do Antônio Fagundes todo deformado. A criança malvada de maldade de criança peste tinha feito bigode, barba, dente podre e uns cabelos saindo pela orelha e nariz do ator. Quando Margarida viu aquilo, sentiu dentro de si uma enorme vontade de chorar, ela que nunca chorou porque nunca sentiu, só dor do parto.Veio uma raiva que nem sabia que chamava raiva e uma vontade de bater no menino até que ele não vivesse mais. A criança tinha ferido a única coisa bonita que Margarida tinha na vida:o pôster do Antônio Fagundes. Ela tinha acabado com toda a beleza e o colorido de quem vive em preto e branco apesar de estar em terra laranja e céu azul.
Mas, vendo aquele homem ali todo deformado, ela começou a achar uma graça, uma graça tão grande, uma coisa cheia de graça que se chama engraçada e começou quase a rir. E,quando viu os brincos que o filho tinha feito na orelha do Antônio Fagundes e tudo mais o que havia no desenho, Margarida sentiu uma pressão na barriga e no rosto e começou a rir.
Foi uma gargalhada funda de quem nunca tinha dado um sorriso. E riu tanto, e tanto que sua barriga começou a doer. Seus músculos que nunca tinham sido exercitados pra rir começaram a se distender, dilacerando, rasgando, rompendo. E a sua boca foi se abrindo e seus lábios foram esticando fazendo com que o grande beiço ficasse muito liso e, de tanto abrir a boca que nunca tinha sido aberta pra riso, os lábios começaram a sangrar. E sua barriga que doía e um xixi que começou a descer quente, queimando as pernas de Margarida e se esparramando pelo vestido e parando no chão de cimento batido e queimado. Margarida foi ficando sonâmbula e rindo rindo rindo até morrer.
Margarida não tinha corpo e organismo pra rir e, quando isso aconteceu, ela morreu. De rir.
A vegetação parecia gostar de viver e lutava para isso, foi lá que Margarida nasceu, sempre viveu e morreu Margarida.
Margarida surgiu no mundo e tinha esse nome porque a mãe disse que era nome de flor do sul.Era mais uma irmã de oito filhos entre homens e mulheres que foram se perdendo pelo sertão, morrendo de fome, de sede ou de morte morrida que chega de velhice ou de tiro.
Com 12 anos, Margarida foi levada na mão pelo pai pra modo de se casar com Jeremias, um homem feito, filho de Seu Raimundo dono da venda que tava procurando mulher pra casar. Menos um filho, menos uma boca pra ter que dividir a comida e a água e Margarida foi obrigada a casar. Mas não obrigada, porque pra Margarida tanto fazia. Ela não sentia nenhum sentimento mesmo e não sabia o que era sentir.Ela não sabia o que era conversa, não sabia o que ia ser da vida mas também não pensava que não sabia.Sua vida era acordar bem cedo e já quando nascia o sol ia buscar água e fervia e dava banho nos meninos menores e depois a comida e o trato da cabra e até que escurecia e ia dormir. Margarida não sabia muito o porquê que vivia, mas também nunca se perguntou isso. Ela simplesmente vivia o que tinha que ser vivido sem saber a razão de tudo. Não havia perguntas nem questões. Havia um estômago roncando, uma boca seca e uns meninos chorando de leite que não tem em peito de barriga vazia.
E assim Margarida se casou com 12 anos sem saber o que era casar,o porquê de casar e com quem é que casava. Ela simplesmente entendia que ia morar em outra casa pra poder ter comida pros menores. E ela entendia que, à noite, tinha que fechar os olhos e não entender muito bem o que acontecia mas que acontecia.
Até que um dia sua barriga começou a crescer, e Margarida entendeu que ali tinha criança e criança é boca pra dividir comida. Margarida socou a barriga, tomou chá e empurrou, mas o menino não teve modo de descer antes do tempo pra ver se não vingava, e acabou que nasceu depois mesmo, e de uma dor danada.
E mais crianças vieram depois de fechar muitos olhos em muitas noites daquelas que não entendia o que acontecia, mas acontecia.
Era manhã de maio quando Margarida estava na cozinha e um dos seus meninos chegou mostrando a ela um antigo pôster seu de revista com a imagem do Antônio Fagundes todo deformado. A criança malvada de maldade de criança peste tinha feito bigode, barba, dente podre e uns cabelos saindo pela orelha e nariz do ator. Quando Margarida viu aquilo, sentiu dentro de si uma enorme vontade de chorar, ela que nunca chorou porque nunca sentiu, só dor do parto.Veio uma raiva que nem sabia que chamava raiva e uma vontade de bater no menino até que ele não vivesse mais. A criança tinha ferido a única coisa bonita que Margarida tinha na vida:o pôster do Antônio Fagundes. Ela tinha acabado com toda a beleza e o colorido de quem vive em preto e branco apesar de estar em terra laranja e céu azul.
Mas, vendo aquele homem ali todo deformado, ela começou a achar uma graça, uma graça tão grande, uma coisa cheia de graça que se chama engraçada e começou quase a rir. E,quando viu os brincos que o filho tinha feito na orelha do Antônio Fagundes e tudo mais o que havia no desenho, Margarida sentiu uma pressão na barriga e no rosto e começou a rir.
Foi uma gargalhada funda de quem nunca tinha dado um sorriso. E riu tanto, e tanto que sua barriga começou a doer. Seus músculos que nunca tinham sido exercitados pra rir começaram a se distender, dilacerando, rasgando, rompendo. E a sua boca foi se abrindo e seus lábios foram esticando fazendo com que o grande beiço ficasse muito liso e, de tanto abrir a boca que nunca tinha sido aberta pra riso, os lábios começaram a sangrar. E sua barriga que doía e um xixi que começou a descer quente, queimando as pernas de Margarida e se esparramando pelo vestido e parando no chão de cimento batido e queimado. Margarida foi ficando sonâmbula e rindo rindo rindo até morrer.
Margarida não tinha corpo e organismo pra rir e, quando isso aconteceu, ela morreu. De rir.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Às vezes, quando estou sem nada pra fazer como agora, eu pego fotos suas na caixa de bolinhas que você me deu aquele vestido rodado. Eu peguei agora a foto daquele dia em que a gente se conheceu. Nunca te contei mas você nunca mais foi bonito e interessante como naquele dia, o primeiro dia, em que não nos beijamos.Falando sem parar com o cigarro ainda por acender na boca e eu não me interessei por uma vírgula do que você dizia. Nunca te contei, mas depois te achei meio feio e magro demais para alguém meio cheia de carnes como eu. Acontece que agora você está tão longe que, nem se eu quisesse, poderia te tocar com as pontas dos dedos no meio do seu sono confuso. Acontece que tudo se perdeu sem nem começar, os fios se romperam prematuramente.São então, nesses dias que eu não tenho mais o que fazer e gasto meu tempo olhando a sua foto tirada da caixa de bolinhas, que eu imagino você chegando, sem nada de ruim ter acontecido ainda.Eu imagino o passado bom como um futuro próximo e você chega me acordando com um beijo, pois está sem sono e quer conversar. Aí a gente começa a discutir coisas sem sentido porque você sabe que eu estou sempre com sono, nossas discussões geram risadas e me dão tanto desejo por você, mesmo eu não te achando mais bonito como no primeiro dia em que nos vimos. Mas aí chega o seu sono, eu perco o meu de desejo por você e você dorme.Não tem problema porque na minha imaginação você vai me acordar com um beijo depois, mas.
São só nesses dias de imaginar.
São só nesses dias de imaginar.
domingo, 23 de agosto de 2009
A caixa de biscoitos teria a única função de guardar os biscoitos não fosse o que foi.
A caixa de biscoitos também poderia ser enfeite visto que carregava na capa a torre Eiffel e um casal que nunca existiu vivendo de amor recíproco sempre feliz.
A caixa de biscoitos deve carregar biscoitos. Biscoitos finos, vindos de Paris com etiqueta da casa de chás.
Alicia pequena, cabelos escorridos pretos, com olhos que falavam mais que a boca.Grandes, redondos, acinzentados.
Alicia conheceu a caixa de biscoitos quando ainda não falava muito. Nunca foi de falar, não com a boca.
Ela abriu devagar a caixa e descobriu alguns pacotinhos individuais de biscoitos. Ninguém ainda havia comido, talvez nem soubessem que a caixa de biscoitos bonita guardava biscoitos.
Alicia ama biscoitos.
A criança decidiu de si para si que só comeria os biscoitos em ocasiões muito especiais da sua vida.
Seria um prazer só seu, um segredo guardado para sempre.
A missão de Alicia nesse mundo era o de comer todos os biscoitos cada vez que tivesse em felicidade absoluta, mesmo que por dois segundos. Após comer o último pacote, ela poderia morrer.
Morrer em paz, pois teria cumprido a sua missão de ser feliz na medida certa da quantidade de pacotes de biscoito que se pode ter numa lata francesa.
A caixa de biscoitos também poderia ser enfeite visto que carregava na capa a torre Eiffel e um casal que nunca existiu vivendo de amor recíproco sempre feliz.
A caixa de biscoitos deve carregar biscoitos. Biscoitos finos, vindos de Paris com etiqueta da casa de chás.
Alicia pequena, cabelos escorridos pretos, com olhos que falavam mais que a boca.Grandes, redondos, acinzentados.
Alicia conheceu a caixa de biscoitos quando ainda não falava muito. Nunca foi de falar, não com a boca.
Ela abriu devagar a caixa e descobriu alguns pacotinhos individuais de biscoitos. Ninguém ainda havia comido, talvez nem soubessem que a caixa de biscoitos bonita guardava biscoitos.
Alicia ama biscoitos.
A criança decidiu de si para si que só comeria os biscoitos em ocasiões muito especiais da sua vida.
Seria um prazer só seu, um segredo guardado para sempre.
A missão de Alicia nesse mundo era o de comer todos os biscoitos cada vez que tivesse em felicidade absoluta, mesmo que por dois segundos. Após comer o último pacote, ela poderia morrer.
Morrer em paz, pois teria cumprido a sua missão de ser feliz na medida certa da quantidade de pacotes de biscoito que se pode ter numa lata francesa.
sábado, 22 de agosto de 2009
O ovo, a galinha e as três meninas.
E falavam de ovo e, porque falavam, punham-se a rir!
Somente elas se entendiam, para desprezar o resto do mundo que fingia ser tudo uma bobagem.
No meio da noite, pararam no tempo, pararam conversas e reflexões para pensar em uma só coisa:
O Ovo.
E o ovo, o ovo apenas nos vê, nos observa ali.
Três meninas e uma roda ao redor do ovo. Tudo é redondo e tudo se move redondamente no ciclo da vida, como um ovo, como um giro, como um movimento do planeta.
E as três que não formam um triângulo, mas um ovo, pois muito já giraram no universo, ficam ali, paradas a observar e falar do ovo por uma noite inteira.
O ovo que, naquele momento,possui, como única função na vida,observar aquelas três cabeças.
(Créditos:Bianca Carbogim e Ana Karolina Leones.)
Somente elas se entendiam, para desprezar o resto do mundo que fingia ser tudo uma bobagem.
No meio da noite, pararam no tempo, pararam conversas e reflexões para pensar em uma só coisa:
O Ovo.
E o ovo, o ovo apenas nos vê, nos observa ali.
Três meninas e uma roda ao redor do ovo. Tudo é redondo e tudo se move redondamente no ciclo da vida, como um ovo, como um giro, como um movimento do planeta.
E as três que não formam um triângulo, mas um ovo, pois muito já giraram no universo, ficam ali, paradas a observar e falar do ovo por uma noite inteira.
O ovo que, naquele momento,possui, como única função na vida,observar aquelas três cabeças.
(Créditos:Bianca Carbogim e Ana Karolina Leones.)
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
A escova de dente.
-Há uma tristeza que não vem cabendo em mim e teima em descer pelo canto dos olhos.
-descreva a sua tristeza
-tá.
Minha tristeza acho que veio de nascer.
Eu sou muito de outros tempos.
Não queria vir já, agora. Ainda me tenho presa no passado de forma que não consigo me adequar a essa realidade conturbada vivenciada hoje.
-como você vai comparar o tempo de hoje com um outro que você não viveu?
você não pode sentir saudade do que não viveu!!!
-o importante é sentir saudade.
Do que, isso já não importa. A saudade que eu tenho é de tudo que não vivi.De tudo que não existe ou nunca existiu.
A minha tristeza está em sentir coisas que não existem, apenas fazem ser sentidas.
-você vive fantasiando. Viver de fantasia nem sempre é bom,eu que o diga...
-e, se eu não fantasiar, viverei de que?
-você pode fantasiar, mas não viver de fantasia.
- vou viver do trânsito que tá parando a cidade olha o sinal fechado vamos embora logo tô com fome compra pão pra amanhã vou dormir cedo tenho que trabalhar e tem prova vou jantar com amigos oi, saudades, vamos marcar de nos encontrar então tá te ligo oi amor boa noite tchau mãe tô bem as crianças saem às 5h vou passar no médico e pegar seu exame morreu? meus pêsames gostava dela.
vou viver disso?
dessa realidade crua com gosto de asfalto e com cheiro de pasta de dente?
escova de dente.
escova de dente é a marca da rotina, do simples cotidiano.
-mas o cotidiano pode ser tão bonito.
Essa realidade não é crua.O tempero fica por sua conta.
Independente da realidade que você vai se encontrar, ainda sim, você vai ser uma pessoa com sentimentos.
Créditos: Lucas Senna.
-descreva a sua tristeza
-tá.
Minha tristeza acho que veio de nascer.
Eu sou muito de outros tempos.
Não queria vir já, agora. Ainda me tenho presa no passado de forma que não consigo me adequar a essa realidade conturbada vivenciada hoje.
-como você vai comparar o tempo de hoje com um outro que você não viveu?
você não pode sentir saudade do que não viveu!!!
-o importante é sentir saudade.
Do que, isso já não importa. A saudade que eu tenho é de tudo que não vivi.De tudo que não existe ou nunca existiu.
A minha tristeza está em sentir coisas que não existem, apenas fazem ser sentidas.
-você vive fantasiando. Viver de fantasia nem sempre é bom,eu que o diga...
-e, se eu não fantasiar, viverei de que?
-você pode fantasiar, mas não viver de fantasia.
- vou viver do trânsito que tá parando a cidade olha o sinal fechado vamos embora logo tô com fome compra pão pra amanhã vou dormir cedo tenho que trabalhar e tem prova vou jantar com amigos oi, saudades, vamos marcar de nos encontrar então tá te ligo oi amor boa noite tchau mãe tô bem as crianças saem às 5h vou passar no médico e pegar seu exame morreu? meus pêsames gostava dela.
vou viver disso?
dessa realidade crua com gosto de asfalto e com cheiro de pasta de dente?
escova de dente.
escova de dente é a marca da rotina, do simples cotidiano.
-mas o cotidiano pode ser tão bonito.
Essa realidade não é crua.O tempero fica por sua conta.
Independente da realidade que você vai se encontrar, ainda sim, você vai ser uma pessoa com sentimentos.
Créditos: Lucas Senna.
Fui ver se estava na esquina.
Eu tento tanto esquecer o mundo
que, às vezes, ele acaba por esquecer de mim.
De repente, as minhas histórias mirabolantes, cheias de caras e olhos arregalados
não possuem mais força pra nadar na língua e saltar da boca, sempre antes com graça.
De repente, meu corpo torna-se fraco e pálido com a única vontade de deitar onde ninguém possa me encontrar.
As narrativas ficaram lentas demais.
E repete.E um só assunto. E tá prolixo.
Faz-me rir! Hoje vou dormir de Álvares de Azevedo.
que, às vezes, ele acaba por esquecer de mim.
De repente, as minhas histórias mirabolantes, cheias de caras e olhos arregalados
não possuem mais força pra nadar na língua e saltar da boca, sempre antes com graça.
De repente, meu corpo torna-se fraco e pálido com a única vontade de deitar onde ninguém possa me encontrar.
As narrativas ficaram lentas demais.
E repete.E um só assunto. E tá prolixo.
Faz-me rir! Hoje vou dormir de Álvares de Azevedo.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Há filmes que te dão vontade de passar o dedo no céu pra ver se tem gosto de açúcar.
(Uma vez eu bebi sabonete líquido porque vi aquele branco cremoso meio perolado no vidro assim...
A mesma coisa senti olhando aquele bastão de manteiga de cacau. Bege, uma cor tão comível, quase me chamando, parecendo um chocolate branco que se passa na boca de enfeite ou hidratação.
Por último a doce. Ela não tinha aparência atraente mas,ah... na verdade, não me lembro porque resolvi experimentar. A cola Pritt. Só me lembro que não mais consegui parar. Foram uns dois anos de vício. Doce, sobremesa, balinha, assim, depois do lanche da escola.)
Tudo acontece em Elizabethtown parece que veio com dois balões vermelhos de gás hélio, pegou-me pelas mãos quando eu ainda era criança e me levou pra passear num lugar de grama verde.
(Uma vez eu bebi sabonete líquido porque vi aquele branco cremoso meio perolado no vidro assim...
A mesma coisa senti olhando aquele bastão de manteiga de cacau. Bege, uma cor tão comível, quase me chamando, parecendo um chocolate branco que se passa na boca de enfeite ou hidratação.
Por último a doce. Ela não tinha aparência atraente mas,ah... na verdade, não me lembro porque resolvi experimentar. A cola Pritt. Só me lembro que não mais consegui parar. Foram uns dois anos de vício. Doce, sobremesa, balinha, assim, depois do lanche da escola.)
Tudo acontece em Elizabethtown parece que veio com dois balões vermelhos de gás hélio, pegou-me pelas mãos quando eu ainda era criança e me levou pra passear num lugar de grama verde.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
E, então, descobre-se que o que há não é o gosto em ter uma vida pacata de uma cidadezinha qualquer, vida mansa, natureza. Gosta-se mais.
O gostar está em desligar-se.
Está em viver uma vida agitada entre buzinas e fumaças para poder, no fim do dia, parar e olhar as estrelas, respirar fundo. Para, no final de semana, poder viajar pra longe em busca de silêncio.
O silêncio só é reconhecido quando se conhece o barulho.
E, então, descobre-se que há graça.
O prazer é o mudar de freqüência, da agitada pra calma.
Sintonizar do terror pra paz.
A sensação linear de tranqüilidade e paz cansa e não traz o prazer de se alcançar tranqüilidade e paz.
É preciso o grito,
faz-se necessário o berro, o explodir de nervos, a ânsia, o barulho, o cansaço, o estresse.
Faz sentido ter a dor para se conhecer a delícia de não tê-la.
Só se pode ter o prazer de chegar, caso se vá.
O gostar está em desligar-se.
Está em viver uma vida agitada entre buzinas e fumaças para poder, no fim do dia, parar e olhar as estrelas, respirar fundo. Para, no final de semana, poder viajar pra longe em busca de silêncio.
O silêncio só é reconhecido quando se conhece o barulho.
E, então, descobre-se que há graça.
O prazer é o mudar de freqüência, da agitada pra calma.
Sintonizar do terror pra paz.
A sensação linear de tranqüilidade e paz cansa e não traz o prazer de se alcançar tranqüilidade e paz.
É preciso o grito,
faz-se necessário o berro, o explodir de nervos, a ânsia, o barulho, o cansaço, o estresse.
Faz sentido ter a dor para se conhecer a delícia de não tê-la.
Só se pode ter o prazer de chegar, caso se vá.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
"Não sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir... Mas não tem nada, não. Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem - na verdade - a gente é. " Fernanda Mello
sábado, 1 de agosto de 2009
cor terra
Quero que você venha assim mesmo, como no dia em que te vi.
Pé no chão, dançando forró de lado com a trança que deixava as mechas de cabelo saírem do embolado pra beijar seu rosto no meio do xote.
Quero que você venha assim mesmo, vestido de chita, esse sorriso de luz.
Quero te tomar pelos braços assim, te envolver e te proteger de todo o mal do mundo.
Quero levar você no colo pra uma casa de sapê com folha de bananeira no chão
Quero colocar uma rede e me deitar com você pra esquecer o que há de haver pra fora do casulo que criaremos.
Quero te envolver, minha nêga, te fazer feliz.
Só quero um amor sincero com você, prenda minha, só isso, mais nada.
Só quero te ver da cor do chão de terra do nosso nordeste, te colocar uma flor no cabelo e te beijar o rosto rosado, pro resto dos dias, nêga.
Quero uma vida simples com você, feita assim de amor nas panelas, criando criança que corre debaixo das árvores do quintal, ter um cachorro chamado Fubá em uma casa de janelas azuis.
Pé no chão, dançando forró de lado com a trança que deixava as mechas de cabelo saírem do embolado pra beijar seu rosto no meio do xote.
Quero que você venha assim mesmo, vestido de chita, esse sorriso de luz.
Quero te tomar pelos braços assim, te envolver e te proteger de todo o mal do mundo.
Quero levar você no colo pra uma casa de sapê com folha de bananeira no chão
Quero colocar uma rede e me deitar com você pra esquecer o que há de haver pra fora do casulo que criaremos.
Quero te envolver, minha nêga, te fazer feliz.
Só quero um amor sincero com você, prenda minha, só isso, mais nada.
Só quero te ver da cor do chão de terra do nosso nordeste, te colocar uma flor no cabelo e te beijar o rosto rosado, pro resto dos dias, nêga.
Quero uma vida simples com você, feita assim de amor nas panelas, criando criança que corre debaixo das árvores do quintal, ter um cachorro chamado Fubá em uma casa de janelas azuis.
domingo, 26 de julho de 2009
nuvem
A poesia foi dormir amanhecendo, pois ficou entre um whisky e outro discutindo literatura no bar, ali na esquina do sonho com a razão.
Dormindo serena sorrindo simpática de se ver em um lençol de fundo branco decorado por grandes flores, ela acordou perto de meio dia, mas pelo sol de inverno, parecia ser pouco mais de oito.
Acordou com a liberdade fazendo carinho no seu rosto, veio um ventinho de descompromisso que fez cócegas entre seus dedinhos do pé e ela resolveu abrir devagar os olhinhos, espreguiçando ainda.
Hoje a poesia acordou cantando, foi tirada pra dançar e virou música!
Dormindo serena sorrindo simpática de se ver em um lençol de fundo branco decorado por grandes flores, ela acordou perto de meio dia, mas pelo sol de inverno, parecia ser pouco mais de oito.
Acordou com a liberdade fazendo carinho no seu rosto, veio um ventinho de descompromisso que fez cócegas entre seus dedinhos do pé e ela resolveu abrir devagar os olhinhos, espreguiçando ainda.
Hoje a poesia acordou cantando, foi tirada pra dançar e virou música!
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Com quem será?
Eu estou ali, na hora do parabéns
estão todos sorrindo
batendo palmas, cantando para mim
eu estou olhando o bolo bonito, as velas
mas não sei onde colocar as mãos.
estão todos sorrindo
batendo palmas, cantando para mim
eu estou olhando o bolo bonito, as velas
mas não sei onde colocar as mãos.
"e ela tem razão quando vem dizer que eu preciso sim de todo o cuidado
e se eu fosse o primeiro a voltar pra mudar o que eu fiz
quem então agora eu seria?
ahh... tanto faz e o que não foi não é
eu sei que ainda vou voltar
mas eu quem será?
e se eu for o primeiro a prever e poder desistir do que for dar errado
se não sou eu,quem mais vai decidir o que é bom pra mim?
(dispenso a previsão)
se o que eu sou é tambem o que eu escolhi ser
(aceito a condição)
vou levando assim,que o acaso é amigo do meu coração."
Rodrigo Amarante.
e se eu fosse o primeiro a voltar pra mudar o que eu fiz
quem então agora eu seria?
ahh... tanto faz e o que não foi não é
eu sei que ainda vou voltar
mas eu quem será?
e se eu for o primeiro a prever e poder desistir do que for dar errado
se não sou eu,quem mais vai decidir o que é bom pra mim?
(dispenso a previsão)
se o que eu sou é tambem o que eu escolhi ser
(aceito a condição)
vou levando assim,que o acaso é amigo do meu coração."
Rodrigo Amarante.
domingo, 19 de julho de 2009
sexta-feira, 17 de julho de 2009
"Eu era um jovem louro e saudável quando adentrei a baía de Guanabara, errei pelas ruas do Rio de Janeiro e conheci Teresa. Ao ouvir cantar Teresa, caí de amores pelo seu idioma, e após três meses embatucado, senti que tinha a história do alemão na ponta dos dedos. A escrita me saía espontânea, num ritmo que não era o meu, e foi na batata da perna de Teresa que escrevi as primeiras palavras na língua nativa. No princípio ela até gostou, ficou lisonjeada quando eu lhe disse que estava escrevendo um livro nela. Depois deu para ter ciúme, deu para me recusar seu corpo, disse que eu só a procurava a fim de escrever nela, e o livro já ia pelo sétimo capítulo quando ela me abandonou. Sem ela, perdi o fio do novelo, voltei ao prefácio, meu conhecimento da língua regrediu, pensei até em largar tudo e ir embora para Hamburgo. Passava os dias catatônico diante de uma folha de papel em branco, eu tinha me viciado em Teresa. Experimentei escrever alguma coisa em mim mesmo, mas não era tão bom, então fui a Copacabana procurar as putas. Pagava para escrever nelas, e talvez lhes pagasse além do devido, pois elas simulavam orgasmos que me roubavam toda a concentração. Toquei na casa de Teresa, estava casada, chorei, ela me deu a mão, permitiu que eu escrevesse umas breves palavras enquanto o marido não vinha. Passei a assediar as estudantes, que às vezes me deixavam escrever nas suas blusas, depois na dobra do braço, onde sentiam cócegas, depois na saia, nas coxas. E elas mostravam esses escritos às colegas, que muito os apreciavam, e subiam ao meu apartamento e me pediam que escrevesse o livro na cara delas (...)
Foi quando apareceu aquela que se deitou em minha cama e me ensinou a escrever de trás para diante. Zelosa dos meus escritos, só ela os sabia ler, mirando-se no espelho, e de noite apagava o que de dia fora escrito, para que eu jamais cessasse de escrever meu livro nela. E engravidou de mim, e na sua barriga o livro foi ganhando novas formas, e foram dias e noites sem pausa, sem comer um sanduíche, trancado no quartinho da agência, até que eu cunhasse, no limite das forças, a frase final: e a mulher amada, cujo leite eu já sorvera, me fez beber da água com que havia lavado sua blusa."
Budapeste- Chico Buarque
Foi quando apareceu aquela que se deitou em minha cama e me ensinou a escrever de trás para diante. Zelosa dos meus escritos, só ela os sabia ler, mirando-se no espelho, e de noite apagava o que de dia fora escrito, para que eu jamais cessasse de escrever meu livro nela. E engravidou de mim, e na sua barriga o livro foi ganhando novas formas, e foram dias e noites sem pausa, sem comer um sanduíche, trancado no quartinho da agência, até que eu cunhasse, no limite das forças, a frase final: e a mulher amada, cujo leite eu já sorvera, me fez beber da água com que havia lavado sua blusa."
Budapeste- Chico Buarque
Limpe bem a casa que eu vou chegar pro jantar. Você sabe, sempre gostei de sentir cheiro de chão limpo enquanto subia as escadas. Quero que você faça aquela macarronada, porque eu to trazendo um bom vinho. Coloque a toalha de linho branco, os talheres de prata do nosso faqueiro de casamento que a Tia Lourdes deu, os guardanapos de pano e ah, se der, coloque aquele vestido amarelo rodado que tem uma faixa de cabelo para combinar? E os sapatos, aqueles brancos assim de ponta redonda e saltinho. Você sabe, eu sempre te disse que você com essa roupa fica a dona de casa que eu sempre sonhei em ver quando chegasse cansado do trabalho, como hoje.Você fez faxina? Quero que os vidros estejam brilhando, refletindo nossos sorrisos nesse jantar e, coloque umas velas também, para dar aquele clima que você sempre gostava de fazer nos primeiros meses de casamento, não, eu não tô dizendo que achei que fosse ser assim pra sempre mas...trouxe flores, amarelas para combinar com seu vestido!
terça-feira, 14 de julho de 2009
Julho.
Para sempre me lembrarei daquele Julho de 2006.
Que eu esteja com família e filhos pequenos, em julho, eu ainda me lembrarei daquele julho de 2006. Que eu esteja velhinha e com netos rapagões, em julho, eu ainda me lembrarei daquele julho de 2006, mesmo que você já não esteja mais comigo, como estava naquele julho de 2006.
Depois desses anos, eu ainda não consigo descrever o que aconteceu exatamente naquele mês.Na época, lembro-me que eu tentei descrever, escrever, dizer, mas, na verdade, eu acho que nunca conseguirei passar a ninguém como eu me senti.
Posso dizer que fui transportada para um lugar,o mais lindo que se possa existir.Parada na Cidade Maravilhosa, entre buzinas, sol, artistas, praia, shoppings,teatro eu não estava ali.Cheguei ao Rio e encontrei algo como um portal da cor de azul céu mais que belo e ali entrei. Havia música, as minhas preferidas na época, havia explosão de cores, eu e você. Parece tão clichê,porque também havia praia, mas eu juro que não era bem assim.Porque durante aqueles dias que ali fiquei, eu só vivi nesse lugar e não conseguia, em momento algum, desgrudar os olhos daquele portal azul, eu não conseguia me manter ali, na realidade, quando eu via, estava lá.
Eu queria que todos os julhos fossem como o Julho de 2006, eu só queria poder voltar para aquele lugar, assim, sem nem ter que comprar passagem.
Aquele lugar parece me completar, reabastecer minhas energias, é a praia mais bela que há.Não é o Rio de Janeiro, nem Fernando de Noronha, nem Costa do Sauípe, eu não sei o nome do lugar, eu não sei e não preciso saber, por favor, eu só preciso voltar, voltar em todos os meses de Julho da minha vida.
Que eu esteja com família e filhos pequenos, em julho, eu ainda me lembrarei daquele julho de 2006. Que eu esteja velhinha e com netos rapagões, em julho, eu ainda me lembrarei daquele julho de 2006, mesmo que você já não esteja mais comigo, como estava naquele julho de 2006.
Depois desses anos, eu ainda não consigo descrever o que aconteceu exatamente naquele mês.Na época, lembro-me que eu tentei descrever, escrever, dizer, mas, na verdade, eu acho que nunca conseguirei passar a ninguém como eu me senti.
Posso dizer que fui transportada para um lugar,o mais lindo que se possa existir.Parada na Cidade Maravilhosa, entre buzinas, sol, artistas, praia, shoppings,teatro eu não estava ali.Cheguei ao Rio e encontrei algo como um portal da cor de azul céu mais que belo e ali entrei. Havia música, as minhas preferidas na época, havia explosão de cores, eu e você. Parece tão clichê,porque também havia praia, mas eu juro que não era bem assim.Porque durante aqueles dias que ali fiquei, eu só vivi nesse lugar e não conseguia, em momento algum, desgrudar os olhos daquele portal azul, eu não conseguia me manter ali, na realidade, quando eu via, estava lá.
Eu queria que todos os julhos fossem como o Julho de 2006, eu só queria poder voltar para aquele lugar, assim, sem nem ter que comprar passagem.
Aquele lugar parece me completar, reabastecer minhas energias, é a praia mais bela que há.Não é o Rio de Janeiro, nem Fernando de Noronha, nem Costa do Sauípe, eu não sei o nome do lugar, eu não sei e não preciso saber, por favor, eu só preciso voltar, voltar em todos os meses de Julho da minha vida.
domingo, 12 de julho de 2009
pedido.
Andamos 2km olhando para o céu.
Fizemos poemas pra estrela que, como nós, estava solitária no céu, ao lado da lua.
Solitária, ainda brilhava. Lindamente.
Andamos 2km olhando para o céu.
Exaltamos nossa juventude, os beijos dos minutos anteriores, os casos mais sérios, os desesperos, as dores, a política.
Amanhecia.
Cantamos cazuza e andamos 2km olhando para o céu.
Meu sonho na vida, assim, quando eu crescer, é ser completamente louca!
"Minha terra tem palmeiras, onde canta o pica-pau.
Não permita Deus que eu morra sem que eu volte pra Rural" , por favor.
Fizemos poemas pra estrela que, como nós, estava solitária no céu, ao lado da lua.
Solitária, ainda brilhava. Lindamente.
Andamos 2km olhando para o céu.
Exaltamos nossa juventude, os beijos dos minutos anteriores, os casos mais sérios, os desesperos, as dores, a política.
Amanhecia.
Cantamos cazuza e andamos 2km olhando para o céu.
Meu sonho na vida, assim, quando eu crescer, é ser completamente louca!
"Minha terra tem palmeiras, onde canta o pica-pau.
Não permita Deus que eu morra sem que eu volte pra Rural" , por favor.
sábado, 11 de julho de 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009
A mulher nunca havia se apaixonado, não se orgulhava disso, mas não deixava
de ser deliciosamente desafiador.
16:37, tarde de inverno. Céu azul, sol, dia
de semana normal. Seria, não fosse o que iria ocorrer na vida da
mulher.
Marina subiu para a cobertura do prédio mais alto da pequena cidade
que morava, ligou a música e ficou a observar.
O sol estatelando na cara e no
corpo dela, o samba de Jorge Ben que tocava em seus ouvidos. A cidade.
A
cidade seguia no seu ritmo normal, mas com a música, ela sambava também.
Os
carros sambavam no viaduto. Dona Teresa passava com sacolas de compras.sambando.
O andar de Luciana, a vizinha mais chata de Marina, tornou-se mais leve, porque
Luciana sambava enquanto reclamava com os homens do lavador de carros. E Marina
ria, ria insuportavelmente feliz de toda a situação.Quando viu, também sambava.
E imaginava ser cada mulher da Pavuna Terezinha Denize rei de Jorge vestida
todinha de rosa ou de branco a girar que maravilha. Foi quando viu sua sombra na
parede, sambando, os cabelos cacheados rodando com o ritmo da música, pés
descalços, vestido engolindo o corpo de malemolência de Marina e, de repente a
mulher parou.
Sentiu dentro de si com o calor delicioso do sol na cara e no
corpo um sentimento nunca antes experimentado. Uma vontade de dar a mão para
aquela sombra e ir pra qualquer lugar que tivesse um céu azul, mais nada. Uma
vontade de dar a mão para aquela sombra e pular de um penhasco morrendo de rir.
Marina havia se apaixonado pela primeira vez.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Vovó e Vovô passeiam
Vovó e Vovô passeiam
Dão nome a pequenina cidade que tem
praça sorvete
igreja jardim
Vovô contou para Vovó de quando viu aquela casa ser
construída
Vovó disse que já não suporta mais tanta repetição
Na vida
social de vovô e vovó
Caminhada cedinho café da manhã sem doce para vovó
diabética
Ele gulosinho que gosta de comer doces
Almoço quentinho fumaça
que sobe da panela é casa de vó de cabelos branquinhos com biscoito
amanteigado
Soninho da tarde roncos adoráveis
Mais de 60 anos de
ouvido
Vovó e Vovô passeiam
Caminhada da tarde. Ele conta que saltou de um bonde carioca para que ela o visse e quebrou o braço . Fratura de amor. Ele conta que seu pai lhe disse que ele estava se embriagando no primeiro gole de primeira namorada hoje sua mulher há 60 anos de ouvido de ronquinhos no final da tarde de passeio pelos paralelepípedos que parecem contar histórias. Histórias de Vovô e Vovó.
Eles não sabem, mas eu conto o segredo que não podem ver:
no peito de cada um,assim, embaixo dos panos de camisa, pulsando no
coração, há um porta jóias lindo, daquele que se carrega com a foto do
amado,antigo, em forma de coração brocado em dourado prata e pedras preciosas.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Meus oito anos
(em 2050)
Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Livre filho no playground,
quando a babá vinha
atrás de minhas pequenas travessuras.-Eu nem me sujava!
Naqueles tempos ditosos
ia colher meus jogos de videogame
trepava na cadeira do computador para fazer meu orkut
brincava no MSN
Naquelas tardes fagueiras,
Sem nenhuma bananeira
(Porque banana nasce no supermercado.)
De frente pra tela da televisão.
Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Oh dias de minha infância,
Oh meu céu de apartamento !
50'
Pegou na minha mão de leve quando senti cheiro de flor
Daquela que tem uma cara assim de
botão de rosa chá
Que jeito de boneca é esse?
Tem cílios de Emília
Cabelos curtos pretos lisos anos 50
A mulher que parece uma menina perdida no ano 2000 ia tomando seu capuccino e falando frases que eu não conseguir entender
o som tava bloqueado no ambiente.
Bloqueado pelo cheiro que vinha dela
Eu só via a boca se mexendo em expressões de cara de quem triste e vem desilusão.
Um sorriso.
porque a mulher que pode ser tão romântica ao portar pérolas muito antes de qualquer mulher acredita .
Acredita em flor, amor e outras rimas.
.
Daquela que tem uma cara assim de
botão de rosa chá
Que jeito de boneca é esse?
Tem cílios de Emília
Cabelos curtos pretos lisos anos 50
A mulher que parece uma menina perdida no ano 2000 ia tomando seu capuccino e falando frases que eu não conseguir entender
o som tava bloqueado no ambiente.
Bloqueado pelo cheiro que vinha dela
Eu só via a boca se mexendo em expressões de cara de quem triste e vem desilusão.
Um sorriso.
porque a mulher que pode ser tão romântica ao portar pérolas muito antes de qualquer mulher acredita .
Acredita em flor, amor e outras rimas.
.
.
A história costuma se repetir.
Julieta e Isolda.
Imperadores. Golpes militares.Ditaduras. Revoluções.
Eu não sei se chegam a ser
tão fielmente parecidos, mas
A história costuma se repetir.
O que vale é que, quando Romeu achar Julieta morta, saberá que ela não estará, na verdade,morta porque
A história costuma se repetir.
Então ganha a graça, porque Romeu só vai se matar,
novamente,
se quiser.
No silogismo brilhante:
A história costuma se repetir.
( se você quiser.)
.
A história costuma se repetir.
Julieta e Isolda.
Imperadores. Golpes militares.Ditaduras. Revoluções.
Eu não sei se chegam a ser
tão fielmente parecidos, mas
A história costuma se repetir.
O que vale é que, quando Romeu achar Julieta morta, saberá que ela não estará, na verdade,morta porque
A história costuma se repetir.
Então ganha a graça, porque Romeu só vai se matar,
novamente,
se quiser.
No silogismo brilhante:
A história costuma se repetir.
( se você quiser.)
.
sábado, 4 de julho de 2009
Biscoito expresso.
Tô contemporânea cheirando a café.
Tô querendo um chá pra discutir
filosofia.
Encanta-me a capacidade lingüística dos nobres de
eloqüência
além da forma como se expressam
(d i c ç ã o )
ao abrir
bocas cheias de dentes e
são tão filósofos.
são tão atores.
Quero esse mundo pra mim.
Terra deles tem som de aplausos.
O problema é que eu já cansei. Eu canso rápido. Intensa na maneira de viver, eu já vivi dois séculos e você ainda tá falando a mesma coisa que eu já mudei de assunto há 10 segundos. Vamos pra outra, meu bem. Senta aqui toma uma dose comigo acende um cigarro dá uma relaxada. Mas não vem de papo brabo. É que eu to cansada.Não, não há tristeza, sem drama. Só me permito tristeza em Paris, ouvindo Piaf.O resto que sinto é misto de raivinha que me impulsiona a viver e a rir, gargalhar.Mas eu não ligo mais, de jeito nenhum, pra essas caras tristes fingindo que a gente não existe. Eu to me sentindo bem aqui.Mais uma dose!Ela tá chorando porque as amigas que usam grife fingiram que não a viram e eu a convidei para bailar muito, aprendi com a vida!E se você passar na rua e não me olhar, eu também não te vi, juro! Sou míope!Faz o favor de não falar muito, não me procurar muito, cada um pro seu lado e, quando a gente se encontrar, eu limito o tempo do beijo, se eu quiser beijar.Não fica me ligando,tá? Vamos jogar nossos celulares do penhasco e depois morrer (de rir) e continuar vivendo com um brinde! Não me manda mensagens românticas, coisa de dar boa noite. Mais uma dose!Não me cobra horário nem visita nem ligação nem sorriso nem cara bonita nem magrelices, se você puder então, não abra mais a boca...Seria perfeito, mas ninguém o é,... logo, mais uma dose!
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Dois cafés e a conta por. Zé
-tá, senta aí, pede o nosso café, acendeu teu cigarro que eu vou te contar a história.
-sim.
-Pra resumir, eu me apresentei como Marina. Papo vai, papo foi, papo vem e vai. "é que... na verdade, eu não me chamo Marina..." E ele disse "Eu sei, você é irmã do Pedro, mas se parece mais com seu irmão mais velho que esqueci o nome e eu tava vendo até que horas você ia manter essa história escrota..."
-HAHAHAHAHAHAHAAHAHA, que ótimo, minha cara!
-é, ri mesmo, eu também morri de rir, acredite!
-ótimo. Mas não pare com isso, imagina se todos soubessem meu nome de verdade? E meu nome da poesia?
- Desde então não minto nomes. Mentira. Menti sim, mas isso é verdade.
-É melhor ficar com esse rótulo descartável. Eu minto. Você mente. Sabe a razão?
-qual?
-a gente mente quase sempre, porque a gente escreve e pensa que é poeta, poetisa.
E então, quando a gente, que se imagina poeta, sabe que o outro tem a mesma capacidade de imaginar e perceber as coisas como a gente,a gente tende a omitir, pra não mentir...
porque mentir pra quem pensa como você é burrice.
A outra pessoa sempre desconfia que acha que conhece a verdade por trás dos olhos.
Quem escreve, pelo menos eu, não gosta de ficar falando quando quer ser entendido...
Se fosse pra ser assim eu seria metido a ator,mas eu sou metido a poeta.
E eu imagino que as pessoas, assim como eu,entendam que eu precise silabar meus pensamentos.
-Mais um café, por favor! Mais um café pro mês que vem. Mês de Agosto, Agosto dos Deuses.
-sim.
-Pra resumir, eu me apresentei como Marina. Papo vai, papo foi, papo vem e vai. "é que... na verdade, eu não me chamo Marina..." E ele disse "Eu sei, você é irmã do Pedro, mas se parece mais com seu irmão mais velho que esqueci o nome e eu tava vendo até que horas você ia manter essa história escrota..."
-HAHAHAHAHAHAHAAHAHA, que ótimo, minha cara!
-é, ri mesmo, eu também morri de rir, acredite!
-ótimo. Mas não pare com isso, imagina se todos soubessem meu nome de verdade? E meu nome da poesia?
- Desde então não minto nomes. Mentira. Menti sim, mas isso é verdade.
-É melhor ficar com esse rótulo descartável. Eu minto. Você mente. Sabe a razão?
-qual?
-a gente mente quase sempre, porque a gente escreve e pensa que é poeta, poetisa.
E então, quando a gente, que se imagina poeta, sabe que o outro tem a mesma capacidade de imaginar e perceber as coisas como a gente,a gente tende a omitir, pra não mentir...
porque mentir pra quem pensa como você é burrice.
A outra pessoa sempre desconfia que acha que conhece a verdade por trás dos olhos.
Quem escreve, pelo menos eu, não gosta de ficar falando quando quer ser entendido...
Se fosse pra ser assim eu seria metido a ator,mas eu sou metido a poeta.
E eu imagino que as pessoas, assim como eu,entendam que eu precise silabar meus pensamentos.
-Mais um café, por favor! Mais um café pro mês que vem. Mês de Agosto, Agosto dos Deuses.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
De quina.
"Eu vejo que aprendi
O quanto te ensinei
...
Não há por que voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez.
O que fazes sem pensar, aprendeste do olhar
e das palavras que eu guardei pra ti
Não penso em me vingar,não sou assim.
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso,vale mais o coração!
Já que não me entendes, não me julgues,não me tentes!
O que sabes fazer agora,
veio tudo de nossas horas
eu não minto, eu não sou assim.
Ninguém sabia e ninguém viu,que eu estava a teu lado então.
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha, minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor ..."
Renato Russo
.
O quanto te ensinei
...
Não há por que voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez.
O que fazes sem pensar, aprendeste do olhar
e das palavras que eu guardei pra ti
Não penso em me vingar,não sou assim.
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso,vale mais o coração!
Já que não me entendes, não me julgues,não me tentes!
O que sabes fazer agora,
veio tudo de nossas horas
eu não minto, eu não sou assim.
Ninguém sabia e ninguém viu,que eu estava a teu lado então.
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha, minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor ..."
Renato Russo
.
domingo, 28 de junho de 2009
codinome X.
E, de repente, eu venero cada soluçar do meu choro.
Eu idolatro cada lágrima.
A dor insuportável que surge no meu peito é a mesma que me consola.
Era disso que eu precisava para voltar a crer.
O desespero é o que vem me acalmar.
Que deliciosa dor de amor que posso sentir.
Eu não sei o que aconteceu, mas quando vi, eu estava aos prantos.
Eu já sabia que amor só era bom quando doía, agora senti isso na pele,
Como ferro quente me marcando.
Ah, obrigada por me sentir Álvares de Azevedo.
Obrigada por ter uma dor de amor invadindo o meu peito e me fazendo chorar.
É possível.
Eu não sei se você vai entender, mas é que não é possível viver de passado.
Não se pode ficar revirando pelo estômago cenas e carinhos passados como se fossem de agora, não carece, não faz bem.
É possível que eu tenha acabado de entrar para a geração do Lord Byron, que eu passe a acreditar que eu não precise ser amada, mas que eu apenas ame.
Ame de verdade, da forma mais sublime e pura que possa haver de amar.
O choro traz a esperança para quem um dia acreditou que só vale passar nessa vida, caso se ame e, que agora, vê que é possível voltar.
Eu idolatro cada lágrima.
A dor insuportável que surge no meu peito é a mesma que me consola.
Era disso que eu precisava para voltar a crer.
O desespero é o que vem me acalmar.
Que deliciosa dor de amor que posso sentir.
Eu não sei o que aconteceu, mas quando vi, eu estava aos prantos.
Eu já sabia que amor só era bom quando doía, agora senti isso na pele,
Como ferro quente me marcando.
Ah, obrigada por me sentir Álvares de Azevedo.
Obrigada por ter uma dor de amor invadindo o meu peito e me fazendo chorar.
É possível.
Eu não sei se você vai entender, mas é que não é possível viver de passado.
Não se pode ficar revirando pelo estômago cenas e carinhos passados como se fossem de agora, não carece, não faz bem.
É possível que eu tenha acabado de entrar para a geração do Lord Byron, que eu passe a acreditar que eu não precise ser amada, mas que eu apenas ame.
Ame de verdade, da forma mais sublime e pura que possa haver de amar.
O choro traz a esperança para quem um dia acreditou que só vale passar nessa vida, caso se ame e, que agora, vê que é possível voltar.
O furto
Quando todos se retiraram da sala, a mulher foi em direção a uma penteadeira onde se encontrava o buquê de rosas vermelhas que a outra havia recebido.
Foi andando lentamente, como que olhando para os lados.Era o seu maior crime e a possibilidade de ser encontrada na cena dele a excitava.
Quando chegou e ficou de frente para a flor mais bonita, era como se tivesse cruzado a linha de chegada, agora faltaria pouco para tomar o objeto de desejo pelas mãos.
Pegou.
E no momento que pegou, sentiu seu coração ser maior que seu corpo e ouviu o único barulho do lugar ser sua pulsação. Ela não conseguia mais se mexer porque todo o seu corpo estava ocupado em bombear seu sangue que o coração já não dava mais conta de viver para outra coisa.
Seu sangue de ladra, ladra de flores, ladra de rosa.
Cheirou com todo o olfato que um ser humano é capaz de ter. Cheirou fundo o perfume da flor que o homem tinha dado pra mulher.
Esmagou, espremeu a flor mais bonita do buquê nas mãos e depois
comeu.
comeu até o talo e os espinhos, que era para cada um deles cortar sua garganta,
garganta de ladra de rosas.
Foi andando lentamente, como que olhando para os lados.Era o seu maior crime e a possibilidade de ser encontrada na cena dele a excitava.
Quando chegou e ficou de frente para a flor mais bonita, era como se tivesse cruzado a linha de chegada, agora faltaria pouco para tomar o objeto de desejo pelas mãos.
Pegou.
E no momento que pegou, sentiu seu coração ser maior que seu corpo e ouviu o único barulho do lugar ser sua pulsação. Ela não conseguia mais se mexer porque todo o seu corpo estava ocupado em bombear seu sangue que o coração já não dava mais conta de viver para outra coisa.
Seu sangue de ladra, ladra de flores, ladra de rosa.
Cheirou com todo o olfato que um ser humano é capaz de ter. Cheirou fundo o perfume da flor que o homem tinha dado pra mulher.
Esmagou, espremeu a flor mais bonita do buquê nas mãos e depois
comeu.
comeu até o talo e os espinhos, que era para cada um deles cortar sua garganta,
garganta de ladra de rosas.
sábado, 27 de junho de 2009
Isabela e sua péssima mania.
Quando percebi, tinham três dobras em minha testa, entre as sobrancelhas.
Meus olhos se embaçaram que eu não conseguia mais ver a nitidez pela janela do ônibus.
Meu peito se apertou e eu senti a corda em meu pescoço.
A corda.
A corda da contagem regressiva.
A contagem regressiva tem me atormentado os dias.
De repente,surge em mim a vontade de fazer tudo o que não fiz nesse tempo que tive.
O tempo está acabando e eu começo a ver as belezas do caminho que passei e não vi.
O problema todo começa pela minha estranha mania.
A minha estranha mania de me adaptar.
Eu sempre me adapto e , aquela história que tinha tudo pra ser ruim, fazer-me chorar até querer ir embora, faz-me sair sorrindo, feliz e pedindo bis.
Eu tenho a insuportável mania de ver o lado bom das coisas.
A situação começa ruim, insuportável, eu não deixo de reclamar.
Conforme vai passando, vou me acostumando de tal forma a passar a amar o que está acontecendo. Em minha tela mental, passam os momentos mais bonitos com trilha sonora e eu não tenho mais vontade de sair daquela que era a pior situação dos mundos.
Como a vida adora brincar comigo (e eu também adoro isso, porque sempre dou risada no fim), quando eu estou, finalmente, bem naquela situação que era das piores, ela vai e me sugere uma nova opção, ou melhor, a mais sonhada das opções.
Diga-me a razão da festa sempre ficar muito boa na hora de ir embora?
Abro espaço pra dizer que eu não suporto o tom cotidiano que esse blog tem tomado, mas você não lê e ninguém lê, então... que me deixe escrever pra tentar me entender, antes que eu desista.
Eu não vou sofrer tanto assim, não vou deixar a contagem regressiva me estrangular.
Vou levantar da rede, tirar os sapatos e sair pra correr.
Chegando lá, eu dou a mão pro destino e a gente pula numa poça d'água pra se sujar
deliciosamente.
Meus olhos se embaçaram que eu não conseguia mais ver a nitidez pela janela do ônibus.
Meu peito se apertou e eu senti a corda em meu pescoço.
A corda.
A corda da contagem regressiva.
A contagem regressiva tem me atormentado os dias.
De repente,surge em mim a vontade de fazer tudo o que não fiz nesse tempo que tive.
O tempo está acabando e eu começo a ver as belezas do caminho que passei e não vi.
O problema todo começa pela minha estranha mania.
A minha estranha mania de me adaptar.
Eu sempre me adapto e , aquela história que tinha tudo pra ser ruim, fazer-me chorar até querer ir embora, faz-me sair sorrindo, feliz e pedindo bis.
Eu tenho a insuportável mania de ver o lado bom das coisas.
A situação começa ruim, insuportável, eu não deixo de reclamar.
Conforme vai passando, vou me acostumando de tal forma a passar a amar o que está acontecendo. Em minha tela mental, passam os momentos mais bonitos com trilha sonora e eu não tenho mais vontade de sair daquela que era a pior situação dos mundos.
Como a vida adora brincar comigo (e eu também adoro isso, porque sempre dou risada no fim), quando eu estou, finalmente, bem naquela situação que era das piores, ela vai e me sugere uma nova opção, ou melhor, a mais sonhada das opções.
Diga-me a razão da festa sempre ficar muito boa na hora de ir embora?
Abro espaço pra dizer que eu não suporto o tom cotidiano que esse blog tem tomado, mas você não lê e ninguém lê, então... que me deixe escrever pra tentar me entender, antes que eu desista.
Eu não vou sofrer tanto assim, não vou deixar a contagem regressiva me estrangular.
Vou levantar da rede, tirar os sapatos e sair pra correr.
Chegando lá, eu dou a mão pro destino e a gente pula numa poça d'água pra se sujar
deliciosamente.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Blues
Em um papel de pão dormido rasgado riscado por uma bic azul:
Marcos,
Meus olhos de onça
não estão mais com paciência pra gente mimada.
Minhas garras pintadas de vermelho 40 graus
não estão mais com saco pra ouvir criança chorando por amor.
Tô sem saco pra falação,
preferia quando a gente começava a rir da tragédia
e depois se beijava com gosto de devorar.
É bom que o mundo entenda de uma vez por todas que eu não sou de ninguém.
E, talvez, nunca serei.
Sou minha, só minha.
O que eu faço com você é poesia pra driblar o tédio.
Não me ligue quando acordar!
Carmem.
.
Marcos,
Meus olhos de onça
não estão mais com paciência pra gente mimada.
Minhas garras pintadas de vermelho 40 graus
não estão mais com saco pra ouvir criança chorando por amor.
Tô sem saco pra falação,
preferia quando a gente começava a rir da tragédia
e depois se beijava com gosto de devorar.
É bom que o mundo entenda de uma vez por todas que eu não sou de ninguém.
E, talvez, nunca serei.
Sou minha, só minha.
O que eu faço com você é poesia pra driblar o tédio.
Não me ligue quando acordar!
Carmem.
.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
A menina e o mar
Como um marinheiro que chega ao porto,
Ele veio, mesmo sem tatuagem
E usou.
Usou. Abusou do afeto, do apreço.
Iludiu, seduziu.
Chamou de preta, cheirou o cangote
Como um marinheiro, ele a engravidou de esperanças.
Mas para o cara que chega ao porto, era só uma brincadeira
Era só um recreio no meio de uma longa viagem no mar.
Era só um intervalo
Uma hora de brincar.
Agora ela ficaria ali esperando parada pregada na pedra do porto (e viva Chico!)
Como um brinquedo. Usado.
Menina, há mais coisas belas no mar do que marinheiros!
..
Ele veio, mesmo sem tatuagem
E usou.
Usou. Abusou do afeto, do apreço.
Iludiu, seduziu.
Chamou de preta, cheirou o cangote
Como um marinheiro, ele a engravidou de esperanças.
Mas para o cara que chega ao porto, era só uma brincadeira
Era só um recreio no meio de uma longa viagem no mar.
Era só um intervalo
Uma hora de brincar.
Agora ela ficaria ali esperando parada pregada na pedra do porto (e viva Chico!)
Como um brinquedo. Usado.
Menina, há mais coisas belas no mar do que marinheiros!
..
sábado, 20 de junho de 2009
sabor de fruta mordida
Me dê a mão e se apaixone por mim.
Venha cá que eu te darei um sorriso leve pro seu coração ficar quente de sol.
Eu sou dona menina do meu samba
Eu pareço ter um universo só meu
ter meu mundo colorido que você pode entrar, se quiser.
Me dê a mão, esse mundo não é tão irreal.
Vou cantar uma melodia lenta pra te hipnotizar. devagar.
Por vezes sou tão desprezível
Por outras, sou tão encantadora
A água desce do rio cristalina e nós vamos mergulhar nesse mundo
Beber da água.
Olha minha cara,
eu tenho um melhor e um pior.
Vamos dançar lentamente.
Me retrate, me desenhe, me estude geograficamente. não ligue pra ênclise.
Vem cá, não tenha medo.
Venha com pés de lã, com cuidado, para não se perder no meu universo.
Venha cá que eu te darei um sorriso leve pro seu coração ficar quente de sol.
Eu sou dona menina do meu samba
Eu pareço ter um universo só meu
ter meu mundo colorido que você pode entrar, se quiser.
Me dê a mão, esse mundo não é tão irreal.
Vou cantar uma melodia lenta pra te hipnotizar. devagar.
Por vezes sou tão desprezível
Por outras, sou tão encantadora
A água desce do rio cristalina e nós vamos mergulhar nesse mundo
Beber da água.
Olha minha cara,
eu tenho um melhor e um pior.
Vamos dançar lentamente.
Me retrate, me desenhe, me estude geograficamente. não ligue pra ênclise.
Vem cá, não tenha medo.
Venha com pés de lã, com cuidado, para não se perder no meu universo.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
pressão atmosférica
Gotas de suor começaram a cair do teto de sua cabeça.
Havia um desespero no ar, um ar abafado.
Ela sentia dentro de si um peso.Uma angústia no peito, uma dor.
Achava que pudesse ser um desses pressentimentos que avó sempre lhe fala que sente.
Pensava em toda a sua vida,
em tudo que ainda iria passar e
procurava motivo para aquele sentimento estranho...
Foi quando sentiu uma força subindo,
como um soco do estômago que atingiria seu queixo.
o aquilo, o peso, iria sair de dentro dela, como um filho.
Arrotou.
E voltou a se sentir leve, sem nenhuma bobeira de premonição de algo ruim.
Gargalhou que dava pra ver suas amígdalas.
Leve.
Havia um desespero no ar, um ar abafado.
Ela sentia dentro de si um peso.Uma angústia no peito, uma dor.
Achava que pudesse ser um desses pressentimentos que avó sempre lhe fala que sente.
Pensava em toda a sua vida,
em tudo que ainda iria passar e
procurava motivo para aquele sentimento estranho...
Foi quando sentiu uma força subindo,
como um soco do estômago que atingiria seu queixo.
o aquilo, o peso, iria sair de dentro dela, como um filho.
Arrotou.
E voltou a se sentir leve, sem nenhuma bobeira de premonição de algo ruim.
Gargalhou que dava pra ver suas amígdalas.
Leve.
sábado, 13 de junho de 2009
gradicida,
Isa sai do acento no meio da sala.
Para num ponto e vira.
A Isa exclama sem nenhuma palavra...
Sorrindo sobre o ponto e virgulas.
por Peter Zoster - http://www.peterzoster.blogspot.com/
Para num ponto e vira.
A Isa exclama sem nenhuma palavra...
Sorrindo sobre o ponto e virgulas.
por Peter Zoster - http://www.peterzoster.blogspot.com/
ô minha frô,
Ei, pare de querer guiar a vida,nêga.
De querer limitá-la, mania de organizar,
planejar cada viver,cuidar anteriormente de cada choro.
planejar meticulosamente a freqüência de cada gargalhada.
Ei, você, minha flor...deixa a vida se viver sozinha, não a pressione tanto, vá...
Deixa a vida andar descalça, sem se preocupar se vai sujar os pés
Deixa a vida se viver.
Deixa que ela se leva, não se planeja, vive o que acontece.
Deixa que ela come quando tiver fome. dorme quando tiver sono.
Deixa que ela faz o que tiver vontade, quando tiver vontade.
sem planos.
sem ter que comer pipoca só depois que começar o filme
Deixa a vida sorrir de leve
andar devagar, sem pressa
comer saboreando e ouvindo a sua música preferida!
De querer limitá-la, mania de organizar,
planejar cada viver,cuidar anteriormente de cada choro.
planejar meticulosamente a freqüência de cada gargalhada.
Ei, você, minha flor...deixa a vida se viver sozinha, não a pressione tanto, vá...
Deixa a vida andar descalça, sem se preocupar se vai sujar os pés
Deixa a vida se viver.
Deixa que ela se leva, não se planeja, vive o que acontece.
Deixa que ela come quando tiver fome. dorme quando tiver sono.
Deixa que ela faz o que tiver vontade, quando tiver vontade.
sem planos.
sem ter que comer pipoca só depois que começar o filme
Deixa a vida sorrir de leve
andar devagar, sem pressa
comer saboreando e ouvindo a sua música preferida!
Sol quente.
Foi que perguntaram pra menina:
-E você, garota, o que tu mais gosta de fazer na vida?
-De Rir. Rir até fechar os olhinhos.
E a menina danou-se a rir...
...porque o riso é o sol que todo mundo tem a oportunidade de fazer nascer!
.
-E você, garota, o que tu mais gosta de fazer na vida?
-De Rir. Rir até fechar os olhinhos.
E a menina danou-se a rir...
...porque o riso é o sol que todo mundo tem a oportunidade de fazer nascer!
.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
samba.
O samba parecia morar naquele corpo.
Curvilíneo, se fazia em um grande tobogã do prazer ao rebolar
toda a malemolência morava ali
Era o samba em sua forma viva, com nome, dois seios, ancas largas e pele mulata.
Era Rita Baiana.
Era quem fosse que seria que seja que vá ser que foi ela
Tinha seus
pés de casca branca de lavar a roupa nas pedras do rio descalços naquele terreiro gostoso,
os pés esfregavam a terra,
levantando poeira que subia por entre aquelas pernas negras se misturando a chita da saia da preta.
E eu, homem feito, pai de família, olhava aquela cena transtornado.
Eu estava vendo o samba, minha gente, em pele, osso e carne, quanto carne!
No meio de tanta moleza de corpo, de jeito, de ginga, de roda, de bola
havia um sorriso branquíssimo no centro daquela pele negra e uns cabelos que se deixavam cair em cachos.
Mas dessa parte da Rita eu não me lembro não, tava hipnotizado
pela roda da saia que roda e levanta a terra que sobe pra beijar as pernas que eu não posso beijar.
Curvilíneo, se fazia em um grande tobogã do prazer ao rebolar
toda a malemolência morava ali
Era o samba em sua forma viva, com nome, dois seios, ancas largas e pele mulata.
Era Rita Baiana.
Era quem fosse que seria que seja que vá ser que foi ela
Tinha seus
pés de casca branca de lavar a roupa nas pedras do rio descalços naquele terreiro gostoso,
os pés esfregavam a terra,
levantando poeira que subia por entre aquelas pernas negras se misturando a chita da saia da preta.
E eu, homem feito, pai de família, olhava aquela cena transtornado.
Eu estava vendo o samba, minha gente, em pele, osso e carne, quanto carne!
No meio de tanta moleza de corpo, de jeito, de ginga, de roda, de bola
havia um sorriso branquíssimo no centro daquela pele negra e uns cabelos que se deixavam cair em cachos.
Mas dessa parte da Rita eu não me lembro não, tava hipnotizado
pela roda da saia que roda e levanta a terra que sobe pra beijar as pernas que eu não posso beijar.
comédia romântica.
Não se conheciam.
Não sabiam nome, data, nada.
só gravaram. gravaram cada detalhe do outro.
E os olhares.que se cruzavam em um ambiente tão pouco propício pra sentir o que sentiam.
O que os olhos sentiam.o que as bocas pediam.
É que quando tem que acontecer, quando é pra fazer história, ela se faz.
Acontece o encontro, o acaso, o desejo.
É como se a vida se encarregasse dos encontros. e dos desencontros.
Eles se olhavam e por se olhar já sabiam tudo um do outro.
Como se sem uma palavra adivinhassem a cor preferida e o tamanho do pé.
Mas eu já deixei de ser romântica desde que nasci.
não vai ser depois de velha que vou passar a acreditar em...amor a primeira vista, vai...
Não sabiam nome, data, nada.
só gravaram. gravaram cada detalhe do outro.
E os olhares.que se cruzavam em um ambiente tão pouco propício pra sentir o que sentiam.
O que os olhos sentiam.o que as bocas pediam.
É que quando tem que acontecer, quando é pra fazer história, ela se faz.
Acontece o encontro, o acaso, o desejo.
É como se a vida se encarregasse dos encontros. e dos desencontros.
Eles se olhavam e por se olhar já sabiam tudo um do outro.
Como se sem uma palavra adivinhassem a cor preferida e o tamanho do pé.
Mas eu já deixei de ser romântica desde que nasci.
não vai ser depois de velha que vou passar a acreditar em...amor a primeira vista, vai...
domingo, 7 de junho de 2009
terça-feira, 2 de junho de 2009
.
Sou aquela que se envolve em uma noite e odeia que liguem no dia seguinte.
Aquela que não quer se casar pra morar com um labrador e adotar uma criança e quer passar os finais de semana em família como um comercial de margarina.
Sou aquela que gosta muito de carinho na cabeça e que odeia quando ele começa a embolar seu cabelo.
Aquela que gosta de beijos intermináveis e que tem ânsia de vômito com tantos beijos um atrás do outro.
Sou aquela que não está nem aí pra ele e que se contorce de ciúmes dele.
Aquela que odeia romantismo e sonha em ganhar uma música no violão acompanhada de qualquer flor roubada do jardim do vizinho.
Tô querendo muito morrer de amor e continuar vivendo, me apaixonar loucamente e cometer loucuras, chorar à noite baixinho porque ele não disse ainda que me ama, ligar pra dar bom dia,ouvir uma música bonita e suspirar, tô querendo me pegar sorrindo do nada, não conseguir parar de pensar nele e contar os dias pra encontrar.será que ele me ama?
Tô querendo muito sair no final de semana, me envolver por uma noite, ficar, conversar e não passar disso. Tô contando os dias pra sair com as minhas amigas solteiras, beber e dançar até de manhã.Voltaremos mortas pra casa, acordar tarde no dia seguinte pra debochar das loucuras da bebida.Tô querendo ampliar minha rede de "amigos", pintar as unhas de vermelho, colocar um salto alto, pro meu celular não parar de tocar no domingo.
Aquela que não quer se casar pra morar com um labrador e adotar uma criança e quer passar os finais de semana em família como um comercial de margarina.
Sou aquela que gosta muito de carinho na cabeça e que odeia quando ele começa a embolar seu cabelo.
Aquela que gosta de beijos intermináveis e que tem ânsia de vômito com tantos beijos um atrás do outro.
Sou aquela que não está nem aí pra ele e que se contorce de ciúmes dele.
Aquela que odeia romantismo e sonha em ganhar uma música no violão acompanhada de qualquer flor roubada do jardim do vizinho.
Tô querendo muito morrer de amor e continuar vivendo, me apaixonar loucamente e cometer loucuras, chorar à noite baixinho porque ele não disse ainda que me ama, ligar pra dar bom dia,ouvir uma música bonita e suspirar, tô querendo me pegar sorrindo do nada, não conseguir parar de pensar nele e contar os dias pra encontrar.será que ele me ama?
Tô querendo muito sair no final de semana, me envolver por uma noite, ficar, conversar e não passar disso. Tô contando os dias pra sair com as minhas amigas solteiras, beber e dançar até de manhã.Voltaremos mortas pra casa, acordar tarde no dia seguinte pra debochar das loucuras da bebida.Tô querendo ampliar minha rede de "amigos", pintar as unhas de vermelho, colocar um salto alto, pro meu celular não parar de tocar no domingo.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
O fantástico mundo de Luísa
Ela morava em um mundo só dela.
Um mundo onde não se podia excluir as coisas, assim como não se deveria fazer com as pessoas.
Se precisasse escolher uma roupa, tinha mesmo um medo interno de que a outra roupa fosse chorar dentro do armário quando fosse guardada ali, rejeitada, tadinha.
Assim com tudo, sapatos,comida...
Mesmo com comida, que a menina não gostava de comer nada, mesmo assim.
É aí que entra a história.
Um dia, a mãe de Luísa, arrumando seu quarto, achou um potinho,era um cofrinho, em formato de coração, nele estavam umas sete batatinhas fritas, quase podres.
Coisa mesmo estranha.
Luísa havia guardado as batatinhas ali.
No almoço, hora que Luísa mais detestava, havia batata frita.
Ela gostava muito de batata frita.
A mãe mandou que ela acabasse de comer, mas ela não queria mais...sabe? Tava toda cheia assim, barrigão.
No entanto, Luísa via aquelas pobres últimas batatinhas.
Qual o problema com a sorte delas? Elas não tinham culpa de não terem sido atingidas pelo garfo antes, e terem sobrado ali, no prato, como aquelas meninas que sobram no final da escolha de time.
Sim, porque batatas eram meninas, as batatas.
Luísa olhava o lixo
Lixo sujo, do mal. Parecia ter uma cara de que ia se vangloriar em pegar todas aquelas batatinhas indefesas para si, para ir para o mundo dos sujos junto com ele e o homem do saco.
Luísa não pensou duas vezes. Tomou as batatas pela mão e colocou no potinho, para que elas não fossem levadas para aquele mundo e estivessem ali com ela, protegidas, sem choro.
Luísa não teve mais apetite e as batatas passaram a morar ali, com ela, até que sua mãe as achou e jogou no lixo.
O lixo da mãe não tinha cara, nem as batatas gritaram e começaram a chorar.
Quando a mãe as pegou e jogou no lixo, não teve história, nem drama,
nem vozes fininhas das batatinhas, nem risada maligna do lixo.
Um mundo onde não se podia excluir as coisas, assim como não se deveria fazer com as pessoas.
Se precisasse escolher uma roupa, tinha mesmo um medo interno de que a outra roupa fosse chorar dentro do armário quando fosse guardada ali, rejeitada, tadinha.
Assim com tudo, sapatos,comida...
Mesmo com comida, que a menina não gostava de comer nada, mesmo assim.
É aí que entra a história.
Um dia, a mãe de Luísa, arrumando seu quarto, achou um potinho,era um cofrinho, em formato de coração, nele estavam umas sete batatinhas fritas, quase podres.
Coisa mesmo estranha.
Luísa havia guardado as batatinhas ali.
No almoço, hora que Luísa mais detestava, havia batata frita.
Ela gostava muito de batata frita.
A mãe mandou que ela acabasse de comer, mas ela não queria mais...sabe? Tava toda cheia assim, barrigão.
No entanto, Luísa via aquelas pobres últimas batatinhas.
Qual o problema com a sorte delas? Elas não tinham culpa de não terem sido atingidas pelo garfo antes, e terem sobrado ali, no prato, como aquelas meninas que sobram no final da escolha de time.
Sim, porque batatas eram meninas, as batatas.
Luísa olhava o lixo
Lixo sujo, do mal. Parecia ter uma cara de que ia se vangloriar em pegar todas aquelas batatinhas indefesas para si, para ir para o mundo dos sujos junto com ele e o homem do saco.
Luísa não pensou duas vezes. Tomou as batatas pela mão e colocou no potinho, para que elas não fossem levadas para aquele mundo e estivessem ali com ela, protegidas, sem choro.
Luísa não teve mais apetite e as batatas passaram a morar ali, com ela, até que sua mãe as achou e jogou no lixo.
O lixo da mãe não tinha cara, nem as batatas gritaram e começaram a chorar.
Quando a mãe as pegou e jogou no lixo, não teve história, nem drama,
nem vozes fininhas das batatinhas, nem risada maligna do lixo.
sábado, 30 de maio de 2009
hiato criativo x greve.
Na minha cabeça há muitas histórias
histórias.estórias.
inventadas,inspiradas, aumentadas, histórias, estórias.
quem conta um conto, ganha um ponto.
Acontece que. elas começaram a brigar aqui.
Elas estão existindo, mas não sabem sair daqui, não tem pés.
é o hiato criativo, a lacuna, a falta de inspiração.
Sei que devo e preciso escrever.
escrever qualquer coisa assim sobre você, sobre o amor,
sobre alguma dança ou qualquer criança bonita.
Mas, nada sai.
Ela me disse que era pra colocarmos em greve, mas eu disse que nosso hiato não era proposital, nem era um protesto.era, é, talvez, um castigo. um castigo das idéias.
olha a outra castigada : http://meninadasmares.blogspot.com/
histórias.estórias.
inventadas,inspiradas, aumentadas, histórias, estórias.
quem conta um conto, ganha um ponto.
Acontece que. elas começaram a brigar aqui.
Elas estão existindo, mas não sabem sair daqui, não tem pés.
é o hiato criativo, a lacuna, a falta de inspiração.
Sei que devo e preciso escrever.
escrever qualquer coisa assim sobre você, sobre o amor,
sobre alguma dança ou qualquer criança bonita.
Mas, nada sai.
Ela me disse que era pra colocarmos em greve, mas eu disse que nosso hiato não era proposital, nem era um protesto.era, é, talvez, um castigo. um castigo das idéias.
olha a outra castigada : http://meninadasmares.blogspot.com/
domingo, 24 de maio de 2009
Domingo no parque.
Um dia eu quero ter filhos.
que é pra eles me acordarem no domingo de sol, tão cedinho
com mil beijinhos e abracinhos, com bafinhos e olhos de remela
e cachinhos
vou vesti-los bem bonitinhos e eu também
tomarei aquelas pequeninas mãozinhas e andaremos no sol fraquinho,
buscando o parque centenário da minha bucólica cidade,
...tem trenzinho!
que é pra eles me acordarem no domingo de sol, tão cedinho
com mil beijinhos e abracinhos, com bafinhos e olhos de remela
e cachinhos
vou vesti-los bem bonitinhos e eu também
tomarei aquelas pequeninas mãozinhas e andaremos no sol fraquinho,
buscando o parque centenário da minha bucólica cidade,
...tem trenzinho!
sábado, 23 de maio de 2009
o evitar.
O problema todo é que se apeguem e, assim, a expectativa criada em cima de alguém não seja correspondida.
O causar sofrimento em alguém, e saber disso é algo muito sério, vinho do mal que não se deve beber.
Deve ser por isso que há a fuga.
Evita, foge, some, não se apega para não ser apegado.
Tira o olhar, não liga e não chama.
Não retorna pra não ser apegado.
Não ser apegado pra evitar a decepção, evitar ser a decepção de alguém,
evitar o choro, ou antecipá-lo.
Evitar o sofrimento de alguém, ou apenas antecipá-lo.
É só mais uma das fugas de alguém.
e vai passar a vida toda assim?
evitando o apego pra evitar sofrimento (do outro)
e evitando. e evitando... (?)
O causar sofrimento em alguém, e saber disso é algo muito sério, vinho do mal que não se deve beber.
Deve ser por isso que há a fuga.
Evita, foge, some, não se apega para não ser apegado.
Tira o olhar, não liga e não chama.
Não retorna pra não ser apegado.
Não ser apegado pra evitar a decepção, evitar ser a decepção de alguém,
evitar o choro, ou antecipá-lo.
Evitar o sofrimento de alguém, ou apenas antecipá-lo.
É só mais uma das fugas de alguém.
e vai passar a vida toda assim?
evitando o apego pra evitar sofrimento (do outro)
e evitando. e evitando... (?)
segunda-feira, 18 de maio de 2009
A hora da estrela
Mal feita de cara e de corpo.
Nem tão mal feita assim de corpo, mas desengonçada, magrela, pálida, corcunda.
Ela tinha acabado o Ensino Médio e agora estava no curso pré-vestibular.
Acontece que, até ali, os professores se recusavam a lhe dizer o motivo de seu apelido, sussurrado pelos cantos, entre fórmulas de física, ser Macabéa.
Ela nunca entendeu mesmo. Por vezes sentia curiosidade, perguntava. Eles desconversavam e morria ali.
Como um reflexo de sua cor de pele anêmica, a menina parecia estar sem força até para querer realmente saber a razão do estranho apelido.
(...)
Foi que ela passou no vestibular.Universidade pública.
Seria festa para qualquer pessoa, não tanto para ela.
Para a nossa pálida personagem, o ensino superior seria só mais uma continuação normal daquela vida mesquinha que nem ela se dava conta que levava.
Era uma situação normal.
bege como ela.
neutra.
(...)
Foi em uma tarde amarelo manga que essa Macabéa se deu conta de toda a sua vida.
Uma vida sem cores primárias.
Ela teve vontade de vomitar e levantou. Levantou e foi até ao prédio cinza de concreto de sua Universidade.
Último andar.
Tirou os sapatos como mandava a tradição.
E então, a menina que nunca soube porque era Macabéa encontrava,agora, a sua hora da estrela. cadente.
Nem tão mal feita assim de corpo, mas desengonçada, magrela, pálida, corcunda.
Ela tinha acabado o Ensino Médio e agora estava no curso pré-vestibular.
Acontece que, até ali, os professores se recusavam a lhe dizer o motivo de seu apelido, sussurrado pelos cantos, entre fórmulas de física, ser Macabéa.
Ela nunca entendeu mesmo. Por vezes sentia curiosidade, perguntava. Eles desconversavam e morria ali.
Como um reflexo de sua cor de pele anêmica, a menina parecia estar sem força até para querer realmente saber a razão do estranho apelido.
(...)
Foi que ela passou no vestibular.Universidade pública.
Seria festa para qualquer pessoa, não tanto para ela.
Para a nossa pálida personagem, o ensino superior seria só mais uma continuação normal daquela vida mesquinha que nem ela se dava conta que levava.
Era uma situação normal.
bege como ela.
neutra.
(...)
Foi em uma tarde amarelo manga que essa Macabéa se deu conta de toda a sua vida.
Uma vida sem cores primárias.
Ela teve vontade de vomitar e levantou. Levantou e foi até ao prédio cinza de concreto de sua Universidade.
Último andar.
Tirou os sapatos como mandava a tradição.
E então, a menina que nunca soube porque era Macabéa encontrava,agora, a sua hora da estrela. cadente.
Trim.
Deu um pulo quando viu o celular piscando.
aquele nome no visor. Luz azul.
Voltou pra cama, ainda com a mesma voz rouca de sono
voltou pra cama como que para saborear aquele momento.
Saborear aquele momento como quando se come aquele doce devagar,
com medo de acabar, comendo em pequenos pedaços,
sentindo o sabor na língua e querendo guardar pra sempre aquele gosto.
Desligou.
Há vozes que parecem que colocam a gente no colo, fazem carinho, pedem calma, desacelera a nossa respiração e dizem que tudo vai ficar bem com beijo na testa.
Há vozes que parecem que colocam no colo, estejam em Paris ou em Barra Mansa.
aquele nome no visor. Luz azul.
Voltou pra cama, ainda com a mesma voz rouca de sono
voltou pra cama como que para saborear aquele momento.
Saborear aquele momento como quando se come aquele doce devagar,
com medo de acabar, comendo em pequenos pedaços,
sentindo o sabor na língua e querendo guardar pra sempre aquele gosto.
Desligou.
Há vozes que parecem que colocam a gente no colo, fazem carinho, pedem calma, desacelera a nossa respiração e dizem que tudo vai ficar bem com beijo na testa.
Há vozes que parecem que colocam no colo, estejam em Paris ou em Barra Mansa.
domingo, 17 de maio de 2009
Saudade
Saudade é só uma estação de trem que tem no interior do Rio,
em Barra Mansa, e que dá nome a um bairro...
Bairro Saudade.
(...) algo parecido com isso foi dito na TV.
em Barra Mansa, e que dá nome a um bairro...
Bairro Saudade.
(...) algo parecido com isso foi dito na TV.
Rua
A cada semana é uma diferente.
Mulher bonita. Muito bonita.
Semana passada era uma bem bonita junto de uma criança linda. Dessas de se olhar e de dar vontade de ter filho, parindo ali mesmo, no meio da calçada.
A cada semana é uma diferente.
Uma mulher bonita, que está sempre sorrindo, maquiada, acompanhada de criança ou homem também bonito.
Ela fica ali, como uma idiota, sorrindo insistentemente.
Não sei do que ri. E me dá raiva.
Eu saio de casa reclamando do calor, da cidade feia, da poeira, do sono e da fome
e dou de cara com aquela mulher.linda. olhando pra
pista da cidade que fica no meio da pista
e sorrindo, dentro de um ar condicionado, cheirosa, parece sempre que acabou de sair do banho e que a poeira do caminhão dali de tão perto não chega nem longe de tanta
beleza.
Ela olha o que?
Eu parei. Acompanhei seu olhar.
Ela tem seu campo de visão limitado. Umas três árvores meio amareladas, esturricadas de calor e de poeira, uns camelôs sem dom de vender,
gente feia passando de um lado para outro
gente meio que perdida no meio
do calor e daquelas ruas sem começo fim.
E a mulher fica lá. sorrindo. Rindo, bonita e cheirosa, olhando pra pista. Irritante.
Maldito outdoor do Boticário,
maldito contraste que faz com a cidade,
dá vontade de morar lá, ser bonita que nem ela e viver sorrindo, olhando pra estrada.
Mulher bonita. Muito bonita.
Semana passada era uma bem bonita junto de uma criança linda. Dessas de se olhar e de dar vontade de ter filho, parindo ali mesmo, no meio da calçada.
A cada semana é uma diferente.
Uma mulher bonita, que está sempre sorrindo, maquiada, acompanhada de criança ou homem também bonito.
Ela fica ali, como uma idiota, sorrindo insistentemente.
Não sei do que ri. E me dá raiva.
Eu saio de casa reclamando do calor, da cidade feia, da poeira, do sono e da fome
e dou de cara com aquela mulher.linda. olhando pra
pista da cidade que fica no meio da pista
e sorrindo, dentro de um ar condicionado, cheirosa, parece sempre que acabou de sair do banho e que a poeira do caminhão dali de tão perto não chega nem longe de tanta
beleza.
Ela olha o que?
Eu parei. Acompanhei seu olhar.
Ela tem seu campo de visão limitado. Umas três árvores meio amareladas, esturricadas de calor e de poeira, uns camelôs sem dom de vender,
gente feia passando de um lado para outro
gente meio que perdida no meio
do calor e daquelas ruas sem começo fim.
E a mulher fica lá. sorrindo. Rindo, bonita e cheirosa, olhando pra pista. Irritante.
Maldito outdoor do Boticário,
maldito contraste que faz com a cidade,
dá vontade de morar lá, ser bonita que nem ela e viver sorrindo, olhando pra estrada.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
manhã
Morar sozinho é uma saga e isso é fato ponto.
Acordar com a sua companheira de casa te gritando
e tá passando mal me acode esquenta a bolsa de água quente pode ser pedra nos rins tá doendo ainda vou te dar buscopan liga pra sua mãe ela vai ficar nervosa melhor não hospital eu tenho medo de dar aquele negócio quando toma injeção come alguma coisa você tá vomitando de estômago vazio vou pedir ajuda a dona do condomínio tá pra itaguaí não sei onde fica o hospital que que faz? to com medo de ser apendicite é do lado direito também liga pra sua irmã que ela faz medicina a mulher da lanchonete aqui embaixo foi chamar o táxi o marido dela que trabalha na prefeitura vai pedir pra atender a gente antes que lá é confuso olha esse povo todo aqui não gostei desse médico ele tem cara de desenho animado tem certeza que não é apendicite né? mas a urina dela tá normal tá onde levo ela pra tomar o medicamento? injeção? karol você que vai entrar com ela eu vou desmaiar vamos pegar o potinho pra fazer o exame não melhorou a dor? faz xixi logo faz pensa no barulhinho da água daqui a quanto tempo? vamos pra casa almoça só um pouquinho bibi três garfadas da sopinha da karol e não se fala mais nisso tá dorme ouvindo little joy vou arrumar essa casa que bagunça tem tanta louça ufa dormiu acordou seu pai tá aqui vai pegar o exame beijos boa viagem melhoras me dê notícias amo você
Acordar com a sua companheira de casa te gritando
e tá passando mal me acode esquenta a bolsa de água quente pode ser pedra nos rins tá doendo ainda vou te dar buscopan liga pra sua mãe ela vai ficar nervosa melhor não hospital eu tenho medo de dar aquele negócio quando toma injeção come alguma coisa você tá vomitando de estômago vazio vou pedir ajuda a dona do condomínio tá pra itaguaí não sei onde fica o hospital que que faz? to com medo de ser apendicite é do lado direito também liga pra sua irmã que ela faz medicina a mulher da lanchonete aqui embaixo foi chamar o táxi o marido dela que trabalha na prefeitura vai pedir pra atender a gente antes que lá é confuso olha esse povo todo aqui não gostei desse médico ele tem cara de desenho animado tem certeza que não é apendicite né? mas a urina dela tá normal tá onde levo ela pra tomar o medicamento? injeção? karol você que vai entrar com ela eu vou desmaiar vamos pegar o potinho pra fazer o exame não melhorou a dor? faz xixi logo faz pensa no barulhinho da água daqui a quanto tempo? vamos pra casa almoça só um pouquinho bibi três garfadas da sopinha da karol e não se fala mais nisso tá dorme ouvindo little joy vou arrumar essa casa que bagunça tem tanta louça ufa dormiu acordou seu pai tá aqui vai pegar o exame beijos boa viagem melhoras me dê notícias amo você
quinta-feira, 14 de maio de 2009
filha do rei sol
Ando com saudade daquela menina...
Menina que costumava andar muito de verde, cabelão ondulado lavando as costas magrelinhas.
Ela se fazia feliz pelo simples fato de acordar cedinho e ter sol, mais nada era preciso pra arrancar um sorriso daquele rosto.
Saudade da menina que chorava sorrindo quando via as variadas folhagens das árvores iluminadas pelo sol, balançando com o vento.
A menina dava a mão pra outra e começavam a dançar, como que saltitando, ao ouvir os primeiros acordes de um reggae roots. onde quer que estivessem.
Lembro do dia que ela catou mais de 200 sementinhas embaixo de várias árvores, furou uma por uma pra fazer belo um cordão.
Ela gostava mesmo era de parar a cabeça pra cima assim,perto de árvores... dizia que as folhagens diferentes tavam se entrelaçando e com fundo azul de céu, formavam um quadro bonito. Quase ninguém conseguia ver também. Só ela e mais uma.
Foi tempo que ela esperava o ano todo pra subir a pedra da sereia ou fazer trilha do Convento da Penha de pé no chão.
Aquela que tinha no seu quarto verde, uma foto de Bob gargalhando fundo e gostava de ver aquilo e gargalhar também.sozinha.
Menina que, todos os dias, sentava na janela do quarto que era pra ver o sol se esconder atrás das árvores que ali haviam...
Ela acreditava em liberdade pra dentro da cabeça, usava cordão de couro e brinco de marfim..
era sandália rasteira com saião.
Quantas manhãs Menina não foi ao horto catar pena de arara bonita que se deixava cair pra fora da jaula? Era pra fazer brinco...
Ah, ando mesmo com saudade dela...
olhei no espelho e já não havia quase nada mais(...)
Menina que costumava andar muito de verde, cabelão ondulado lavando as costas magrelinhas.
Ela se fazia feliz pelo simples fato de acordar cedinho e ter sol, mais nada era preciso pra arrancar um sorriso daquele rosto.
Saudade da menina que chorava sorrindo quando via as variadas folhagens das árvores iluminadas pelo sol, balançando com o vento.
A menina dava a mão pra outra e começavam a dançar, como que saltitando, ao ouvir os primeiros acordes de um reggae roots. onde quer que estivessem.
Lembro do dia que ela catou mais de 200 sementinhas embaixo de várias árvores, furou uma por uma pra fazer belo um cordão.
Ela gostava mesmo era de parar a cabeça pra cima assim,perto de árvores... dizia que as folhagens diferentes tavam se entrelaçando e com fundo azul de céu, formavam um quadro bonito. Quase ninguém conseguia ver também. Só ela e mais uma.
Foi tempo que ela esperava o ano todo pra subir a pedra da sereia ou fazer trilha do Convento da Penha de pé no chão.
Aquela que tinha no seu quarto verde, uma foto de Bob gargalhando fundo e gostava de ver aquilo e gargalhar também.sozinha.
Menina que, todos os dias, sentava na janela do quarto que era pra ver o sol se esconder atrás das árvores que ali haviam...
Ela acreditava em liberdade pra dentro da cabeça, usava cordão de couro e brinco de marfim..
era sandália rasteira com saião.
Quantas manhãs Menina não foi ao horto catar pena de arara bonita que se deixava cair pra fora da jaula? Era pra fazer brinco...
Ah, ando mesmo com saudade dela...
olhei no espelho e já não havia quase nada mais(...)
terça-feira, 12 de maio de 2009
São Paulo, 12 de maio de 2009
Prenda minha,
Te escrevo da capital.
Aqui se faz bonito, principalmente de manhã no cedinho, quando olho a cidade grande amanhecendo aqui do alto da construção que tô fazendo serviço.
Chego e ainda é noite, subo e páro pra ver o sol amarelo que começa a aparecer no meio de tanto prédio.Quando eu te trouxer pra cá, preta, você vai ver como que tem prédio junto, faz com que parece casa de passarinho, sabe?
Mas fico olhando essa lonjura toda de cidade, de terra e de gente e me alembro de você, minha nêga.
Terminando esse serviço, vou pegar o dinheiro todo e voltar praí.
Pode mandar sua mãe preparar aquele vestido bonito branco que é pra você se ajuntá mais eu.
Fica tranquila que eu vou falá com seu pai nos conforme, não se avexe não.
Pode separá umas pedra bonita de se colocar na orelha.
Todo dia,quando acaba o expediente aqui, eu penso que é menos um dia que falta pra eu voltar praí, te ver vestidinha como aquela foto que eu via de pequeno, da minha mãezinha toda vestida de branco mais meu pai. Te ver com aquele véu igual de santa de capela, todinha minha, prenda!
Se aprepara, pequena, que eu tô chegando aí pra te trazer junto de mim.
Aqui você vai ver um monte de gente arrumada, cheirando mais perfume do que a loja da dona Ieda chêra talco. Vai ver um tantão de coisa bonita. Já vejo até seu sorriso bobo de mulher que não sabe falar, toda espantalhada, que nem eu mesmo fiquei!
Vamô fazer uma casa nossa aqui e ter um cachorro chamado Fubá.
Depois vem as criançada toda, menina bonita quem nem você mesmo...vai ver só.
Te acalma o coração que eu já vô chegando.
Um chêro,
Casimiro
Te escrevo da capital.
Aqui se faz bonito, principalmente de manhã no cedinho, quando olho a cidade grande amanhecendo aqui do alto da construção que tô fazendo serviço.
Chego e ainda é noite, subo e páro pra ver o sol amarelo que começa a aparecer no meio de tanto prédio.Quando eu te trouxer pra cá, preta, você vai ver como que tem prédio junto, faz com que parece casa de passarinho, sabe?
Mas fico olhando essa lonjura toda de cidade, de terra e de gente e me alembro de você, minha nêga.
Terminando esse serviço, vou pegar o dinheiro todo e voltar praí.
Pode mandar sua mãe preparar aquele vestido bonito branco que é pra você se ajuntá mais eu.
Fica tranquila que eu vou falá com seu pai nos conforme, não se avexe não.
Pode separá umas pedra bonita de se colocar na orelha.
Todo dia,quando acaba o expediente aqui, eu penso que é menos um dia que falta pra eu voltar praí, te ver vestidinha como aquela foto que eu via de pequeno, da minha mãezinha toda vestida de branco mais meu pai. Te ver com aquele véu igual de santa de capela, todinha minha, prenda!
Se aprepara, pequena, que eu tô chegando aí pra te trazer junto de mim.
Aqui você vai ver um monte de gente arrumada, cheirando mais perfume do que a loja da dona Ieda chêra talco. Vai ver um tantão de coisa bonita. Já vejo até seu sorriso bobo de mulher que não sabe falar, toda espantalhada, que nem eu mesmo fiquei!
Vamô fazer uma casa nossa aqui e ter um cachorro chamado Fubá.
Depois vem as criançada toda, menina bonita quem nem você mesmo...vai ver só.
Te acalma o coração que eu já vô chegando.
Um chêro,
Casimiro
segunda-feira, 11 de maio de 2009
tem um pedaço de idealismo no meu queijo!
Pare de dizer que é tudo só mais uma ideologia minha!
Aquele cara, que não tem medo de morrer, entrou no auditório e denunciou uma parte da corja desse país.
Ele citou nomes. Ele vai morrer.
Ele mexeu comigo.
Eu já sabia que tudo estava errado, mas ele me fez ter vontade de
gritar e fazer alguma coisa.
Essa vontade me trouxe um forte arrepio por todo o corpo e veio transbordar em forma de lágrimas.
Enquanto eu sentir essa vontade de mudar, sentir que eu posso fazer algo, que seja um pedacinho, eu estarei no
Direito.
Quando eu não tiver dentro de mim mais
essa força, quando meu sangue não se sensibilizar com o
sangue
dos outros que se derramam, então eu poderei largar tudo.
Ideologia.Direito.Sonho.
Porque, se não for pra fazer diferente, não há razão em fazer.
Não, menina, cala a boca.
Eu não tô falando pra você fazer uma revolução.
Eu não tenho, nem nunca tive a pretensão de mudar o mundo.
Eu não disse que é pra você pegar uma bandeira e ir pra rua. Não!
Se você quer exercer sua profissão na empresa do seu pai, vá!
Se você quer ficar atrás de uma mesa de madeira maciça, no ar condicionado, vá!
Ganhe seu dinheiro e passe pela baixada quando for passar as férias em Cabo Frio.Foi Cabo Frio que você disse que quer passar as férias, não foi?
Se é confortável isso pra você, faça isso sim.
Se nesse setor, na sua escolha,você não passar por cima de ninguém,
não prejudicar ninguém,nem a sociedade e não for
desonesta,
você já será parte de qualquer
revolução.
É o famoso "pense global, haja local"
Honestidade não é questão de idealismo, minha filha.
Eu posso desanimar sim, perder meus ideais, parar de acreditar, mas a desonestidade não!
Aquele homem feio, de cabeça achatada, que nem se veste como meus outros professores de Direito
me mostrou que não é só eu que sonho no mundo.
E você, menina, pare de dizer que não tem jeito!
Vá sentar na cadeira da empresa do seu pai e seja honesta, tá?
Um beijo, até amanhã!
Aquele cara, que não tem medo de morrer, entrou no auditório e denunciou uma parte da corja desse país.
Ele citou nomes. Ele vai morrer.
Ele mexeu comigo.
Eu já sabia que tudo estava errado, mas ele me fez ter vontade de
gritar e fazer alguma coisa.
Essa vontade me trouxe um forte arrepio por todo o corpo e veio transbordar em forma de lágrimas.
Enquanto eu sentir essa vontade de mudar, sentir que eu posso fazer algo, que seja um pedacinho, eu estarei no
Direito.
Quando eu não tiver dentro de mim mais
essa força, quando meu sangue não se sensibilizar com o
sangue
dos outros que se derramam, então eu poderei largar tudo.
Ideologia.Direito.Sonho.
Porque, se não for pra fazer diferente, não há razão em fazer.
Não, menina, cala a boca.
Eu não tô falando pra você fazer uma revolução.
Eu não tenho, nem nunca tive a pretensão de mudar o mundo.
Eu não disse que é pra você pegar uma bandeira e ir pra rua. Não!
Se você quer exercer sua profissão na empresa do seu pai, vá!
Se você quer ficar atrás de uma mesa de madeira maciça, no ar condicionado, vá!
Ganhe seu dinheiro e passe pela baixada quando for passar as férias em Cabo Frio.Foi Cabo Frio que você disse que quer passar as férias, não foi?
Se é confortável isso pra você, faça isso sim.
Se nesse setor, na sua escolha,você não passar por cima de ninguém,
não prejudicar ninguém,nem a sociedade e não for
desonesta,
você já será parte de qualquer
revolução.
É o famoso "pense global, haja local"
Honestidade não é questão de idealismo, minha filha.
Eu posso desanimar sim, perder meus ideais, parar de acreditar, mas a desonestidade não!
Aquele homem feio, de cabeça achatada, que nem se veste como meus outros professores de Direito
me mostrou que não é só eu que sonho no mundo.
E você, menina, pare de dizer que não tem jeito!
Vá sentar na cadeira da empresa do seu pai e seja honesta, tá?
Um beijo, até amanhã!
sábado, 9 de maio de 2009
lilás
Ela queria voltar a
ser um sonho.
Ela queria voltar a ser encantada.
Ser flor.
Ela queria voltar a ver
o mundo todo colorido,
como que cheio de gérberas
grandes e pequenas espalhadas.
Ela queria voltar a se ver sempre correndo
por entre os eucaliptos.
A ser um
cor-de-rosa não romântico,
ser suave. É, sonho.
Ser nuvem, ser céu,
ser sol que entra pela janela, fraquinho, no final da tarde, só pra acordar daquele soninho bom.
Amanhã, ela vai acordar bem cedo
e tentar pintar o mundo de lilás.
ser um sonho.
Ela queria voltar a ser encantada.
Ser flor.
Ela queria voltar a ver
o mundo todo colorido,
como que cheio de gérberas
grandes e pequenas espalhadas.
Ela queria voltar a se ver sempre correndo
por entre os eucaliptos.
A ser um
cor-de-rosa não romântico,
ser suave. É, sonho.
Ser nuvem, ser céu,
ser sol que entra pela janela, fraquinho, no final da tarde, só pra acordar daquele soninho bom.
Amanhã, ela vai acordar bem cedo
e tentar pintar o mundo de lilás.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Bar do Chuveiro
Lavei os cabelos com chá de flor de marcela.
Agora eu posso voltar a ser aquela. aquela de uns 2 anos atrás, que ainda não usava brinco de pérolas...
Veio aquela vontade da gente pegar aquele pedaço da Estrada Real.
Passar na serra linda ouvindo músicas bonitas no carro de janela aberta, pode ter pausa pra comer pastel do chuveiro sim.
A gente nunca se cansou de cantar, vai parecer um bando de jovens sadios, bronzeados,vai parecer de filme!
ah, eu vou pegar umas linhas também, embolar no cabelo, fazer dread de cor, como daquela vez que foi...
Agora desce o Deus me livre, eu vejo o paraíso, você tá comigo!
Se tem chuva, a gente abandona a barraca e corre que pula na poça eu não ligo nem você.
Se tem sol, ele nos cansa em trilha por todo o dia.
Só não cansa o suficiente pra eu deixar de botar o pé no chão e dançar forró a noite toda.
Tem vagalume.tem guaiamum.
Tem também gringo, argentino, que a gente começa a conversar só porque parece o cantor da nossa banda preferida.
A minha tentativa de espanhol foi péssima, mas a gente se fez em sorriso!
À noite, a gente fecha no Muvuca, com algum salgado que não me faça vomitar no meio do caminho para a praia que é pra ver o sol nascer do mar.
Você sabe, toda noite ele entra naquele mar lindo e se esconde que é pra poder aparecer estrela, aquelas que são tantas naquele céu. Mas depois do lanche no Muvuca, vamos todos lá vê-lo sair do mar, laranja. laranja. cansado de beber água salgada.
(...)
A gente decide que vai morar lá pra sempre. E o sempre dura até começar a anemia, aquele PF não ser tão maravilhoso assim, o lodo do banheiro começar a incomodar...
Aí as olheiras vão surgir, a gente pega a barraca e volta pra selva de pedra, mas a gente só volta pra cá que é pra poder voltar pra lá, mais tarde.
Agora eu posso voltar a ser aquela. aquela de uns 2 anos atrás, que ainda não usava brinco de pérolas...
Veio aquela vontade da gente pegar aquele pedaço da Estrada Real.
Passar na serra linda ouvindo músicas bonitas no carro de janela aberta, pode ter pausa pra comer pastel do chuveiro sim.
A gente nunca se cansou de cantar, vai parecer um bando de jovens sadios, bronzeados,vai parecer de filme!
ah, eu vou pegar umas linhas também, embolar no cabelo, fazer dread de cor, como daquela vez que foi...
Agora desce o Deus me livre, eu vejo o paraíso, você tá comigo!
Se tem chuva, a gente abandona a barraca e corre que pula na poça eu não ligo nem você.
Se tem sol, ele nos cansa em trilha por todo o dia.
Só não cansa o suficiente pra eu deixar de botar o pé no chão e dançar forró a noite toda.
Tem vagalume.tem guaiamum.
Tem também gringo, argentino, que a gente começa a conversar só porque parece o cantor da nossa banda preferida.
A minha tentativa de espanhol foi péssima, mas a gente se fez em sorriso!
À noite, a gente fecha no Muvuca, com algum salgado que não me faça vomitar no meio do caminho para a praia que é pra ver o sol nascer do mar.
Você sabe, toda noite ele entra naquele mar lindo e se esconde que é pra poder aparecer estrela, aquelas que são tantas naquele céu. Mas depois do lanche no Muvuca, vamos todos lá vê-lo sair do mar, laranja. laranja. cansado de beber água salgada.
(...)
A gente decide que vai morar lá pra sempre. E o sempre dura até começar a anemia, aquele PF não ser tão maravilhoso assim, o lodo do banheiro começar a incomodar...
Aí as olheiras vão surgir, a gente pega a barraca e volta pra selva de pedra, mas a gente só volta pra cá que é pra poder voltar pra lá, mais tarde.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
arte moderna.
Não sei o que quero, mas sei exatamente o que não quero
com toda a certeza do mundo
mas só nesse exato segundo.
com toda a certeza do mundo
mas só nesse exato segundo.
Carta ao Jorge.
Pavuna, 7 de maio de 2009
Quero ir ao show da Banda do Zé Pretinho, você vem comigo?
Não, a chuva não tem que parar de molhar, quero me sentir mais que o infinito, pura e bela, inocente como a flor.
Quero ir toda de branco, meiga, pura, linda e muito tímida.
E a gente vai girar, que maravilha! Grita comigo, assim:
-Salve Simpatia!
Não, não ligo de estar despenteada, é funk na cabeça!
Te vejo lá, então!
Que Santa Clara esteja com você!
Beijos,
Denise Rei
Quero ir ao show da Banda do Zé Pretinho, você vem comigo?
Não, a chuva não tem que parar de molhar, quero me sentir mais que o infinito, pura e bela, inocente como a flor.
Quero ir toda de branco, meiga, pura, linda e muito tímida.
E a gente vai girar, que maravilha! Grita comigo, assim:
-Salve Simpatia!
Não, não ligo de estar despenteada, é funk na cabeça!
Te vejo lá, então!
Que Santa Clara esteja com você!
Beijos,
Denise Rei
quarta-feira, 6 de maio de 2009
enquanto um bom texto não vem.
Que lugar bonito. E nem tem ninguém pra comentar comigo, olha ali!
Como um oasis.
No meio de tanta feiura, aquele lugar lindo. A minha universidade.
Que clima.
Sinto-me em um filme bonito, aquela novela da tarde...
Os jovens espalhados e sentados. Cigarros e folhas de filosofia.
Tá bonito, continua!
Pena que eu não estudo aqui, não exatamente aqui, pena que eu nunca venho aqui.
Imagina se eu fosse embora amanhã e não desfrutasse de nada disso?
Agora vou passar a frequentar mais, você vai ver.
Eu andava preocupada com milhões de coisas, ocupada em miúdos e não via tanta beleza dessa, minha gente!
Cadê a minha máquina fotográfica? Quero gravar essas cores na retina para levar pra casa!
Vou pagar 1 real e ir pro campus pra distrair à tarde, você vem?
Como um oasis.
No meio de tanta feiura, aquele lugar lindo. A minha universidade.
Que clima.
Sinto-me em um filme bonito, aquela novela da tarde...
Os jovens espalhados e sentados. Cigarros e folhas de filosofia.
Tá bonito, continua!
Pena que eu não estudo aqui, não exatamente aqui, pena que eu nunca venho aqui.
Imagina se eu fosse embora amanhã e não desfrutasse de nada disso?
Agora vou passar a frequentar mais, você vai ver.
Eu andava preocupada com milhões de coisas, ocupada em miúdos e não via tanta beleza dessa, minha gente!
Cadê a minha máquina fotográfica? Quero gravar essas cores na retina para levar pra casa!
Vou pagar 1 real e ir pro campus pra distrair à tarde, você vem?
segunda-feira, 4 de maio de 2009
sigo sorrindo.
Depois de uma boa noite de sono, a gente sempre dá um jeito de seguir sorrindo.
Vê que tem sol, que o céu tá azul
lembra que o melhor da vida é rir até fechar os olhinhos.
Como um mutante, sim.
"JURO QUE NÃO VAI DOER SE UM DIA EU ROUBAR
O SEU ANEL DE BRILHANTES
AFINAL DE CONTAS DEI MEU CORAÇÃO
E VOCÊ PÔS NA ESTANTE
COMO UM TROFÉU
NO MEIO DA BUGIGANGA
VOCÊ ME DEIXOU DE TANGA
AI DE MIM QUE SOU ROMÂNTICA...KISS-ME, BABY KISS-ME
PENA QUE VOCÊ NÃO ME "KISS"
NÃO ME SUICIDEI POR UM TRIZ
AI DE MIM QUE SOU ASSIM...
QUANDO EU ME SINTO UM POUCO REJEITADA
ME DÁ UM NÓ NA GARGANTA
CHORO ATÉ SECAR A ALMA DE TODA MÁGOA
DEPOIS EU PASSO PRÁ OUTRA
COMO MUTANTE
NO FUNDO SEMPRE SOZINHO
SEGUINDO O MEU CAMINHO
AI DE MIM QUE SOU ROMÂNTICA...KISS-ME, BABY KISS-ME
PENA QUE VOCÊ NÃO ME "KISS"NÃO ME SUICIDEI POR UM TRIZ
AI DE MIM QUE SOU ASSIM.."
Vê que tem sol, que o céu tá azul
lembra que o melhor da vida é rir até fechar os olhinhos.
Como um mutante, sim.
"JURO QUE NÃO VAI DOER SE UM DIA EU ROUBAR
O SEU ANEL DE BRILHANTES
AFINAL DE CONTAS DEI MEU CORAÇÃO
E VOCÊ PÔS NA ESTANTE
COMO UM TROFÉU
NO MEIO DA BUGIGANGA
VOCÊ ME DEIXOU DE TANGA
AI DE MIM QUE SOU ROMÂNTICA...KISS-ME, BABY KISS-ME
PENA QUE VOCÊ NÃO ME "KISS"
NÃO ME SUICIDEI POR UM TRIZ
AI DE MIM QUE SOU ASSIM...
QUANDO EU ME SINTO UM POUCO REJEITADA
ME DÁ UM NÓ NA GARGANTA
CHORO ATÉ SECAR A ALMA DE TODA MÁGOA
DEPOIS EU PASSO PRÁ OUTRA
COMO MUTANTE
NO FUNDO SEMPRE SOZINHO
SEGUINDO O MEU CAMINHO
AI DE MIM QUE SOU ROMÂNTICA...KISS-ME, BABY KISS-ME
PENA QUE VOCÊ NÃO ME "KISS"NÃO ME SUICIDEI POR UM TRIZ
AI DE MIM QUE SOU ASSIM.."
domingo, 3 de maio de 2009
.
O domingo acordou
nublado
e,em dias assim, parece que o jornal de domingo,todo
preto e branco e cinza
foi colado cuidadosamente no
teto de céu da avenida.
As notícias ficam assim
expostas para quem
passa e olha pra cima,
pra ver se vai chover hoje.
As notícias se fazem
bonitas em um sonho
que,só não é colorido,
para dar um ar sofisticado e poético ao dia,
quase cheirando a café
Notícias de que
nada existe de gripe suína
o Supremo Tribunal Federal tem homens de postura
Botafogo tem Maicosuel jogando na final de hoje
e...ora vejam só(!)...
Augusto Boal acaba de lançar uma nova peça!
Quem diria que
um dia nublado pudesse publicar
notícias tão coloridas em seu céu
nublado
e,em dias assim, parece que o jornal de domingo,todo
preto e branco e cinza
foi colado cuidadosamente no
teto de céu da avenida.
As notícias ficam assim
expostas para quem
passa e olha pra cima,
pra ver se vai chover hoje.
As notícias se fazem
bonitas em um sonho
que,só não é colorido,
para dar um ar sofisticado e poético ao dia,
quase cheirando a café
Notícias de que
nada existe de gripe suína
o Supremo Tribunal Federal tem homens de postura
Botafogo tem Maicosuel jogando na final de hoje
e...ora vejam só(!)...
Augusto Boal acaba de lançar uma nova peça!
Quem diria que
um dia nublado pudesse publicar
notícias tão coloridas em seu céu
Com licença, poética
Venho por meio desta,
e com todo o clichê que posso ter direito
ao início de uma carta,
com aposto no lugar de aposto,
fazer um pedido. Pedidinho,singelo.
Eu venho assim sem rima,
venho sem métrica, por preguicinha.
Eu venho assim sem forma,
sem soneto e sem muita vontade.
Mas o que eu quero mesmo pedir, Senhorazinha, é que...
Você, que é toda dona do mundo
toda dona das palavras
das vírgulas que me caem do céu
das crases mais divinas...
Peço assim, com todo o jeitinho que se possa ter, Dona Poesia
Dê-me (com ênclise), dê-me assim, uma licencinha
Uma licencinha poética!
e com todo o clichê que posso ter direito
ao início de uma carta,
com aposto no lugar de aposto,
fazer um pedido. Pedidinho,singelo.
Eu venho assim sem rima,
venho sem métrica, por preguicinha.
Eu venho assim sem forma,
sem soneto e sem muita vontade.
Mas o que eu quero mesmo pedir, Senhorazinha, é que...
Você, que é toda dona do mundo
toda dona das palavras
das vírgulas que me caem do céu
das crases mais divinas...
Peço assim, com todo o jeitinho que se possa ter, Dona Poesia
Dê-me (com ênclise), dê-me assim, uma licencinha
Uma licencinha poética!
sábado, 2 de maio de 2009
Matemática
A gente vive de contar os dias para chegar um dia.
Aí ele chega, passa como 1 segundo
e nós começamos a procurar um próximo dia
para começar a contar novamente.
Aí ele chega, passa como 1 segundo
e nós começamos a procurar um próximo dia
para começar a contar novamente.
Pe(cadinho)
Estava deitada quando ouviu o comentário dos pais:
-Onde está a menina?
-Tá no quarto!
-Tão quietinha ela, deve estar lendo...
Sim, e estava. Sempre fora assim, quietinha.
Quando criança, a mãe podia dizer que enquanto ouvia os gritos das crianças vivas nas ruas, cheirando a sol quente na pele, a filha estava em casa e brincava sozinha, quietinha.
Ela imaginava seu mundo, seus personagens,suas crianças e seu sol.
Mas agora, que revolta toda era aquela?
Sua língua coçava e ela queria falar, falar, falar, tagarelar e pelos cotovelos.
O que dera na menina?Ela não sabia, mas sua mente deixava de ser pálida e,no espelho,via cor de sangue em seus lábios,como nunca antes.
Agora ela falaria e deixaria toda a quietude para algum lugar do tempo sem cor.
-Onde está a menina?
-Tá no quarto!
-Tão quietinha ela, deve estar lendo...
Sim, e estava. Sempre fora assim, quietinha.
Quando criança, a mãe podia dizer que enquanto ouvia os gritos das crianças vivas nas ruas, cheirando a sol quente na pele, a filha estava em casa e brincava sozinha, quietinha.
Ela imaginava seu mundo, seus personagens,suas crianças e seu sol.
Mas agora, que revolta toda era aquela?
Sua língua coçava e ela queria falar, falar, falar, tagarelar e pelos cotovelos.
O que dera na menina?Ela não sabia, mas sua mente deixava de ser pálida e,no espelho,via cor de sangue em seus lábios,como nunca antes.
Agora ela falaria e deixaria toda a quietude para algum lugar do tempo sem cor.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
A antropologia em minha vida
terça-feira, 28 de abril de 2009
hoje.
Acordou e jantou. Pegou o controle remoto para ligar para casa.Tomou banho na pia da cozinha. Lavou a louça no chuveiro.Desceu a escada de costas. Tomou o ônibus para a direção contrária e fez cálculos com letras.
..É, há dias assim.
..É, há dias assim.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Prometo e juro.
Eu sei que você não vai acreditar não.
Nem eu acreditaria.
Mas ela lia Dom Casmurro aos 10 anos e chorava.
Não sabia a razão, mas se emocionava.
Ela lia em voz alta, justamente por isso.
Ela não sabia o significado de algumas, várias, palavras e lia pra escutá-las, sem nem querer saber o significado não.
Mas era bonito de se ouvir
Lia, lia, lia, até cansar de ler, de ouvir, até enjoar da sua própria voz ou do gosto salgado da lágrima que já escorria.
E agora, havia chegado a hora. Ela escrevia.
Ela escrevia sem querer ser profissional da escrita, pois assim, não teria o compromisso com as palavras.
Ela escrevia de forma a adequar bem aquelas letras e palavras, como em uma música.
Ela escrevia com o único objetivo de fazer soar bem.
E você não precisa entender uma linha. Só goste de ouvir.
Só.
Tá bem?
Nem eu acreditaria.
Mas ela lia Dom Casmurro aos 10 anos e chorava.
Não sabia a razão, mas se emocionava.
Ela lia em voz alta, justamente por isso.
Ela não sabia o significado de algumas, várias, palavras e lia pra escutá-las, sem nem querer saber o significado não.
Mas era bonito de se ouvir
Lia, lia, lia, até cansar de ler, de ouvir, até enjoar da sua própria voz ou do gosto salgado da lágrima que já escorria.
E agora, havia chegado a hora. Ela escrevia.
Ela escrevia sem querer ser profissional da escrita, pois assim, não teria o compromisso com as palavras.
Ela escrevia de forma a adequar bem aquelas letras e palavras, como em uma música.
Ela escrevia com o único objetivo de fazer soar bem.
E você não precisa entender uma linha. Só goste de ouvir.
Só.
Tá bem?
domingo, 26 de abril de 2009
de bege ao vinho.
Após comunicar delicadamente que queria o divórcio, Carlos fechou a porta, vagarosamente, e levou com ele 30 anos de casamento.
Foi tudo muito civilizado. 35 anos de convivência e ele chegou e disse o que Helena já esperava ouvir, mas não queria.
Eram um casal normal. Uma casa com paredes beges, almoço com a família de cada um, alternadamente, aos domingos. Sem filhos.
30 anos assim. Beges.
Não teve motivo especial para Carlos. Ele só não via muito motivo em continuar ali, sentado ao lado daquela mulher, esperando a morte chegar.
Ela não tinha outra vida. Era escritório da repartição pública.envelopes de papel pardo por todo o dia. casa. boa noite, Carlos. dormir.
Aí, de repente, ela se vira ali.
O apartamente continuava com as paredes beges. Carlos disse que ia pra casa da mãe dele, era melhor assim.
E não teve grito. nem choro. nem insistência
foi tudo no "tá, tá bom. gosto de você, seja feliz"
Mas, por dentro, Helena se sentia pálida, bege, sem sangue, oca.
E ainda estava ali, depois de alguns minutos, ouvindo o ecoar da porta se fechar. Tentando absorver a idéia.
Helena foi em direção ao aparelho de som antigo que tinham, afinal, não tinham o menor costume de ouvir música, a casa de parede bege era muda.
E ela foi, ligou. Pegou um cd dos mais antigos, talvez de quando tenha inventado o cd.
Era tango.
Helena apagou as luzes principais, deixou o ambiente à meia luz.
Helena foi a cozinha, pegou um vinho e uma taça.
Helena foi tirando a roupa vagarosamente e dançando conforme se despia.
Ela tinha descoberto em si a malemolência. Nunca soube que sabia dançar.
Abriu o vinho, começou a beber e girava.
Dançava loucamente. Havia volúpia no ar. Agora parecia que as paredes eram cor de vinho.
Ela via sua silhueta na parede, acompanhava sua sombra sensual.
Qualquer homem era capaz de se apaixonar por aquela sombra deliciosamente linda, caso não visse ser de uma mulher bege, pálida, magrela e desajeitada como Helena.
Naquela parede em que se via, a mulher tinha até curvas,por incrível que isso pareça.
Ela dançava para si, para ver sua sombra e se apaixonar por si.
Passava a mão sobre seu rosto e se descobria bonita.
Ela lambia seus braços, sentia um gosto delicioso no seu corpo.
Bebia o vinho, sozinha e dançando.
Helena havia se apaixonado por uma mulher que dançava sozinha em seu apartamento,nua, no meio da semana, bebendo vinho e se lambendo.
Foi tudo muito civilizado. 35 anos de convivência e ele chegou e disse o que Helena já esperava ouvir, mas não queria.
Eram um casal normal. Uma casa com paredes beges, almoço com a família de cada um, alternadamente, aos domingos. Sem filhos.
30 anos assim. Beges.
Não teve motivo especial para Carlos. Ele só não via muito motivo em continuar ali, sentado ao lado daquela mulher, esperando a morte chegar.
Ela não tinha outra vida. Era escritório da repartição pública.envelopes de papel pardo por todo o dia. casa. boa noite, Carlos. dormir.
Aí, de repente, ela se vira ali.
O apartamente continuava com as paredes beges. Carlos disse que ia pra casa da mãe dele, era melhor assim.
E não teve grito. nem choro. nem insistência
foi tudo no "tá, tá bom. gosto de você, seja feliz"
Mas, por dentro, Helena se sentia pálida, bege, sem sangue, oca.
E ainda estava ali, depois de alguns minutos, ouvindo o ecoar da porta se fechar. Tentando absorver a idéia.
Helena foi em direção ao aparelho de som antigo que tinham, afinal, não tinham o menor costume de ouvir música, a casa de parede bege era muda.
E ela foi, ligou. Pegou um cd dos mais antigos, talvez de quando tenha inventado o cd.
Era tango.
Helena apagou as luzes principais, deixou o ambiente à meia luz.
Helena foi a cozinha, pegou um vinho e uma taça.
Helena foi tirando a roupa vagarosamente e dançando conforme se despia.
Ela tinha descoberto em si a malemolência. Nunca soube que sabia dançar.
Abriu o vinho, começou a beber e girava.
Dançava loucamente. Havia volúpia no ar. Agora parecia que as paredes eram cor de vinho.
Ela via sua silhueta na parede, acompanhava sua sombra sensual.
Qualquer homem era capaz de se apaixonar por aquela sombra deliciosamente linda, caso não visse ser de uma mulher bege, pálida, magrela e desajeitada como Helena.
Naquela parede em que se via, a mulher tinha até curvas,por incrível que isso pareça.
Ela dançava para si, para ver sua sombra e se apaixonar por si.
Passava a mão sobre seu rosto e se descobria bonita.
Ela lambia seus braços, sentia um gosto delicioso no seu corpo.
Bebia o vinho, sozinha e dançando.
Helena havia se apaixonado por uma mulher que dançava sozinha em seu apartamento,nua, no meio da semana, bebendo vinho e se lambendo.
é tempo de morangos
Domingo.
Eu vou acordar, colocar um vestido longo até o pé e florido.
De enfeites? Apenas duas contas de pérola nas duas pequenas orelhas minhas.
E aí eu vou sair.
Tá sol, hum. Eu vou ficar assim de frente pra ele, encolhida como uma criança que acaba de tomar banho de mangueira e tá tremendo de frio. Adoro esse sol de... outono que estamos, né?
E aí eu vou sair. Vou correr pelo canavial. Depois, no fim dele, eu sento de perna de índio, jogo meu cabelo que, na cena está tão longo.ondulado.queimado de sol. e como morangos.
Na fazenda, eu sento de perna de índio. Jogo o cabelo já descrito no sol da estação que você quiser e hum. Como morangos.
E aí eu posso correr mais um pouco, ainda pego o movimento da Avenida que beira o mar. É domingo. Deu tempo de comprar meu jornal. Eu leio e só tem notícias lindas. Os políticos acordaram sem voz, dizem ser epidemia e o judiciário brasileiro ainda possui o respeito da nação. Nem teve escândalos.
Mas eu deito na areia e nem ligo se aqueles cabelos já descritos vão ficar à milanesa. É só pro sol me esquentar. Nessa estação, faz frio quando tá na sombra assim.
Aí eu vou me levantar, vou andando por aquele porto que só existe em mim. Tá bonita a cena, continua.
O sol já se faz em ir e o domingo já se acaba em tons de laranja. Agora bota uma música bonita pra gente dançar!
Eu vou acordar, colocar um vestido longo até o pé e florido.
De enfeites? Apenas duas contas de pérola nas duas pequenas orelhas minhas.
E aí eu vou sair.
Tá sol, hum. Eu vou ficar assim de frente pra ele, encolhida como uma criança que acaba de tomar banho de mangueira e tá tremendo de frio. Adoro esse sol de... outono que estamos, né?
E aí eu vou sair. Vou correr pelo canavial. Depois, no fim dele, eu sento de perna de índio, jogo meu cabelo que, na cena está tão longo.ondulado.queimado de sol. e como morangos.
Na fazenda, eu sento de perna de índio. Jogo o cabelo já descrito no sol da estação que você quiser e hum. Como morangos.
E aí eu posso correr mais um pouco, ainda pego o movimento da Avenida que beira o mar. É domingo. Deu tempo de comprar meu jornal. Eu leio e só tem notícias lindas. Os políticos acordaram sem voz, dizem ser epidemia e o judiciário brasileiro ainda possui o respeito da nação. Nem teve escândalos.
Mas eu deito na areia e nem ligo se aqueles cabelos já descritos vão ficar à milanesa. É só pro sol me esquentar. Nessa estação, faz frio quando tá na sombra assim.
Aí eu vou me levantar, vou andando por aquele porto que só existe em mim. Tá bonita a cena, continua.
O sol já se faz em ir e o domingo já se acaba em tons de laranja. Agora bota uma música bonita pra gente dançar!
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Delicadeza.
-É, não estou para fotos hoje. Acho que essa luz aqui não me favorece.
-O que te favorece é falta de luz. Escuro. E sem flash.
O encontro era o mesmo. O tempo não passou.As risadas tinham o mesmo som.
Faltaram duas. A saudade sentou com a gente para comer sanduíche.
-O que te favorece é falta de luz. Escuro. E sem flash.
O encontro era o mesmo. O tempo não passou.As risadas tinham o mesmo som.
Faltaram duas. A saudade sentou com a gente para comer sanduíche.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
deitado no cimento .
E nesse nosso passeio, acho que eu vou me arrumar daquele jeito.
Ficar uma hora me arrumando para parecer desarrumada.
Quero andar nas ruas do Leblon. Máquina fotográfica a tiracolo.Não, não é para parecer turista.
É pra parecer brasileiro que gosta de fotografar, fazer filmes, mas que está recém-chegado de Paris, tipo Walter Salles.
Talvez eu coloque um arco no cabelo em vez de flor. ou não.
Agora me leva de volta e conta histórias do meio musical alternativo, mesmo que o cenário já não seja tão mais bonito. Tá sujo e dá até medo de ser assaltada nesse lugar.
Agora é o final. Pausa para a cena.
Chega o ônibus. Ela olha para o ônibus. Ela olha para ele. É, não tem jeito, tenho mesmo que ir.
Ela dá um beijo, um beijo qualquer. Ele puxa pelo braço. Eles dão um beijo, um beijo diferente.
21 gramas de beijo.
Agora ela entra e o ônibus tá lotado, de volta pra vida real. Mas ainda, pelo vidro, eu vi você indo embora, aos pouquinhos e destoando do cenário feio, deu tempo de eu dar de língua e você viu, lá de fora.
Até amanhã,(vírgula)
Ficar uma hora me arrumando para parecer desarrumada.
Quero andar nas ruas do Leblon. Máquina fotográfica a tiracolo.Não, não é para parecer turista.
É pra parecer brasileiro que gosta de fotografar, fazer filmes, mas que está recém-chegado de Paris, tipo Walter Salles.
Talvez eu coloque um arco no cabelo em vez de flor. ou não.
Agora me leva de volta e conta histórias do meio musical alternativo, mesmo que o cenário já não seja tão mais bonito. Tá sujo e dá até medo de ser assaltada nesse lugar.
Agora é o final. Pausa para a cena.
Chega o ônibus. Ela olha para o ônibus. Ela olha para ele. É, não tem jeito, tenho mesmo que ir.
Ela dá um beijo, um beijo qualquer. Ele puxa pelo braço. Eles dão um beijo, um beijo diferente.
21 gramas de beijo.
Agora ela entra e o ônibus tá lotado, de volta pra vida real. Mas ainda, pelo vidro, eu vi você indo embora, aos pouquinhos e destoando do cenário feio, deu tempo de eu dar de língua e você viu, lá de fora.
Até amanhã,(vírgula)
terça-feira, 21 de abril de 2009
Soco no estômago
Você bem que podia me bater.
Um soco, um tapa na cara bem dado.Quero marca de dedos vermelhas na bochecha direita
Meu pai bem que podia me dar uma surra de cinto hoje.Ou minha mãe me puxar pelos cabelos...
O fato é que eu preciso de alguma coisa.
Meu irmão podia me humilhar muito verbalmente.E me xingar.Ou chamar de burra.
Eu bem que poderia alugar um filme bem triste, com morte de um dos amantes do final.
O fato é que preciso desengasgar esse choro que ta engasgado aqui.
Não sei como, nem a razão dele ter entrado, mas sei que ele precisa sair.Só me arranje o motivo.
Acho que o nome disso é catarse.
Um soco, um tapa na cara bem dado.Quero marca de dedos vermelhas na bochecha direita
Meu pai bem que podia me dar uma surra de cinto hoje.Ou minha mãe me puxar pelos cabelos...
O fato é que eu preciso de alguma coisa.
Meu irmão podia me humilhar muito verbalmente.E me xingar.Ou chamar de burra.
Eu bem que poderia alugar um filme bem triste, com morte de um dos amantes do final.
O fato é que preciso desengasgar esse choro que ta engasgado aqui.
Não sei como, nem a razão dele ter entrado, mas sei que ele precisa sair.Só me arranje o motivo.
Acho que o nome disso é catarse.
Alô?
É. Acordei assim hoje, tem problema?
Urrum.Tô em preto e branco.
Palavrão é meu ponto final na frase.
Eu era mais delicada.
Talvez eu levante e acenda um cigarro.
Mas eu lembrei que não sei tragar.
Talvez eu levante e beba um conhaque, dose de macho.
Mas eu lembrei que nunca nem bebi.
“Ser feliz é pra se conseguir o quê?”
Tá. Eu já combinei com você.
A gente vai pra sua varanda, vou ouvir você falar dela.
Eu falo dele também.
A gente senta numa mesa.vai ter conhaque, dose de macho, e cigarros.
Você não fuma mais?
Só porque agora eu resolvi fumar?
Tá. Pode ser cigarro de palha pra você lembrar da sua cidade então.
Tchau, até amanhã!
Urrum.Tô em preto e branco.
Palavrão é meu ponto final na frase.
Eu era mais delicada.
Talvez eu levante e acenda um cigarro.
Mas eu lembrei que não sei tragar.
Talvez eu levante e beba um conhaque, dose de macho.
Mas eu lembrei que nunca nem bebi.
“Ser feliz é pra se conseguir o quê?”
Tá. Eu já combinei com você.
A gente vai pra sua varanda, vou ouvir você falar dela.
Eu falo dele também.
A gente senta numa mesa.vai ter conhaque, dose de macho, e cigarros.
Você não fuma mais?
Só porque agora eu resolvi fumar?
Tá. Pode ser cigarro de palha pra você lembrar da sua cidade então.
Tchau, até amanhã!
O fabuloso destino de Isabela Rodrigues
"... Nos fins de semana, Amélie pega o trem para visitar o pai.
Às vezes, na sexta à noite, Amélie vai ao cinema:
-Gosto de me virar no escuro e observar os outros espectadores, também gosto de procurar detalhes que ninguém vê. Em compensação não gosto quando o motorista não olha para a estrada.
Amélie não tem namorado. Tentou uma ou duas vezes, mas o resultado não foi o que esperava. Em compensação cultiva um gosto particular por pequenos prazeres: enfiar a mão bem fundo no saco de cereais, quebrar a cobertura de crème brûlée com a colher e jogar pedras no Canal Saint Martin.
(...)
O tempo não mudou nada, Amélie continua se refugiando na solidão.
...E finalmente estamos na noite de 30 de agosto de 1997, quando ocorre o fato que mudará a vida de Amélie Poulain. "
E eu vivo, eternamente, esperando a minha noite de 30 de Agosto de 1997 chegar. A tal da Epifania.
Às vezes, na sexta à noite, Amélie vai ao cinema:
-Gosto de me virar no escuro e observar os outros espectadores, também gosto de procurar detalhes que ninguém vê. Em compensação não gosto quando o motorista não olha para a estrada.
Amélie não tem namorado. Tentou uma ou duas vezes, mas o resultado não foi o que esperava. Em compensação cultiva um gosto particular por pequenos prazeres: enfiar a mão bem fundo no saco de cereais, quebrar a cobertura de crème brûlée com a colher e jogar pedras no Canal Saint Martin.
(...)
O tempo não mudou nada, Amélie continua se refugiando na solidão.
...E finalmente estamos na noite de 30 de agosto de 1997, quando ocorre o fato que mudará a vida de Amélie Poulain. "
E eu vivo, eternamente, esperando a minha noite de 30 de Agosto de 1997 chegar. A tal da Epifania.
domingo, 19 de abril de 2009
o parto
Já fazia tempo.As dores no ventre já não cessavam.
Sentia o mexer, o deslocar, os passos.Muita dor, muita.
Aquele feto doía-lhe a alma.
E bota compressa. e chora.
Sangue.
Dor.
E muda o cotidiano por causa de tudo aquilo.
A mulher que já não agüentava mais, ela não queria mais parir.
Sentia seu corpo todo lânguido após a dor
E nada.
O feto parecia rasgar-lhe toda internamente.Não queria nascer, queria machucar, queria sangrar, queria doer toda a mãe.
Descia cortando todo seu ventre e seu organismo.Suas veias
Cada célula gritava de dor.Dor cortante
A mulher começa a sentir o feto querer sair
Dias assim
Até que chega o dia do parto.
Tudo se prepara ao redor, a expectativa é formada.
A mulher senta no vaso.
Urina.
Sente.
A pedra desce!
Viva!
Pedra que pariu!
Sentia o mexer, o deslocar, os passos.Muita dor, muita.
Aquele feto doía-lhe a alma.
E bota compressa. e chora.
Sangue.
Dor.
E muda o cotidiano por causa de tudo aquilo.
A mulher que já não agüentava mais, ela não queria mais parir.
Sentia seu corpo todo lânguido após a dor
E nada.
O feto parecia rasgar-lhe toda internamente.Não queria nascer, queria machucar, queria sangrar, queria doer toda a mãe.
Descia cortando todo seu ventre e seu organismo.Suas veias
Cada célula gritava de dor.Dor cortante
A mulher começa a sentir o feto querer sair
Dias assim
Até que chega o dia do parto.
Tudo se prepara ao redor, a expectativa é formada.
A mulher senta no vaso.
Urina.
Sente.
A pedra desce!
Viva!
Pedra que pariu!
a vida inteira você quis um verso simples. eu te dou uma rosa
E agora, como que eu faço com a sua rosa vermelha?
Hoje eu estive lá, acabou tudo e eu fiquei com a rosa vermelha na mão, perambulando.
Você tá cansada de saber que eu não gosto de rosa vermelha, nunca gostei.
Eu fiquei olhando para ela, ela para mim e eu a tomei nas mãos.
Eu sei que não era aquela rosa vermelha colombiana que você preferia, mas você sempre ficava com elas ao final de tudo, colombianas ou não.
Desde que você foi embora é assim. Eu fico sem a menor idéia de onde colocar a rosa vermelha.
(...)
Bate uma revolta no meu coração,desculpa.
Mas bate uma revolta no meu coração, uma revolta que não deveria bater e que eu nem esperava que batesse. A revolta por você ter ido embora, desculpa.
Será que dá pra você aparecer no meu sonho pra eu te entregar a rosa vermelha de hoje?
Hoje eu estive lá, acabou tudo e eu fiquei com a rosa vermelha na mão, perambulando.
Você tá cansada de saber que eu não gosto de rosa vermelha, nunca gostei.
Eu fiquei olhando para ela, ela para mim e eu a tomei nas mãos.
Eu sei que não era aquela rosa vermelha colombiana que você preferia, mas você sempre ficava com elas ao final de tudo, colombianas ou não.
Desde que você foi embora é assim. Eu fico sem a menor idéia de onde colocar a rosa vermelha.
(...)
Bate uma revolta no meu coração,desculpa.
Mas bate uma revolta no meu coração, uma revolta que não deveria bater e que eu nem esperava que batesse. A revolta por você ter ido embora, desculpa.
Será que dá pra você aparecer no meu sonho pra eu te entregar a rosa vermelha de hoje?
meu(s) primeiro(s) amor(es)
É verdade que nunca nenhum rapazote bateu em minha porta pra pedir ao pai pra me namorar.
Também sei que é verdade que, na escola, os meninos me escolhiam pra ser castigo pros outros. “Quem errar o chute, vai ter que beijar a Denise”
Claro que eu sofria.
(...)
Sempre sonhei que um moço ia aparecer na minha janela, aquela na qual eu fico todos os dias à tarde, e ia me levar daqui. Cidadezinha ruim essa!
Ele ia chegar da capital e ia ter roupa engomada.
(...)
Pois que um dia apareceu uma cigana aqui no fim de mundo, eu fui escondida de minha mãe até a velha que botava carta da sorte.
Cheguei lá e a mulher disse que se espantou com a minha feiúra!
“Faz mal não, já acostumei, coloca logo carta, mulher!”
Foi que a cartomante fez a boca em formato de O quando viu minha sorte.
Disse que não acreditava e ia tirar de novo. Fiquei foi bem curiosa.
Deu o mesmo destino. Mesma carta.
“Mas é claro, destino não se muda, dona cigana!”
A mulher disse assim que na carta falava que iam aparecer muitos homens na minha vida, todos embaixo da minha janela.
Saí de lá e fui direto à Casa de Perfumes. Comprei água de colônia, talco e maquilagem.
Pois foi que passei a chegar toda tarde na janela como fazia antes, mas agora, aprumada!
Demorou um pouquinho, mas a profecia se concretizou.
Foi ontem, eu tava com o cotovelo já doendo de parapeito de janela quando ouvi os primeiros acordes!
Quando vi, eram vários homens me querendo!Todos rindo e tocando instrumentos para mim!
De certo que a cidade toda se chegou na janela, mas eu já mandei avisar pra fofoqueira que aquela música toda fora para mim, uma serenata dos meus homens!
Hoje já coloquei vestido novo pra esperar a volta deles, pode ser que fiquem mais tempo embaixo da minha janela dessa vez!
Também sei que é verdade que, na escola, os meninos me escolhiam pra ser castigo pros outros. “Quem errar o chute, vai ter que beijar a Denise”
Claro que eu sofria.
(...)
Sempre sonhei que um moço ia aparecer na minha janela, aquela na qual eu fico todos os dias à tarde, e ia me levar daqui. Cidadezinha ruim essa!
Ele ia chegar da capital e ia ter roupa engomada.
(...)
Pois que um dia apareceu uma cigana aqui no fim de mundo, eu fui escondida de minha mãe até a velha que botava carta da sorte.
Cheguei lá e a mulher disse que se espantou com a minha feiúra!
“Faz mal não, já acostumei, coloca logo carta, mulher!”
Foi que a cartomante fez a boca em formato de O quando viu minha sorte.
Disse que não acreditava e ia tirar de novo. Fiquei foi bem curiosa.
Deu o mesmo destino. Mesma carta.
“Mas é claro, destino não se muda, dona cigana!”
A mulher disse assim que na carta falava que iam aparecer muitos homens na minha vida, todos embaixo da minha janela.
Saí de lá e fui direto à Casa de Perfumes. Comprei água de colônia, talco e maquilagem.
Pois foi que passei a chegar toda tarde na janela como fazia antes, mas agora, aprumada!
Demorou um pouquinho, mas a profecia se concretizou.
Foi ontem, eu tava com o cotovelo já doendo de parapeito de janela quando ouvi os primeiros acordes!
Quando vi, eram vários homens me querendo!Todos rindo e tocando instrumentos para mim!
De certo que a cidade toda se chegou na janela, mas eu já mandei avisar pra fofoqueira que aquela música toda fora para mim, uma serenata dos meus homens!
Hoje já coloquei vestido novo pra esperar a volta deles, pode ser que fiquem mais tempo embaixo da minha janela dessa vez!
sábado, 18 de abril de 2009
Capitu
Depois de ler tudo aquilo, ela teve náuseas.
A cada letra parece que uma víscera sua saía do lugar e se enlaçava em outra.
Começou a sentir mal, tonteira, enjôo.
Sentiu o vômito beijar sua língua e o engoliu.
Para que aquilo tudo?
Desesperador.
Ela tinha vontade de ter escolhido nascer sem os olhos, pois parece que começava a ver o efeito que aqueles olhos causavam. Seu olhar.
Nem se fosse cega adiantaria. Aqueles olhos continuariam ali, seus olhos que ela sabia que tinham poder, que atraíam qualquer um a cada pensamento seu.
Queria escolher arrancar seus olhos e deixar um grande buraco vermelho de nervos no lugar, para que todos a olhassem e vomitassem, e não mais tivessem atração por aqueles olhos que puxavam corpos.
A cada letra parece que uma víscera sua saía do lugar e se enlaçava em outra.
Começou a sentir mal, tonteira, enjôo.
Sentiu o vômito beijar sua língua e o engoliu.
Para que aquilo tudo?
Desesperador.
Ela tinha vontade de ter escolhido nascer sem os olhos, pois parece que começava a ver o efeito que aqueles olhos causavam. Seu olhar.
Nem se fosse cega adiantaria. Aqueles olhos continuariam ali, seus olhos que ela sabia que tinham poder, que atraíam qualquer um a cada pensamento seu.
Queria escolher arrancar seus olhos e deixar um grande buraco vermelho de nervos no lugar, para que todos a olhassem e vomitassem, e não mais tivessem atração por aqueles olhos que puxavam corpos.
O fumacê e os meus miolos
Eu cheguei à esquina quando vi meu ônibus parado no ponto.
Imediatamente, apressei-me puxando a pesada mala de carrinho e carregando curvada a mochila de toneladas. Duas semanas longe de casa e da comida de Amélia.
Acontece que, quando fui atravessar a rua, pra ficar desesperada e quase ser atropelada pelos carros da pista onde moro, veio um fumacê, assim, bem do meu ladinho!
Toda a névoa branca com cheiro ruim embaçou minha visão de qualquer ônibus e qualquer carro. Eu entrei no meio da fumaça toda, engolindo, tossindo e fazendo uma mulher má, que estava na calçada, rir para mim, ou de mim.
Mas o ônibus se foi. Claro que não deu tempo.
Mas não era aquele que eu ia pegar mesmo, apesar de que daria para pegá-lo também!
Acontece que fui pro ponto então.
Esperei um bem pouquinho quando vi um possível meu ônibus se aproximando.
Acontece que entrou um outro ônibus na frente, tampou minha visão e minha chance de dar sinal pro motorista que, claro, foi embora e me deixou pra trás.
Ódio.
Tinha um cara no ponto que sabia que eu ia pegar aquele, que sabia que eu estava esperando e já tinha perdido um. Nem pra dar sinal pra mim, nem pra me mandar gritar, nem pra me avisar que aquele era o meu ônibus.
Mundo hostil,” o mundo todo é hostil.”
Que raiva.
É aí que começa minha divagação interessante.
Naquele ponto de ônibus, da cidade pouco bonita, eu tive tanta raivinha que comecei a delirar.
...Imagina se quando aquele ônibus idiota e verde tivesse parado na frente do MEU ônibus, eu tivesse pegado minha mala de carrinho e começasse a socar, socar, socar muito a lataria do grande carro.
Iria desgovernadamente amassando toda a lateral daquela condução verde ridícula. Quebraria os vidros, surtaria e o mundo conheceria minha ira.
Depois, pegaria o resquício de força e iria numa voadora atroz em direção àquele que não me deu notícia que meu ônibus chegava. Iria até ele voando com meu carrinho, minha arma branca, nas mãos, direto e pá, na cara dele, até ele cair para trás como em desenho animado.
Incrível!
Depois eu cairia, exausta de tanta raiva e revolução interior, cairia por sobre minha mala e mochila e dormiria um sono tranqüilo e calmo de quem fez uma excelente catarse...
Ainda bem que existe a imaginação!
Imediatamente, apressei-me puxando a pesada mala de carrinho e carregando curvada a mochila de toneladas. Duas semanas longe de casa e da comida de Amélia.
Acontece que, quando fui atravessar a rua, pra ficar desesperada e quase ser atropelada pelos carros da pista onde moro, veio um fumacê, assim, bem do meu ladinho!
Toda a névoa branca com cheiro ruim embaçou minha visão de qualquer ônibus e qualquer carro. Eu entrei no meio da fumaça toda, engolindo, tossindo e fazendo uma mulher má, que estava na calçada, rir para mim, ou de mim.
Mas o ônibus se foi. Claro que não deu tempo.
Mas não era aquele que eu ia pegar mesmo, apesar de que daria para pegá-lo também!
Acontece que fui pro ponto então.
Esperei um bem pouquinho quando vi um possível meu ônibus se aproximando.
Acontece que entrou um outro ônibus na frente, tampou minha visão e minha chance de dar sinal pro motorista que, claro, foi embora e me deixou pra trás.
Ódio.
Tinha um cara no ponto que sabia que eu ia pegar aquele, que sabia que eu estava esperando e já tinha perdido um. Nem pra dar sinal pra mim, nem pra me mandar gritar, nem pra me avisar que aquele era o meu ônibus.
Mundo hostil,” o mundo todo é hostil.”
Que raiva.
É aí que começa minha divagação interessante.
Naquele ponto de ônibus, da cidade pouco bonita, eu tive tanta raivinha que comecei a delirar.
...Imagina se quando aquele ônibus idiota e verde tivesse parado na frente do MEU ônibus, eu tivesse pegado minha mala de carrinho e começasse a socar, socar, socar muito a lataria do grande carro.
Iria desgovernadamente amassando toda a lateral daquela condução verde ridícula. Quebraria os vidros, surtaria e o mundo conheceria minha ira.
Depois, pegaria o resquício de força e iria numa voadora atroz em direção àquele que não me deu notícia que meu ônibus chegava. Iria até ele voando com meu carrinho, minha arma branca, nas mãos, direto e pá, na cara dele, até ele cair para trás como em desenho animado.
Incrível!
Depois eu cairia, exausta de tanta raiva e revolução interior, cairia por sobre minha mala e mochila e dormiria um sono tranqüilo e calmo de quem fez uma excelente catarse...
Ainda bem que existe a imaginação!
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Aline.
Ontem eu vi a menina morena que virou mulher
a menina que eu guardei porque tinha, no pulso,uma mancha de nescau que derramou.
Ontem eu vi que eu tô vendo tem tempo
que eu sei viver sem ela não,a morena.
Pode ser que eu tenha achado que depois íamos mesmo nos afastar
mas, que nada!
Apesar da distância,foi que ficamos mais juntinhas
tipo café com leite (se eu não tiver tomado sol)
tipo maçãs, cada uma com sua metade.
E hoje digo,meu amor por você é cláusula pétrea!
a menina que eu guardei porque tinha, no pulso,uma mancha de nescau que derramou.
Ontem eu vi que eu tô vendo tem tempo
que eu sei viver sem ela não,a morena.
Pode ser que eu tenha achado que depois íamos mesmo nos afastar
mas, que nada!
Apesar da distância,foi que ficamos mais juntinhas
tipo café com leite (se eu não tiver tomado sol)
tipo maçãs, cada uma com sua metade.
E hoje digo,meu amor por você é cláusula pétrea!
terça-feira, 14 de abril de 2009
nota vermelha(cor de Almodóvar) do dia.
Hoje eu lavei a louça sem luvas.
É porque já não há uma razão maior para mantê-las tão vermelhas.por essa semana.
É porque já não há uma razão maior para mantê-las tão vermelhas.por essa semana.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Cotidiano
-genteee, não tem água pra beber!
-ué, não tem pão, comam brioches, não tem água, bebam cerveja!
(morar com Ana Karolina Leones e Bianca Carbogim)
-ué, não tem pão, comam brioches, não tem água, bebam cerveja!
(morar com Ana Karolina Leones e Bianca Carbogim)
terça-feira, 7 de abril de 2009
crise renal
E, se me disserem que comer bosta CURA pedra nos rins, eu como(!), sem nem precisar de água pra descer!
sábado, 4 de abril de 2009
Dia 31 de março de 2009.
Essa semana teve um dia que foi diferente.
diferente de todos os anos, de todos os dias, de todos, de todos.
é, eu me lembrei de você. Ao contrário do ano passado, que eu liguei pra sua casa uns dias depois. e nesse dia, nesse dia 31 de março de 2009 eu declarei ser o DIA INTERNACIONAL DA SAUDADE EM MEU CORAÇÃO.
eu lembrei de você e te pedi um presente do seu aniversário.
eu lembrei de uns anos atrás, tinha fantasia.
Vou colocar aqui, aquela nossa velha brincadeira. A maioria já conhece, mas eu quero colocar mesmo assim,tá?!
Para:Beta/De:Isa
Uma menina me ensinou quase tudo que eu sei
Ela queria tudo ter: estrela, flor,estilo.
A minha grande,
A minha pequena,
A minha honey baby
Naturalmente ela sorria,
Foi assim que a conheci
Menina do anel de lua e estrela,
Um raio de sol no céu da cidade
Penso em você, fico com saudade!
Plantei uma flor no coração dela, e ela me deu um sorriso trazendo paz.
És parte ainda do que me faz forte.
Hoje à noite não tem luar,
E eu estou sem ela
Vai ser difícil sem você,porque você está comigo o tempo todo.
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Lembra que o plano era ficarmos bem?
Mas não chore lágrimas de dor que molham o chão
E só fazem brotar semente chamada solidão.
A dor não presta, felicidade sim!
Na verdade, eu não vou chorar e hoje sei o que a Terra veio me ensinar.
Os olhos já não podem ver, são coisas que só o coração pode entender.
Como um anjo lindo
Mais leve que o ar, tão doce de olhar, que nem um adeus pode apagar.
O sol ensolará a estrada dela!
diferente de todos os anos, de todos os dias, de todos, de todos.
é, eu me lembrei de você. Ao contrário do ano passado, que eu liguei pra sua casa uns dias depois. e nesse dia, nesse dia 31 de março de 2009 eu declarei ser o DIA INTERNACIONAL DA SAUDADE EM MEU CORAÇÃO.
eu lembrei de você e te pedi um presente do seu aniversário.
eu lembrei de uns anos atrás, tinha fantasia.
Vou colocar aqui, aquela nossa velha brincadeira. A maioria já conhece, mas eu quero colocar mesmo assim,tá?!
Para:Beta/De:Isa
Uma menina me ensinou quase tudo que eu sei
Ela queria tudo ter: estrela, flor,estilo.
A minha grande,
A minha pequena,
A minha honey baby
Naturalmente ela sorria,
Foi assim que a conheci
Menina do anel de lua e estrela,
Um raio de sol no céu da cidade
Penso em você, fico com saudade!
Plantei uma flor no coração dela, e ela me deu um sorriso trazendo paz.
És parte ainda do que me faz forte.
Hoje à noite não tem luar,
E eu estou sem ela
Vai ser difícil sem você,porque você está comigo o tempo todo.
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Lembra que o plano era ficarmos bem?
Mas não chore lágrimas de dor que molham o chão
E só fazem brotar semente chamada solidão.
A dor não presta, felicidade sim!
Na verdade, eu não vou chorar e hoje sei o que a Terra veio me ensinar.
Os olhos já não podem ver, são coisas que só o coração pode entender.
Como um anjo lindo
Mais leve que o ar, tão doce de olhar, que nem um adeus pode apagar.
O sol ensolará a estrada dela!
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