domingo, 26 de julho de 2009
nuvem
Dormindo serena sorrindo simpática de se ver em um lençol de fundo branco decorado por grandes flores, ela acordou perto de meio dia, mas pelo sol de inverno, parecia ser pouco mais de oito.
Acordou com a liberdade fazendo carinho no seu rosto, veio um ventinho de descompromisso que fez cócegas entre seus dedinhos do pé e ela resolveu abrir devagar os olhinhos, espreguiçando ainda.
Hoje a poesia acordou cantando, foi tirada pra dançar e virou música!
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Com quem será?
estão todos sorrindo
batendo palmas, cantando para mim
eu estou olhando o bolo bonito, as velas
mas não sei onde colocar as mãos.
e se eu fosse o primeiro a voltar pra mudar o que eu fiz
quem então agora eu seria?
ahh... tanto faz e o que não foi não é
eu sei que ainda vou voltar
mas eu quem será?
e se eu for o primeiro a prever e poder desistir do que for dar errado
se não sou eu,quem mais vai decidir o que é bom pra mim?
(dispenso a previsão)
se o que eu sou é tambem o que eu escolhi ser
(aceito a condição)
vou levando assim,que o acaso é amigo do meu coração."
Rodrigo Amarante.
domingo, 19 de julho de 2009
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Foi quando apareceu aquela que se deitou em minha cama e me ensinou a escrever de trás para diante. Zelosa dos meus escritos, só ela os sabia ler, mirando-se no espelho, e de noite apagava o que de dia fora escrito, para que eu jamais cessasse de escrever meu livro nela. E engravidou de mim, e na sua barriga o livro foi ganhando novas formas, e foram dias e noites sem pausa, sem comer um sanduíche, trancado no quartinho da agência, até que eu cunhasse, no limite das forças, a frase final: e a mulher amada, cujo leite eu já sorvera, me fez beber da água com que havia lavado sua blusa."
Budapeste- Chico Buarque
terça-feira, 14 de julho de 2009
Julho.
Que eu esteja com família e filhos pequenos, em julho, eu ainda me lembrarei daquele julho de 2006. Que eu esteja velhinha e com netos rapagões, em julho, eu ainda me lembrarei daquele julho de 2006, mesmo que você já não esteja mais comigo, como estava naquele julho de 2006.
Depois desses anos, eu ainda não consigo descrever o que aconteceu exatamente naquele mês.Na época, lembro-me que eu tentei descrever, escrever, dizer, mas, na verdade, eu acho que nunca conseguirei passar a ninguém como eu me senti.
Posso dizer que fui transportada para um lugar,o mais lindo que se possa existir.Parada na Cidade Maravilhosa, entre buzinas, sol, artistas, praia, shoppings,teatro eu não estava ali.Cheguei ao Rio e encontrei algo como um portal da cor de azul céu mais que belo e ali entrei. Havia música, as minhas preferidas na época, havia explosão de cores, eu e você. Parece tão clichê,porque também havia praia, mas eu juro que não era bem assim.Porque durante aqueles dias que ali fiquei, eu só vivi nesse lugar e não conseguia, em momento algum, desgrudar os olhos daquele portal azul, eu não conseguia me manter ali, na realidade, quando eu via, estava lá.
Eu queria que todos os julhos fossem como o Julho de 2006, eu só queria poder voltar para aquele lugar, assim, sem nem ter que comprar passagem.
Aquele lugar parece me completar, reabastecer minhas energias, é a praia mais bela que há.Não é o Rio de Janeiro, nem Fernando de Noronha, nem Costa do Sauípe, eu não sei o nome do lugar, eu não sei e não preciso saber, por favor, eu só preciso voltar, voltar em todos os meses de Julho da minha vida.
domingo, 12 de julho de 2009
pedido.
Fizemos poemas pra estrela que, como nós, estava solitária no céu, ao lado da lua.
Solitária, ainda brilhava. Lindamente.
Andamos 2km olhando para o céu.
Exaltamos nossa juventude, os beijos dos minutos anteriores, os casos mais sérios, os desesperos, as dores, a política.
Amanhecia.
Cantamos cazuza e andamos 2km olhando para o céu.
Meu sonho na vida, assim, quando eu crescer, é ser completamente louca!
"Minha terra tem palmeiras, onde canta o pica-pau.
Não permita Deus que eu morra sem que eu volte pra Rural" , por favor.
sábado, 11 de julho de 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009
A mulher nunca havia se apaixonado, não se orgulhava disso, mas não deixava
de ser deliciosamente desafiador.
16:37, tarde de inverno. Céu azul, sol, dia
de semana normal. Seria, não fosse o que iria ocorrer na vida da
mulher.
Marina subiu para a cobertura do prédio mais alto da pequena cidade
que morava, ligou a música e ficou a observar.
O sol estatelando na cara e no
corpo dela, o samba de Jorge Ben que tocava em seus ouvidos. A cidade.
A
cidade seguia no seu ritmo normal, mas com a música, ela sambava também.
Os
carros sambavam no viaduto. Dona Teresa passava com sacolas de compras.sambando.
O andar de Luciana, a vizinha mais chata de Marina, tornou-se mais leve, porque
Luciana sambava enquanto reclamava com os homens do lavador de carros. E Marina
ria, ria insuportavelmente feliz de toda a situação.Quando viu, também sambava.
E imaginava ser cada mulher da Pavuna Terezinha Denize rei de Jorge vestida
todinha de rosa ou de branco a girar que maravilha. Foi quando viu sua sombra na
parede, sambando, os cabelos cacheados rodando com o ritmo da música, pés
descalços, vestido engolindo o corpo de malemolência de Marina e, de repente a
mulher parou.
Sentiu dentro de si com o calor delicioso do sol na cara e no
corpo um sentimento nunca antes experimentado. Uma vontade de dar a mão para
aquela sombra e ir pra qualquer lugar que tivesse um céu azul, mais nada. Uma
vontade de dar a mão para aquela sombra e pular de um penhasco morrendo de rir.
Marina havia se apaixonado pela primeira vez.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Vovó e Vovô passeiam
Vovó e Vovô passeiam
Dão nome a pequenina cidade que tem
praça sorvete
igreja jardim
Vovô contou para Vovó de quando viu aquela casa ser
construída
Vovó disse que já não suporta mais tanta repetição
Na vida
social de vovô e vovó
Caminhada cedinho café da manhã sem doce para vovó
diabética
Ele gulosinho que gosta de comer doces
Almoço quentinho fumaça
que sobe da panela é casa de vó de cabelos branquinhos com biscoito
amanteigado
Soninho da tarde roncos adoráveis
Mais de 60 anos de
ouvido
Vovó e Vovô passeiam
Caminhada da tarde. Ele conta que saltou de um bonde carioca para que ela o visse e quebrou o braço . Fratura de amor. Ele conta que seu pai lhe disse que ele estava se embriagando no primeiro gole de primeira namorada hoje sua mulher há 60 anos de ouvido de ronquinhos no final da tarde de passeio pelos paralelepípedos que parecem contar histórias. Histórias de Vovô e Vovó.
Eles não sabem, mas eu conto o segredo que não podem ver:
no peito de cada um,assim, embaixo dos panos de camisa, pulsando no
coração, há um porta jóias lindo, daquele que se carrega com a foto do
amado,antigo, em forma de coração brocado em dourado prata e pedras preciosas.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Meus oito anos
(em 2050)
Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Livre filho no playground,
quando a babá vinha
atrás de minhas pequenas travessuras.-Eu nem me sujava!
Naqueles tempos ditosos
ia colher meus jogos de videogame
trepava na cadeira do computador para fazer meu orkut
brincava no MSN
Naquelas tardes fagueiras,
Sem nenhuma bananeira
(Porque banana nasce no supermercado.)
De frente pra tela da televisão.
Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Oh dias de minha infância,
Oh meu céu de apartamento !
50'
Daquela que tem uma cara assim de
botão de rosa chá
Que jeito de boneca é esse?
Tem cílios de Emília
Cabelos curtos pretos lisos anos 50
A mulher que parece uma menina perdida no ano 2000 ia tomando seu capuccino e falando frases que eu não conseguir entender
o som tava bloqueado no ambiente.
Bloqueado pelo cheiro que vinha dela
Eu só via a boca se mexendo em expressões de cara de quem triste e vem desilusão.
Um sorriso.
porque a mulher que pode ser tão romântica ao portar pérolas muito antes de qualquer mulher acredita .
Acredita em flor, amor e outras rimas.
.
A história costuma se repetir.
Julieta e Isolda.
Imperadores. Golpes militares.Ditaduras. Revoluções.
Eu não sei se chegam a ser
tão fielmente parecidos, mas
A história costuma se repetir.
O que vale é que, quando Romeu achar Julieta morta, saberá que ela não estará, na verdade,morta porque
A história costuma se repetir.
Então ganha a graça, porque Romeu só vai se matar,
novamente,
se quiser.
No silogismo brilhante:
A história costuma se repetir.
( se você quiser.)
.
sábado, 4 de julho de 2009
Biscoito expresso.
Tô contemporânea cheirando a café.
Tô querendo um chá pra discutir
filosofia.
Encanta-me a capacidade lingüística dos nobres de
eloqüência
além da forma como se expressam
(d i c ç ã o )
ao abrir
bocas cheias de dentes e
são tão filósofos.
são tão atores.
Quero esse mundo pra mim.
Terra deles tem som de aplausos.
O problema é que eu já cansei. Eu canso rápido. Intensa na maneira de viver, eu já vivi dois séculos e você ainda tá falando a mesma coisa que eu já mudei de assunto há 10 segundos. Vamos pra outra, meu bem. Senta aqui toma uma dose comigo acende um cigarro dá uma relaxada. Mas não vem de papo brabo. É que eu to cansada.Não, não há tristeza, sem drama. Só me permito tristeza em Paris, ouvindo Piaf.O resto que sinto é misto de raivinha que me impulsiona a viver e a rir, gargalhar.Mas eu não ligo mais, de jeito nenhum, pra essas caras tristes fingindo que a gente não existe. Eu to me sentindo bem aqui.Mais uma dose!Ela tá chorando porque as amigas que usam grife fingiram que não a viram e eu a convidei para bailar muito, aprendi com a vida!E se você passar na rua e não me olhar, eu também não te vi, juro! Sou míope!Faz o favor de não falar muito, não me procurar muito, cada um pro seu lado e, quando a gente se encontrar, eu limito o tempo do beijo, se eu quiser beijar.Não fica me ligando,tá? Vamos jogar nossos celulares do penhasco e depois morrer (de rir) e continuar vivendo com um brinde! Não me manda mensagens românticas, coisa de dar boa noite. Mais uma dose!Não me cobra horário nem visita nem ligação nem sorriso nem cara bonita nem magrelices, se você puder então, não abra mais a boca...Seria perfeito, mas ninguém o é,... logo, mais uma dose!
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Dois cafés e a conta por. Zé
-sim.
-Pra resumir, eu me apresentei como Marina. Papo vai, papo foi, papo vem e vai. "é que... na verdade, eu não me chamo Marina..." E ele disse "Eu sei, você é irmã do Pedro, mas se parece mais com seu irmão mais velho que esqueci o nome e eu tava vendo até que horas você ia manter essa história escrota..."
-HAHAHAHAHAHAHAAHAHA, que ótimo, minha cara!
-é, ri mesmo, eu também morri de rir, acredite!
-ótimo. Mas não pare com isso, imagina se todos soubessem meu nome de verdade? E meu nome da poesia?
- Desde então não minto nomes. Mentira. Menti sim, mas isso é verdade.
-É melhor ficar com esse rótulo descartável. Eu minto. Você mente. Sabe a razão?
-qual?
-a gente mente quase sempre, porque a gente escreve e pensa que é poeta, poetisa.
E então, quando a gente, que se imagina poeta, sabe que o outro tem a mesma capacidade de imaginar e perceber as coisas como a gente,a gente tende a omitir, pra não mentir...
porque mentir pra quem pensa como você é burrice.
A outra pessoa sempre desconfia que acha que conhece a verdade por trás dos olhos.
Quem escreve, pelo menos eu, não gosta de ficar falando quando quer ser entendido...
Se fosse pra ser assim eu seria metido a ator,mas eu sou metido a poeta.
E eu imagino que as pessoas, assim como eu,entendam que eu precise silabar meus pensamentos.
-Mais um café, por favor! Mais um café pro mês que vem. Mês de Agosto, Agosto dos Deuses.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
De quina.
O quanto te ensinei
...
Não há por que voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez.
O que fazes sem pensar, aprendeste do olhar
e das palavras que eu guardei pra ti
Não penso em me vingar,não sou assim.
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso,vale mais o coração!
Já que não me entendes, não me julgues,não me tentes!
O que sabes fazer agora,
veio tudo de nossas horas
eu não minto, eu não sou assim.
Ninguém sabia e ninguém viu,que eu estava a teu lado então.
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha, minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor ..."
Renato Russo
.
domingo, 28 de junho de 2009
codinome X.
Eu idolatro cada lágrima.
A dor insuportável que surge no meu peito é a mesma que me consola.
Era disso que eu precisava para voltar a crer.
O desespero é o que vem me acalmar.
Que deliciosa dor de amor que posso sentir.
Eu não sei o que aconteceu, mas quando vi, eu estava aos prantos.
Eu já sabia que amor só era bom quando doía, agora senti isso na pele,
Como ferro quente me marcando.
Ah, obrigada por me sentir Álvares de Azevedo.
Obrigada por ter uma dor de amor invadindo o meu peito e me fazendo chorar.
É possível.
Eu não sei se você vai entender, mas é que não é possível viver de passado.
Não se pode ficar revirando pelo estômago cenas e carinhos passados como se fossem de agora, não carece, não faz bem.
É possível que eu tenha acabado de entrar para a geração do Lord Byron, que eu passe a acreditar que eu não precise ser amada, mas que eu apenas ame.
Ame de verdade, da forma mais sublime e pura que possa haver de amar.
O choro traz a esperança para quem um dia acreditou que só vale passar nessa vida, caso se ame e, que agora, vê que é possível voltar.
O furto
Foi andando lentamente, como que olhando para os lados.Era o seu maior crime e a possibilidade de ser encontrada na cena dele a excitava.
Quando chegou e ficou de frente para a flor mais bonita, era como se tivesse cruzado a linha de chegada, agora faltaria pouco para tomar o objeto de desejo pelas mãos.
Pegou.
E no momento que pegou, sentiu seu coração ser maior que seu corpo e ouviu o único barulho do lugar ser sua pulsação. Ela não conseguia mais se mexer porque todo o seu corpo estava ocupado em bombear seu sangue que o coração já não dava mais conta de viver para outra coisa.
Seu sangue de ladra, ladra de flores, ladra de rosa.
Cheirou com todo o olfato que um ser humano é capaz de ter. Cheirou fundo o perfume da flor que o homem tinha dado pra mulher.
Esmagou, espremeu a flor mais bonita do buquê nas mãos e depois
comeu.
comeu até o talo e os espinhos, que era para cada um deles cortar sua garganta,
garganta de ladra de rosas.
sábado, 27 de junho de 2009
Isabela e sua péssima mania.
Meus olhos se embaçaram que eu não conseguia mais ver a nitidez pela janela do ônibus.
Meu peito se apertou e eu senti a corda em meu pescoço.
A corda.
A corda da contagem regressiva.
A contagem regressiva tem me atormentado os dias.
De repente,surge em mim a vontade de fazer tudo o que não fiz nesse tempo que tive.
O tempo está acabando e eu começo a ver as belezas do caminho que passei e não vi.
O problema todo começa pela minha estranha mania.
A minha estranha mania de me adaptar.
Eu sempre me adapto e , aquela história que tinha tudo pra ser ruim, fazer-me chorar até querer ir embora, faz-me sair sorrindo, feliz e pedindo bis.
Eu tenho a insuportável mania de ver o lado bom das coisas.
A situação começa ruim, insuportável, eu não deixo de reclamar.
Conforme vai passando, vou me acostumando de tal forma a passar a amar o que está acontecendo. Em minha tela mental, passam os momentos mais bonitos com trilha sonora e eu não tenho mais vontade de sair daquela que era a pior situação dos mundos.
Como a vida adora brincar comigo (e eu também adoro isso, porque sempre dou risada no fim), quando eu estou, finalmente, bem naquela situação que era das piores, ela vai e me sugere uma nova opção, ou melhor, a mais sonhada das opções.
Diga-me a razão da festa sempre ficar muito boa na hora de ir embora?
Abro espaço pra dizer que eu não suporto o tom cotidiano que esse blog tem tomado, mas você não lê e ninguém lê, então... que me deixe escrever pra tentar me entender, antes que eu desista.
Eu não vou sofrer tanto assim, não vou deixar a contagem regressiva me estrangular.
Vou levantar da rede, tirar os sapatos e sair pra correr.
Chegando lá, eu dou a mão pro destino e a gente pula numa poça d'água pra se sujar
deliciosamente.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Blues
Marcos,
Meus olhos de onça
não estão mais com paciência pra gente mimada.
Minhas garras pintadas de vermelho 40 graus
não estão mais com saco pra ouvir criança chorando por amor.
Tô sem saco pra falação,
preferia quando a gente começava a rir da tragédia
e depois se beijava com gosto de devorar.
É bom que o mundo entenda de uma vez por todas que eu não sou de ninguém.
E, talvez, nunca serei.
Sou minha, só minha.
O que eu faço com você é poesia pra driblar o tédio.
Não me ligue quando acordar!
Carmem.
.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
A menina e o mar
Ele veio, mesmo sem tatuagem
E usou.
Usou. Abusou do afeto, do apreço.
Iludiu, seduziu.
Chamou de preta, cheirou o cangote
Como um marinheiro, ele a engravidou de esperanças.
Mas para o cara que chega ao porto, era só uma brincadeira
Era só um recreio no meio de uma longa viagem no mar.
Era só um intervalo
Uma hora de brincar.
Agora ela ficaria ali esperando parada pregada na pedra do porto (e viva Chico!)
Como um brinquedo. Usado.
Menina, há mais coisas belas no mar do que marinheiros!
..
sábado, 20 de junho de 2009
sabor de fruta mordida
Venha cá que eu te darei um sorriso leve pro seu coração ficar quente de sol.
Eu sou dona menina do meu samba
Eu pareço ter um universo só meu
ter meu mundo colorido que você pode entrar, se quiser.
Me dê a mão, esse mundo não é tão irreal.
Vou cantar uma melodia lenta pra te hipnotizar. devagar.
Por vezes sou tão desprezível
Por outras, sou tão encantadora
A água desce do rio cristalina e nós vamos mergulhar nesse mundo
Beber da água.
Olha minha cara,
eu tenho um melhor e um pior.
Vamos dançar lentamente.
Me retrate, me desenhe, me estude geograficamente. não ligue pra ênclise.
Vem cá, não tenha medo.
Venha com pés de lã, com cuidado, para não se perder no meu universo.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
pressão atmosférica
Havia um desespero no ar, um ar abafado.
Ela sentia dentro de si um peso.Uma angústia no peito, uma dor.
Achava que pudesse ser um desses pressentimentos que avó sempre lhe fala que sente.
Pensava em toda a sua vida,
em tudo que ainda iria passar e
procurava motivo para aquele sentimento estranho...
Foi quando sentiu uma força subindo,
como um soco do estômago que atingiria seu queixo.
o aquilo, o peso, iria sair de dentro dela, como um filho.
Arrotou.
E voltou a se sentir leve, sem nenhuma bobeira de premonição de algo ruim.
Gargalhou que dava pra ver suas amígdalas.
Leve.
sábado, 13 de junho de 2009
gradicida,
Para num ponto e vira.
A Isa exclama sem nenhuma palavra...
Sorrindo sobre o ponto e virgulas.
por Peter Zoster - http://www.peterzoster.blogspot.com/
ô minha frô,
De querer limitá-la, mania de organizar,
planejar cada viver,cuidar anteriormente de cada choro.
planejar meticulosamente a freqüência de cada gargalhada.
Ei, você, minha flor...deixa a vida se viver sozinha, não a pressione tanto, vá...
Deixa a vida andar descalça, sem se preocupar se vai sujar os pés
Deixa a vida se viver.
Deixa que ela se leva, não se planeja, vive o que acontece.
Deixa que ela come quando tiver fome. dorme quando tiver sono.
Deixa que ela faz o que tiver vontade, quando tiver vontade.
sem planos.
sem ter que comer pipoca só depois que começar o filme
Deixa a vida sorrir de leve
andar devagar, sem pressa
comer saboreando e ouvindo a sua música preferida!
Sol quente.
-E você, garota, o que tu mais gosta de fazer na vida?
-De Rir. Rir até fechar os olhinhos.
E a menina danou-se a rir...
...porque o riso é o sol que todo mundo tem a oportunidade de fazer nascer!
.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
samba.
Curvilíneo, se fazia em um grande tobogã do prazer ao rebolar
toda a malemolência morava ali
Era o samba em sua forma viva, com nome, dois seios, ancas largas e pele mulata.
Era Rita Baiana.
Era quem fosse que seria que seja que vá ser que foi ela
Tinha seus
pés de casca branca de lavar a roupa nas pedras do rio descalços naquele terreiro gostoso,
os pés esfregavam a terra,
levantando poeira que subia por entre aquelas pernas negras se misturando a chita da saia da preta.
E eu, homem feito, pai de família, olhava aquela cena transtornado.
Eu estava vendo o samba, minha gente, em pele, osso e carne, quanto carne!
No meio de tanta moleza de corpo, de jeito, de ginga, de roda, de bola
havia um sorriso branquíssimo no centro daquela pele negra e uns cabelos que se deixavam cair em cachos.
Mas dessa parte da Rita eu não me lembro não, tava hipnotizado
pela roda da saia que roda e levanta a terra que sobe pra beijar as pernas que eu não posso beijar.
comédia romântica.
Não sabiam nome, data, nada.
só gravaram. gravaram cada detalhe do outro.
E os olhares.que se cruzavam em um ambiente tão pouco propício pra sentir o que sentiam.
O que os olhos sentiam.o que as bocas pediam.
É que quando tem que acontecer, quando é pra fazer história, ela se faz.
Acontece o encontro, o acaso, o desejo.
É como se a vida se encarregasse dos encontros. e dos desencontros.
Eles se olhavam e por se olhar já sabiam tudo um do outro.
Como se sem uma palavra adivinhassem a cor preferida e o tamanho do pé.
Mas eu já deixei de ser romântica desde que nasci.
não vai ser depois de velha que vou passar a acreditar em...amor a primeira vista, vai...
domingo, 7 de junho de 2009
terça-feira, 2 de junho de 2009
.
Aquela que não quer se casar pra morar com um labrador e adotar uma criança e quer passar os finais de semana em família como um comercial de margarina.
Sou aquela que gosta muito de carinho na cabeça e que odeia quando ele começa a embolar seu cabelo.
Aquela que gosta de beijos intermináveis e que tem ânsia de vômito com tantos beijos um atrás do outro.
Sou aquela que não está nem aí pra ele e que se contorce de ciúmes dele.
Aquela que odeia romantismo e sonha em ganhar uma música no violão acompanhada de qualquer flor roubada do jardim do vizinho.
Tô querendo muito morrer de amor e continuar vivendo, me apaixonar loucamente e cometer loucuras, chorar à noite baixinho porque ele não disse ainda que me ama, ligar pra dar bom dia,ouvir uma música bonita e suspirar, tô querendo me pegar sorrindo do nada, não conseguir parar de pensar nele e contar os dias pra encontrar.será que ele me ama?
Tô querendo muito sair no final de semana, me envolver por uma noite, ficar, conversar e não passar disso. Tô contando os dias pra sair com as minhas amigas solteiras, beber e dançar até de manhã.Voltaremos mortas pra casa, acordar tarde no dia seguinte pra debochar das loucuras da bebida.Tô querendo ampliar minha rede de "amigos", pintar as unhas de vermelho, colocar um salto alto, pro meu celular não parar de tocar no domingo.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
O fantástico mundo de Luísa
Um mundo onde não se podia excluir as coisas, assim como não se deveria fazer com as pessoas.
Se precisasse escolher uma roupa, tinha mesmo um medo interno de que a outra roupa fosse chorar dentro do armário quando fosse guardada ali, rejeitada, tadinha.
Assim com tudo, sapatos,comida...
Mesmo com comida, que a menina não gostava de comer nada, mesmo assim.
É aí que entra a história.
Um dia, a mãe de Luísa, arrumando seu quarto, achou um potinho,era um cofrinho, em formato de coração, nele estavam umas sete batatinhas fritas, quase podres.
Coisa mesmo estranha.
Luísa havia guardado as batatinhas ali.
No almoço, hora que Luísa mais detestava, havia batata frita.
Ela gostava muito de batata frita.
A mãe mandou que ela acabasse de comer, mas ela não queria mais...sabe? Tava toda cheia assim, barrigão.
No entanto, Luísa via aquelas pobres últimas batatinhas.
Qual o problema com a sorte delas? Elas não tinham culpa de não terem sido atingidas pelo garfo antes, e terem sobrado ali, no prato, como aquelas meninas que sobram no final da escolha de time.
Sim, porque batatas eram meninas, as batatas.
Luísa olhava o lixo
Lixo sujo, do mal. Parecia ter uma cara de que ia se vangloriar em pegar todas aquelas batatinhas indefesas para si, para ir para o mundo dos sujos junto com ele e o homem do saco.
Luísa não pensou duas vezes. Tomou as batatas pela mão e colocou no potinho, para que elas não fossem levadas para aquele mundo e estivessem ali com ela, protegidas, sem choro.
Luísa não teve mais apetite e as batatas passaram a morar ali, com ela, até que sua mãe as achou e jogou no lixo.
O lixo da mãe não tinha cara, nem as batatas gritaram e começaram a chorar.
Quando a mãe as pegou e jogou no lixo, não teve história, nem drama,
nem vozes fininhas das batatinhas, nem risada maligna do lixo.
sábado, 30 de maio de 2009
hiato criativo x greve.
histórias.estórias.
inventadas,inspiradas, aumentadas, histórias, estórias.
quem conta um conto, ganha um ponto.
Acontece que. elas começaram a brigar aqui.
Elas estão existindo, mas não sabem sair daqui, não tem pés.
é o hiato criativo, a lacuna, a falta de inspiração.
Sei que devo e preciso escrever.
escrever qualquer coisa assim sobre você, sobre o amor,
sobre alguma dança ou qualquer criança bonita.
Mas, nada sai.
Ela me disse que era pra colocarmos em greve, mas eu disse que nosso hiato não era proposital, nem era um protesto.era, é, talvez, um castigo. um castigo das idéias.
olha a outra castigada : http://meninadasmares.blogspot.com/
domingo, 24 de maio de 2009
Domingo no parque.
que é pra eles me acordarem no domingo de sol, tão cedinho
com mil beijinhos e abracinhos, com bafinhos e olhos de remela
e cachinhos
vou vesti-los bem bonitinhos e eu também
tomarei aquelas pequeninas mãozinhas e andaremos no sol fraquinho,
buscando o parque centenário da minha bucólica cidade,
...tem trenzinho!
sábado, 23 de maio de 2009
o evitar.
O causar sofrimento em alguém, e saber disso é algo muito sério, vinho do mal que não se deve beber.
Deve ser por isso que há a fuga.
Evita, foge, some, não se apega para não ser apegado.
Tira o olhar, não liga e não chama.
Não retorna pra não ser apegado.
Não ser apegado pra evitar a decepção, evitar ser a decepção de alguém,
evitar o choro, ou antecipá-lo.
Evitar o sofrimento de alguém, ou apenas antecipá-lo.
É só mais uma das fugas de alguém.
e vai passar a vida toda assim?
evitando o apego pra evitar sofrimento (do outro)
e evitando. e evitando... (?)
segunda-feira, 18 de maio de 2009
A hora da estrela
Nem tão mal feita assim de corpo, mas desengonçada, magrela, pálida, corcunda.
Ela tinha acabado o Ensino Médio e agora estava no curso pré-vestibular.
Acontece que, até ali, os professores se recusavam a lhe dizer o motivo de seu apelido, sussurrado pelos cantos, entre fórmulas de física, ser Macabéa.
Ela nunca entendeu mesmo. Por vezes sentia curiosidade, perguntava. Eles desconversavam e morria ali.
Como um reflexo de sua cor de pele anêmica, a menina parecia estar sem força até para querer realmente saber a razão do estranho apelido.
(...)
Foi que ela passou no vestibular.Universidade pública.
Seria festa para qualquer pessoa, não tanto para ela.
Para a nossa pálida personagem, o ensino superior seria só mais uma continuação normal daquela vida mesquinha que nem ela se dava conta que levava.
Era uma situação normal.
bege como ela.
neutra.
(...)
Foi em uma tarde amarelo manga que essa Macabéa se deu conta de toda a sua vida.
Uma vida sem cores primárias.
Ela teve vontade de vomitar e levantou. Levantou e foi até ao prédio cinza de concreto de sua Universidade.
Último andar.
Tirou os sapatos como mandava a tradição.
E então, a menina que nunca soube porque era Macabéa encontrava,agora, a sua hora da estrela. cadente.
Trim.
aquele nome no visor. Luz azul.
Voltou pra cama, ainda com a mesma voz rouca de sono
voltou pra cama como que para saborear aquele momento.
Saborear aquele momento como quando se come aquele doce devagar,
com medo de acabar, comendo em pequenos pedaços,
sentindo o sabor na língua e querendo guardar pra sempre aquele gosto.
Desligou.
Há vozes que parecem que colocam a gente no colo, fazem carinho, pedem calma, desacelera a nossa respiração e dizem que tudo vai ficar bem com beijo na testa.
Há vozes que parecem que colocam no colo, estejam em Paris ou em Barra Mansa.
domingo, 17 de maio de 2009
Saudade
em Barra Mansa, e que dá nome a um bairro...
Bairro Saudade.
(...) algo parecido com isso foi dito na TV.
Rua
Mulher bonita. Muito bonita.
Semana passada era uma bem bonita junto de uma criança linda. Dessas de se olhar e de dar vontade de ter filho, parindo ali mesmo, no meio da calçada.
A cada semana é uma diferente.
Uma mulher bonita, que está sempre sorrindo, maquiada, acompanhada de criança ou homem também bonito.
Ela fica ali, como uma idiota, sorrindo insistentemente.
Não sei do que ri. E me dá raiva.
Eu saio de casa reclamando do calor, da cidade feia, da poeira, do sono e da fome
e dou de cara com aquela mulher.linda. olhando pra
pista da cidade que fica no meio da pista
e sorrindo, dentro de um ar condicionado, cheirosa, parece sempre que acabou de sair do banho e que a poeira do caminhão dali de tão perto não chega nem longe de tanta
beleza.
Ela olha o que?
Eu parei. Acompanhei seu olhar.
Ela tem seu campo de visão limitado. Umas três árvores meio amareladas, esturricadas de calor e de poeira, uns camelôs sem dom de vender,
gente feia passando de um lado para outro
gente meio que perdida no meio
do calor e daquelas ruas sem começo fim.
E a mulher fica lá. sorrindo. Rindo, bonita e cheirosa, olhando pra pista. Irritante.
Maldito outdoor do Boticário,
maldito contraste que faz com a cidade,
dá vontade de morar lá, ser bonita que nem ela e viver sorrindo, olhando pra estrada.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
manhã
Acordar com a sua companheira de casa te gritando
e tá passando mal me acode esquenta a bolsa de água quente pode ser pedra nos rins tá doendo ainda vou te dar buscopan liga pra sua mãe ela vai ficar nervosa melhor não hospital eu tenho medo de dar aquele negócio quando toma injeção come alguma coisa você tá vomitando de estômago vazio vou pedir ajuda a dona do condomínio tá pra itaguaí não sei onde fica o hospital que que faz? to com medo de ser apendicite é do lado direito também liga pra sua irmã que ela faz medicina a mulher da lanchonete aqui embaixo foi chamar o táxi o marido dela que trabalha na prefeitura vai pedir pra atender a gente antes que lá é confuso olha esse povo todo aqui não gostei desse médico ele tem cara de desenho animado tem certeza que não é apendicite né? mas a urina dela tá normal tá onde levo ela pra tomar o medicamento? injeção? karol você que vai entrar com ela eu vou desmaiar vamos pegar o potinho pra fazer o exame não melhorou a dor? faz xixi logo faz pensa no barulhinho da água daqui a quanto tempo? vamos pra casa almoça só um pouquinho bibi três garfadas da sopinha da karol e não se fala mais nisso tá dorme ouvindo little joy vou arrumar essa casa que bagunça tem tanta louça ufa dormiu acordou seu pai tá aqui vai pegar o exame beijos boa viagem melhoras me dê notícias amo você
quinta-feira, 14 de maio de 2009
filha do rei sol
Menina que costumava andar muito de verde, cabelão ondulado lavando as costas magrelinhas.
Ela se fazia feliz pelo simples fato de acordar cedinho e ter sol, mais nada era preciso pra arrancar um sorriso daquele rosto.
Saudade da menina que chorava sorrindo quando via as variadas folhagens das árvores iluminadas pelo sol, balançando com o vento.
A menina dava a mão pra outra e começavam a dançar, como que saltitando, ao ouvir os primeiros acordes de um reggae roots. onde quer que estivessem.
Lembro do dia que ela catou mais de 200 sementinhas embaixo de várias árvores, furou uma por uma pra fazer belo um cordão.
Ela gostava mesmo era de parar a cabeça pra cima assim,perto de árvores... dizia que as folhagens diferentes tavam se entrelaçando e com fundo azul de céu, formavam um quadro bonito. Quase ninguém conseguia ver também. Só ela e mais uma.
Foi tempo que ela esperava o ano todo pra subir a pedra da sereia ou fazer trilha do Convento da Penha de pé no chão.
Aquela que tinha no seu quarto verde, uma foto de Bob gargalhando fundo e gostava de ver aquilo e gargalhar também.sozinha.
Menina que, todos os dias, sentava na janela do quarto que era pra ver o sol se esconder atrás das árvores que ali haviam...
Ela acreditava em liberdade pra dentro da cabeça, usava cordão de couro e brinco de marfim..
era sandália rasteira com saião.
Quantas manhãs Menina não foi ao horto catar pena de arara bonita que se deixava cair pra fora da jaula? Era pra fazer brinco...
Ah, ando mesmo com saudade dela...
olhei no espelho e já não havia quase nada mais(...)
terça-feira, 12 de maio de 2009
São Paulo, 12 de maio de 2009
Te escrevo da capital.
Aqui se faz bonito, principalmente de manhã no cedinho, quando olho a cidade grande amanhecendo aqui do alto da construção que tô fazendo serviço.
Chego e ainda é noite, subo e páro pra ver o sol amarelo que começa a aparecer no meio de tanto prédio.Quando eu te trouxer pra cá, preta, você vai ver como que tem prédio junto, faz com que parece casa de passarinho, sabe?
Mas fico olhando essa lonjura toda de cidade, de terra e de gente e me alembro de você, minha nêga.
Terminando esse serviço, vou pegar o dinheiro todo e voltar praí.
Pode mandar sua mãe preparar aquele vestido bonito branco que é pra você se ajuntá mais eu.
Fica tranquila que eu vou falá com seu pai nos conforme, não se avexe não.
Pode separá umas pedra bonita de se colocar na orelha.
Todo dia,quando acaba o expediente aqui, eu penso que é menos um dia que falta pra eu voltar praí, te ver vestidinha como aquela foto que eu via de pequeno, da minha mãezinha toda vestida de branco mais meu pai. Te ver com aquele véu igual de santa de capela, todinha minha, prenda!
Se aprepara, pequena, que eu tô chegando aí pra te trazer junto de mim.
Aqui você vai ver um monte de gente arrumada, cheirando mais perfume do que a loja da dona Ieda chêra talco. Vai ver um tantão de coisa bonita. Já vejo até seu sorriso bobo de mulher que não sabe falar, toda espantalhada, que nem eu mesmo fiquei!
Vamô fazer uma casa nossa aqui e ter um cachorro chamado Fubá.
Depois vem as criançada toda, menina bonita quem nem você mesmo...vai ver só.
Te acalma o coração que eu já vô chegando.
Um chêro,
Casimiro
segunda-feira, 11 de maio de 2009
tem um pedaço de idealismo no meu queijo!
Aquele cara, que não tem medo de morrer, entrou no auditório e denunciou uma parte da corja desse país.
Ele citou nomes. Ele vai morrer.
Ele mexeu comigo.
Eu já sabia que tudo estava errado, mas ele me fez ter vontade de
gritar e fazer alguma coisa.
Essa vontade me trouxe um forte arrepio por todo o corpo e veio transbordar em forma de lágrimas.
Enquanto eu sentir essa vontade de mudar, sentir que eu posso fazer algo, que seja um pedacinho, eu estarei no
Direito.
Quando eu não tiver dentro de mim mais
essa força, quando meu sangue não se sensibilizar com o
sangue
dos outros que se derramam, então eu poderei largar tudo.
Ideologia.Direito.Sonho.
Porque, se não for pra fazer diferente, não há razão em fazer.
Não, menina, cala a boca.
Eu não tô falando pra você fazer uma revolução.
Eu não tenho, nem nunca tive a pretensão de mudar o mundo.
Eu não disse que é pra você pegar uma bandeira e ir pra rua. Não!
Se você quer exercer sua profissão na empresa do seu pai, vá!
Se você quer ficar atrás de uma mesa de madeira maciça, no ar condicionado, vá!
Ganhe seu dinheiro e passe pela baixada quando for passar as férias em Cabo Frio.Foi Cabo Frio que você disse que quer passar as férias, não foi?
Se é confortável isso pra você, faça isso sim.
Se nesse setor, na sua escolha,você não passar por cima de ninguém,
não prejudicar ninguém,nem a sociedade e não for
desonesta,
você já será parte de qualquer
revolução.
É o famoso "pense global, haja local"
Honestidade não é questão de idealismo, minha filha.
Eu posso desanimar sim, perder meus ideais, parar de acreditar, mas a desonestidade não!
Aquele homem feio, de cabeça achatada, que nem se veste como meus outros professores de Direito
me mostrou que não é só eu que sonho no mundo.
E você, menina, pare de dizer que não tem jeito!
Vá sentar na cadeira da empresa do seu pai e seja honesta, tá?
Um beijo, até amanhã!
sábado, 9 de maio de 2009
lilás
ser um sonho.
Ela queria voltar a ser encantada.
Ser flor.
Ela queria voltar a ver
o mundo todo colorido,
como que cheio de gérberas
grandes e pequenas espalhadas.
Ela queria voltar a se ver sempre correndo
por entre os eucaliptos.
A ser um
cor-de-rosa não romântico,
ser suave. É, sonho.
Ser nuvem, ser céu,
ser sol que entra pela janela, fraquinho, no final da tarde, só pra acordar daquele soninho bom.
Amanhã, ela vai acordar bem cedo
e tentar pintar o mundo de lilás.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Bar do Chuveiro
Agora eu posso voltar a ser aquela. aquela de uns 2 anos atrás, que ainda não usava brinco de pérolas...
Veio aquela vontade da gente pegar aquele pedaço da Estrada Real.
Passar na serra linda ouvindo músicas bonitas no carro de janela aberta, pode ter pausa pra comer pastel do chuveiro sim.
A gente nunca se cansou de cantar, vai parecer um bando de jovens sadios, bronzeados,vai parecer de filme!
ah, eu vou pegar umas linhas também, embolar no cabelo, fazer dread de cor, como daquela vez que foi...
Agora desce o Deus me livre, eu vejo o paraíso, você tá comigo!
Se tem chuva, a gente abandona a barraca e corre que pula na poça eu não ligo nem você.
Se tem sol, ele nos cansa em trilha por todo o dia.
Só não cansa o suficiente pra eu deixar de botar o pé no chão e dançar forró a noite toda.
Tem vagalume.tem guaiamum.
Tem também gringo, argentino, que a gente começa a conversar só porque parece o cantor da nossa banda preferida.
A minha tentativa de espanhol foi péssima, mas a gente se fez em sorriso!
À noite, a gente fecha no Muvuca, com algum salgado que não me faça vomitar no meio do caminho para a praia que é pra ver o sol nascer do mar.
Você sabe, toda noite ele entra naquele mar lindo e se esconde que é pra poder aparecer estrela, aquelas que são tantas naquele céu. Mas depois do lanche no Muvuca, vamos todos lá vê-lo sair do mar, laranja. laranja. cansado de beber água salgada.
(...)
A gente decide que vai morar lá pra sempre. E o sempre dura até começar a anemia, aquele PF não ser tão maravilhoso assim, o lodo do banheiro começar a incomodar...
Aí as olheiras vão surgir, a gente pega a barraca e volta pra selva de pedra, mas a gente só volta pra cá que é pra poder voltar pra lá, mais tarde.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
arte moderna.
com toda a certeza do mundo
mas só nesse exato segundo.
Carta ao Jorge.
Quero ir ao show da Banda do Zé Pretinho, você vem comigo?
Não, a chuva não tem que parar de molhar, quero me sentir mais que o infinito, pura e bela, inocente como a flor.
Quero ir toda de branco, meiga, pura, linda e muito tímida.
E a gente vai girar, que maravilha! Grita comigo, assim:
-Salve Simpatia!
Não, não ligo de estar despenteada, é funk na cabeça!
Te vejo lá, então!
Que Santa Clara esteja com você!
Beijos,
Denise Rei
quarta-feira, 6 de maio de 2009
enquanto um bom texto não vem.
Como um oasis.
No meio de tanta feiura, aquele lugar lindo. A minha universidade.
Que clima.
Sinto-me em um filme bonito, aquela novela da tarde...
Os jovens espalhados e sentados. Cigarros e folhas de filosofia.
Tá bonito, continua!
Pena que eu não estudo aqui, não exatamente aqui, pena que eu nunca venho aqui.
Imagina se eu fosse embora amanhã e não desfrutasse de nada disso?
Agora vou passar a frequentar mais, você vai ver.
Eu andava preocupada com milhões de coisas, ocupada em miúdos e não via tanta beleza dessa, minha gente!
Cadê a minha máquina fotográfica? Quero gravar essas cores na retina para levar pra casa!
Vou pagar 1 real e ir pro campus pra distrair à tarde, você vem?
segunda-feira, 4 de maio de 2009
sigo sorrindo.
Vê que tem sol, que o céu tá azul
lembra que o melhor da vida é rir até fechar os olhinhos.
Como um mutante, sim.
"JURO QUE NÃO VAI DOER SE UM DIA EU ROUBAR
O SEU ANEL DE BRILHANTES
AFINAL DE CONTAS DEI MEU CORAÇÃO
E VOCÊ PÔS NA ESTANTE
COMO UM TROFÉU
NO MEIO DA BUGIGANGA
VOCÊ ME DEIXOU DE TANGA
AI DE MIM QUE SOU ROMÂNTICA...KISS-ME, BABY KISS-ME
PENA QUE VOCÊ NÃO ME "KISS"
NÃO ME SUICIDEI POR UM TRIZ
AI DE MIM QUE SOU ASSIM...
QUANDO EU ME SINTO UM POUCO REJEITADA
ME DÁ UM NÓ NA GARGANTA
CHORO ATÉ SECAR A ALMA DE TODA MÁGOA
DEPOIS EU PASSO PRÁ OUTRA
COMO MUTANTE
NO FUNDO SEMPRE SOZINHO
SEGUINDO O MEU CAMINHO
AI DE MIM QUE SOU ROMÂNTICA...KISS-ME, BABY KISS-ME
PENA QUE VOCÊ NÃO ME "KISS"NÃO ME SUICIDEI POR UM TRIZ
AI DE MIM QUE SOU ASSIM.."
domingo, 3 de maio de 2009
.
nublado
e,em dias assim, parece que o jornal de domingo,todo
preto e branco e cinza
foi colado cuidadosamente no
teto de céu da avenida.
As notícias ficam assim
expostas para quem
passa e olha pra cima,
pra ver se vai chover hoje.
As notícias se fazem
bonitas em um sonho
que,só não é colorido,
para dar um ar sofisticado e poético ao dia,
quase cheirando a café
Notícias de que
nada existe de gripe suína
o Supremo Tribunal Federal tem homens de postura
Botafogo tem Maicosuel jogando na final de hoje
e...ora vejam só(!)...
Augusto Boal acaba de lançar uma nova peça!
Quem diria que
um dia nublado pudesse publicar
notícias tão coloridas em seu céu
Com licença, poética
e com todo o clichê que posso ter direito
ao início de uma carta,
com aposto no lugar de aposto,
fazer um pedido. Pedidinho,singelo.
Eu venho assim sem rima,
venho sem métrica, por preguicinha.
Eu venho assim sem forma,
sem soneto e sem muita vontade.
Mas o que eu quero mesmo pedir, Senhorazinha, é que...
Você, que é toda dona do mundo
toda dona das palavras
das vírgulas que me caem do céu
das crases mais divinas...
Peço assim, com todo o jeitinho que se possa ter, Dona Poesia
Dê-me (com ênclise), dê-me assim, uma licencinha
Uma licencinha poética!
sábado, 2 de maio de 2009
Matemática
Aí ele chega, passa como 1 segundo
e nós começamos a procurar um próximo dia
para começar a contar novamente.
Pe(cadinho)
-Onde está a menina?
-Tá no quarto!
-Tão quietinha ela, deve estar lendo...
Sim, e estava. Sempre fora assim, quietinha.
Quando criança, a mãe podia dizer que enquanto ouvia os gritos das crianças vivas nas ruas, cheirando a sol quente na pele, a filha estava em casa e brincava sozinha, quietinha.
Ela imaginava seu mundo, seus personagens,suas crianças e seu sol.
Mas agora, que revolta toda era aquela?
Sua língua coçava e ela queria falar, falar, falar, tagarelar e pelos cotovelos.
O que dera na menina?Ela não sabia, mas sua mente deixava de ser pálida e,no espelho,via cor de sangue em seus lábios,como nunca antes.
Agora ela falaria e deixaria toda a quietude para algum lugar do tempo sem cor.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
A antropologia em minha vida
terça-feira, 28 de abril de 2009
hoje.
..É, há dias assim.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Prometo e juro.
Nem eu acreditaria.
Mas ela lia Dom Casmurro aos 10 anos e chorava.
Não sabia a razão, mas se emocionava.
Ela lia em voz alta, justamente por isso.
Ela não sabia o significado de algumas, várias, palavras e lia pra escutá-las, sem nem querer saber o significado não.
Mas era bonito de se ouvir
Lia, lia, lia, até cansar de ler, de ouvir, até enjoar da sua própria voz ou do gosto salgado da lágrima que já escorria.
E agora, havia chegado a hora. Ela escrevia.
Ela escrevia sem querer ser profissional da escrita, pois assim, não teria o compromisso com as palavras.
Ela escrevia de forma a adequar bem aquelas letras e palavras, como em uma música.
Ela escrevia com o único objetivo de fazer soar bem.
E você não precisa entender uma linha. Só goste de ouvir.
Só.
Tá bem?
domingo, 26 de abril de 2009
de bege ao vinho.
Foi tudo muito civilizado. 35 anos de convivência e ele chegou e disse o que Helena já esperava ouvir, mas não queria.
Eram um casal normal. Uma casa com paredes beges, almoço com a família de cada um, alternadamente, aos domingos. Sem filhos.
30 anos assim. Beges.
Não teve motivo especial para Carlos. Ele só não via muito motivo em continuar ali, sentado ao lado daquela mulher, esperando a morte chegar.
Ela não tinha outra vida. Era escritório da repartição pública.envelopes de papel pardo por todo o dia. casa. boa noite, Carlos. dormir.
Aí, de repente, ela se vira ali.
O apartamente continuava com as paredes beges. Carlos disse que ia pra casa da mãe dele, era melhor assim.
E não teve grito. nem choro. nem insistência
foi tudo no "tá, tá bom. gosto de você, seja feliz"
Mas, por dentro, Helena se sentia pálida, bege, sem sangue, oca.
E ainda estava ali, depois de alguns minutos, ouvindo o ecoar da porta se fechar. Tentando absorver a idéia.
Helena foi em direção ao aparelho de som antigo que tinham, afinal, não tinham o menor costume de ouvir música, a casa de parede bege era muda.
E ela foi, ligou. Pegou um cd dos mais antigos, talvez de quando tenha inventado o cd.
Era tango.
Helena apagou as luzes principais, deixou o ambiente à meia luz.
Helena foi a cozinha, pegou um vinho e uma taça.
Helena foi tirando a roupa vagarosamente e dançando conforme se despia.
Ela tinha descoberto em si a malemolência. Nunca soube que sabia dançar.
Abriu o vinho, começou a beber e girava.
Dançava loucamente. Havia volúpia no ar. Agora parecia que as paredes eram cor de vinho.
Ela via sua silhueta na parede, acompanhava sua sombra sensual.
Qualquer homem era capaz de se apaixonar por aquela sombra deliciosamente linda, caso não visse ser de uma mulher bege, pálida, magrela e desajeitada como Helena.
Naquela parede em que se via, a mulher tinha até curvas,por incrível que isso pareça.
Ela dançava para si, para ver sua sombra e se apaixonar por si.
Passava a mão sobre seu rosto e se descobria bonita.
Ela lambia seus braços, sentia um gosto delicioso no seu corpo.
Bebia o vinho, sozinha e dançando.
Helena havia se apaixonado por uma mulher que dançava sozinha em seu apartamento,nua, no meio da semana, bebendo vinho e se lambendo.
é tempo de morangos
Eu vou acordar, colocar um vestido longo até o pé e florido.
De enfeites? Apenas duas contas de pérola nas duas pequenas orelhas minhas.
E aí eu vou sair.
Tá sol, hum. Eu vou ficar assim de frente pra ele, encolhida como uma criança que acaba de tomar banho de mangueira e tá tremendo de frio. Adoro esse sol de... outono que estamos, né?
E aí eu vou sair. Vou correr pelo canavial. Depois, no fim dele, eu sento de perna de índio, jogo meu cabelo que, na cena está tão longo.ondulado.queimado de sol. e como morangos.
Na fazenda, eu sento de perna de índio. Jogo o cabelo já descrito no sol da estação que você quiser e hum. Como morangos.
E aí eu posso correr mais um pouco, ainda pego o movimento da Avenida que beira o mar. É domingo. Deu tempo de comprar meu jornal. Eu leio e só tem notícias lindas. Os políticos acordaram sem voz, dizem ser epidemia e o judiciário brasileiro ainda possui o respeito da nação. Nem teve escândalos.
Mas eu deito na areia e nem ligo se aqueles cabelos já descritos vão ficar à milanesa. É só pro sol me esquentar. Nessa estação, faz frio quando tá na sombra assim.
Aí eu vou me levantar, vou andando por aquele porto que só existe em mim. Tá bonita a cena, continua.
O sol já se faz em ir e o domingo já se acaba em tons de laranja. Agora bota uma música bonita pra gente dançar!
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Delicadeza.
-O que te favorece é falta de luz. Escuro. E sem flash.
O encontro era o mesmo. O tempo não passou.As risadas tinham o mesmo som.
Faltaram duas. A saudade sentou com a gente para comer sanduíche.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
deitado no cimento .
Ficar uma hora me arrumando para parecer desarrumada.
Quero andar nas ruas do Leblon. Máquina fotográfica a tiracolo.Não, não é para parecer turista.
É pra parecer brasileiro que gosta de fotografar, fazer filmes, mas que está recém-chegado de Paris, tipo Walter Salles.
Talvez eu coloque um arco no cabelo em vez de flor. ou não.
Agora me leva de volta e conta histórias do meio musical alternativo, mesmo que o cenário já não seja tão mais bonito. Tá sujo e dá até medo de ser assaltada nesse lugar.
Agora é o final. Pausa para a cena.
Chega o ônibus. Ela olha para o ônibus. Ela olha para ele. É, não tem jeito, tenho mesmo que ir.
Ela dá um beijo, um beijo qualquer. Ele puxa pelo braço. Eles dão um beijo, um beijo diferente.
21 gramas de beijo.
Agora ela entra e o ônibus tá lotado, de volta pra vida real. Mas ainda, pelo vidro, eu vi você indo embora, aos pouquinhos e destoando do cenário feio, deu tempo de eu dar de língua e você viu, lá de fora.
Até amanhã,(vírgula)
terça-feira, 21 de abril de 2009
Soco no estômago
Um soco, um tapa na cara bem dado.Quero marca de dedos vermelhas na bochecha direita
Meu pai bem que podia me dar uma surra de cinto hoje.Ou minha mãe me puxar pelos cabelos...
O fato é que eu preciso de alguma coisa.
Meu irmão podia me humilhar muito verbalmente.E me xingar.Ou chamar de burra.
Eu bem que poderia alugar um filme bem triste, com morte de um dos amantes do final.
O fato é que preciso desengasgar esse choro que ta engasgado aqui.
Não sei como, nem a razão dele ter entrado, mas sei que ele precisa sair.Só me arranje o motivo.
Acho que o nome disso é catarse.
Alô?
Urrum.Tô em preto e branco.
Palavrão é meu ponto final na frase.
Eu era mais delicada.
Talvez eu levante e acenda um cigarro.
Mas eu lembrei que não sei tragar.
Talvez eu levante e beba um conhaque, dose de macho.
Mas eu lembrei que nunca nem bebi.
“Ser feliz é pra se conseguir o quê?”
Tá. Eu já combinei com você.
A gente vai pra sua varanda, vou ouvir você falar dela.
Eu falo dele também.
A gente senta numa mesa.vai ter conhaque, dose de macho, e cigarros.
Você não fuma mais?
Só porque agora eu resolvi fumar?
Tá. Pode ser cigarro de palha pra você lembrar da sua cidade então.
Tchau, até amanhã!
O fabuloso destino de Isabela Rodrigues
Às vezes, na sexta à noite, Amélie vai ao cinema:
-Gosto de me virar no escuro e observar os outros espectadores, também gosto de procurar detalhes que ninguém vê. Em compensação não gosto quando o motorista não olha para a estrada.
Amélie não tem namorado. Tentou uma ou duas vezes, mas o resultado não foi o que esperava. Em compensação cultiva um gosto particular por pequenos prazeres: enfiar a mão bem fundo no saco de cereais, quebrar a cobertura de crème brûlée com a colher e jogar pedras no Canal Saint Martin.
(...)
O tempo não mudou nada, Amélie continua se refugiando na solidão.
...E finalmente estamos na noite de 30 de agosto de 1997, quando ocorre o fato que mudará a vida de Amélie Poulain. "
E eu vivo, eternamente, esperando a minha noite de 30 de Agosto de 1997 chegar. A tal da Epifania.
domingo, 19 de abril de 2009
o parto
Sentia o mexer, o deslocar, os passos.Muita dor, muita.
Aquele feto doía-lhe a alma.
E bota compressa. e chora.
Sangue.
Dor.
E muda o cotidiano por causa de tudo aquilo.
A mulher que já não agüentava mais, ela não queria mais parir.
Sentia seu corpo todo lânguido após a dor
E nada.
O feto parecia rasgar-lhe toda internamente.Não queria nascer, queria machucar, queria sangrar, queria doer toda a mãe.
Descia cortando todo seu ventre e seu organismo.Suas veias
Cada célula gritava de dor.Dor cortante
A mulher começa a sentir o feto querer sair
Dias assim
Até que chega o dia do parto.
Tudo se prepara ao redor, a expectativa é formada.
A mulher senta no vaso.
Urina.
Sente.
A pedra desce!
Viva!
Pedra que pariu!
a vida inteira você quis um verso simples. eu te dou uma rosa
Hoje eu estive lá, acabou tudo e eu fiquei com a rosa vermelha na mão, perambulando.
Você tá cansada de saber que eu não gosto de rosa vermelha, nunca gostei.
Eu fiquei olhando para ela, ela para mim e eu a tomei nas mãos.
Eu sei que não era aquela rosa vermelha colombiana que você preferia, mas você sempre ficava com elas ao final de tudo, colombianas ou não.
Desde que você foi embora é assim. Eu fico sem a menor idéia de onde colocar a rosa vermelha.
(...)
Bate uma revolta no meu coração,desculpa.
Mas bate uma revolta no meu coração, uma revolta que não deveria bater e que eu nem esperava que batesse. A revolta por você ter ido embora, desculpa.
Será que dá pra você aparecer no meu sonho pra eu te entregar a rosa vermelha de hoje?
meu(s) primeiro(s) amor(es)
Também sei que é verdade que, na escola, os meninos me escolhiam pra ser castigo pros outros. “Quem errar o chute, vai ter que beijar a Denise”
Claro que eu sofria.
(...)
Sempre sonhei que um moço ia aparecer na minha janela, aquela na qual eu fico todos os dias à tarde, e ia me levar daqui. Cidadezinha ruim essa!
Ele ia chegar da capital e ia ter roupa engomada.
(...)
Pois que um dia apareceu uma cigana aqui no fim de mundo, eu fui escondida de minha mãe até a velha que botava carta da sorte.
Cheguei lá e a mulher disse que se espantou com a minha feiúra!
“Faz mal não, já acostumei, coloca logo carta, mulher!”
Foi que a cartomante fez a boca em formato de O quando viu minha sorte.
Disse que não acreditava e ia tirar de novo. Fiquei foi bem curiosa.
Deu o mesmo destino. Mesma carta.
“Mas é claro, destino não se muda, dona cigana!”
A mulher disse assim que na carta falava que iam aparecer muitos homens na minha vida, todos embaixo da minha janela.
Saí de lá e fui direto à Casa de Perfumes. Comprei água de colônia, talco e maquilagem.
Pois foi que passei a chegar toda tarde na janela como fazia antes, mas agora, aprumada!
Demorou um pouquinho, mas a profecia se concretizou.
Foi ontem, eu tava com o cotovelo já doendo de parapeito de janela quando ouvi os primeiros acordes!
Quando vi, eram vários homens me querendo!Todos rindo e tocando instrumentos para mim!
De certo que a cidade toda se chegou na janela, mas eu já mandei avisar pra fofoqueira que aquela música toda fora para mim, uma serenata dos meus homens!
Hoje já coloquei vestido novo pra esperar a volta deles, pode ser que fiquem mais tempo embaixo da minha janela dessa vez!
sábado, 18 de abril de 2009
Capitu
A cada letra parece que uma víscera sua saía do lugar e se enlaçava em outra.
Começou a sentir mal, tonteira, enjôo.
Sentiu o vômito beijar sua língua e o engoliu.
Para que aquilo tudo?
Desesperador.
Ela tinha vontade de ter escolhido nascer sem os olhos, pois parece que começava a ver o efeito que aqueles olhos causavam. Seu olhar.
Nem se fosse cega adiantaria. Aqueles olhos continuariam ali, seus olhos que ela sabia que tinham poder, que atraíam qualquer um a cada pensamento seu.
Queria escolher arrancar seus olhos e deixar um grande buraco vermelho de nervos no lugar, para que todos a olhassem e vomitassem, e não mais tivessem atração por aqueles olhos que puxavam corpos.
O fumacê e os meus miolos
Imediatamente, apressei-me puxando a pesada mala de carrinho e carregando curvada a mochila de toneladas. Duas semanas longe de casa e da comida de Amélia.
Acontece que, quando fui atravessar a rua, pra ficar desesperada e quase ser atropelada pelos carros da pista onde moro, veio um fumacê, assim, bem do meu ladinho!
Toda a névoa branca com cheiro ruim embaçou minha visão de qualquer ônibus e qualquer carro. Eu entrei no meio da fumaça toda, engolindo, tossindo e fazendo uma mulher má, que estava na calçada, rir para mim, ou de mim.
Mas o ônibus se foi. Claro que não deu tempo.
Mas não era aquele que eu ia pegar mesmo, apesar de que daria para pegá-lo também!
Acontece que fui pro ponto então.
Esperei um bem pouquinho quando vi um possível meu ônibus se aproximando.
Acontece que entrou um outro ônibus na frente, tampou minha visão e minha chance de dar sinal pro motorista que, claro, foi embora e me deixou pra trás.
Ódio.
Tinha um cara no ponto que sabia que eu ia pegar aquele, que sabia que eu estava esperando e já tinha perdido um. Nem pra dar sinal pra mim, nem pra me mandar gritar, nem pra me avisar que aquele era o meu ônibus.
Mundo hostil,” o mundo todo é hostil.”
Que raiva.
É aí que começa minha divagação interessante.
Naquele ponto de ônibus, da cidade pouco bonita, eu tive tanta raivinha que comecei a delirar.
...Imagina se quando aquele ônibus idiota e verde tivesse parado na frente do MEU ônibus, eu tivesse pegado minha mala de carrinho e começasse a socar, socar, socar muito a lataria do grande carro.
Iria desgovernadamente amassando toda a lateral daquela condução verde ridícula. Quebraria os vidros, surtaria e o mundo conheceria minha ira.
Depois, pegaria o resquício de força e iria numa voadora atroz em direção àquele que não me deu notícia que meu ônibus chegava. Iria até ele voando com meu carrinho, minha arma branca, nas mãos, direto e pá, na cara dele, até ele cair para trás como em desenho animado.
Incrível!
Depois eu cairia, exausta de tanta raiva e revolução interior, cairia por sobre minha mala e mochila e dormiria um sono tranqüilo e calmo de quem fez uma excelente catarse...
Ainda bem que existe a imaginação!
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Aline.
a menina que eu guardei porque tinha, no pulso,uma mancha de nescau que derramou.
Ontem eu vi que eu tô vendo tem tempo
que eu sei viver sem ela não,a morena.
Pode ser que eu tenha achado que depois íamos mesmo nos afastar
mas, que nada!
Apesar da distância,foi que ficamos mais juntinhas
tipo café com leite (se eu não tiver tomado sol)
tipo maçãs, cada uma com sua metade.
E hoje digo,meu amor por você é cláusula pétrea!
terça-feira, 14 de abril de 2009
nota vermelha(cor de Almodóvar) do dia.
É porque já não há uma razão maior para mantê-las tão vermelhas.por essa semana.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Cotidiano
-ué, não tem pão, comam brioches, não tem água, bebam cerveja!
(morar com Ana Karolina Leones e Bianca Carbogim)
terça-feira, 7 de abril de 2009
crise renal
sábado, 4 de abril de 2009
Dia 31 de março de 2009.
diferente de todos os anos, de todos os dias, de todos, de todos.
é, eu me lembrei de você. Ao contrário do ano passado, que eu liguei pra sua casa uns dias depois. e nesse dia, nesse dia 31 de março de 2009 eu declarei ser o DIA INTERNACIONAL DA SAUDADE EM MEU CORAÇÃO.
eu lembrei de você e te pedi um presente do seu aniversário.
eu lembrei de uns anos atrás, tinha fantasia.
Vou colocar aqui, aquela nossa velha brincadeira. A maioria já conhece, mas eu quero colocar mesmo assim,tá?!
Para:Beta/De:Isa
Uma menina me ensinou quase tudo que eu sei
Ela queria tudo ter: estrela, flor,estilo.
A minha grande,
A minha pequena,
A minha honey baby
Naturalmente ela sorria,
Foi assim que a conheci
Menina do anel de lua e estrela,
Um raio de sol no céu da cidade
Penso em você, fico com saudade!
Plantei uma flor no coração dela, e ela me deu um sorriso trazendo paz.
És parte ainda do que me faz forte.
Hoje à noite não tem luar,
E eu estou sem ela
Vai ser difícil sem você,porque você está comigo o tempo todo.
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Lembra que o plano era ficarmos bem?
Mas não chore lágrimas de dor que molham o chão
E só fazem brotar semente chamada solidão.
A dor não presta, felicidade sim!
Na verdade, eu não vou chorar e hoje sei o que a Terra veio me ensinar.
Os olhos já não podem ver, são coisas que só o coração pode entender.
Como um anjo lindo
Mais leve que o ar, tão doce de olhar, que nem um adeus pode apagar.
O sol ensolará a estrada dela!
Carolina míope.
A professora aconselhou que Carolina fosse levada ao oftalmologista pois,acostumada com esse tipo de caso, podia perceber que a menina tinha certa dificuldade.Estava escrevendo com o rosto muito próximo da folha e apertava os olhinhos para ler o quadro negro com freqüência.Como boa mãe, Dona Carmem cumpriu as sugestões escolares.
Carolina chegou a uma sala bonita, movimentada por telefones e secretárias.Sentou perto de sua mãe e esperou.Chamaram a pequenina para a consulta!
Quando o médico, após os exames, explicou para Carolina que ela teria que usar óculos, a boca da menina fez um formato de O e ela arregalou os miúdos olhos.
O moço vestido de branco que deu a notícia sentou com a menina no chão.
Ele explicou para ela que algumas pessoas nascem especiais.Essas pessoas vêem o mundo de forma mágica, colorida e linda, como nos desenhos animados.Mas,nem sempre a vida era assim e essas pessoas precisavam enxergar a realidade, assim, elas veriam as coisas como são, nem tão bonitas, mas, dentro de seus corações, transformariam as cenas em belas novamente.Como iam precisar ver o real,então, elas usavam óculos.
(...)
Os corações dos míopes não precisam de lentes.
sexta-feira, 27 de março de 2009
tetodecéu
Desses que vejo partindo em céu azul daqui da estrada!
Balão colorido de amarelo, de vermelho e de azul.
Ah, se sêsse assim que seria tão bom!
Ia mesmo era comer pão quentadinho pelo sol com geléia de morango escorrendo pelas beiradas.
Que ia sentir vento na cara pra refrescar
E abrir a boca pra comer algodão docinho de nuvem
Sede? Nóis matava com água da chuva
Abria o bocão, fechava os olhim e deixava cair goela abaixo.
E quando balão não queresse avoar mais,
Aí nóis escolhia morrer!
Eu, o balão, a geléia e o pão!
segunda-feira, 23 de março de 2009
Hoje tem marmelada!
Quando bem pequeno, o menino até se divertia com o fato.Tinha sorriso de graça quando queria. Era bem divertido ver seu pai chegando colorido em casa.
Com o tempo, Frederico começou a querer que o pai fosse mais preto e branco, vestisse cinza e formas retas, mas isso não fazia parte do homem que, ao notar a vergonha do filho, via ser desenhado em seu rosto de palhaço uma lágrima de pasta d`água.
Frederico cresceu e foi embora vestir cores neutras, falar manso e não contar pra ninguém que tinha um pai que vestia um sorriso pintado, estampas e risadas pra comprar o pão.
Um dia, o filho soube que o seu velho estava no leito de morte e pra lá correu.
Vendo aquelas rugas, antes escondidas por máscaras de sorriso, deitadas na cama de hospital, Frederico se desesperou.
Dentro do homem que foi menino cinza bateu um ódio ao cinza, ao discreto, ao neutro.
Sentia lágrimas lavando todo o seu corpo nojento que cheirava envelope de papel pardo.
Frederico tirou a gravata, jogou o paletó na cadeira próxima e disse:
-Pai, me ensina a ser palhaço?
(Inspiração : Palhaço do circo sem futuro- Cordel do Fogo encantado)
oi, eu sou a Isa e eu tenho algumas pedras!
-Mãe, a primeira coisa ruim pra quem tem crise renal é a dor, insuportável.A segunda coisa é, no meio da dor, você ter que ficar ouvindo "também, não bebe água.."
-Sabe, a mãe de quem tem crise renal sofre muito também!"
domingo, 22 de março de 2009
"Isabela, mas você vai fazer Direito?Sério? Nada a ver com você..."
algo nem tão mal assim.
A desigualdade pode ser necessária e bonita.
Sejamos desiguais!
Cada um com sua cor, seu rosto, sua cara e sua marca!
Cada um com seus gestos, suas bocas e seus gostos.
Cada um com seu bom ou mau senso.
A igualdade que deve existir é a jurídica.
Eu me encanto quando ouço "...e todos são iguais perante a lei"
e acredito. sim. acredito de verdade.
Diante de um livrinho, não importa cor,credo,cabelo,pinta,grana.
Todos são iguais.
Todos tem os mesmos direitos. Todos tem os mesmos deveres.
Há uma atmosfera linda ao redor dessas palavras.
Um encanto.
Algo mágico em pensar que isso existe, embora não pareça existir.
Há de existir, ó Justiça!
...
Que com os meus pequenos conhecimentos, eu possa mostrar àqueles que não sabem, os seus direitos.
Que eu possa dar voz para quem não sabe falar. e que eu grite por eles, BERRE.
Que eu possa mostrar que o seu mundo pode ser melhor, porque você nasceu, é um homem, um cidadão brasileiro!
Que eu consiga, com todo meu enorme idealismo, alfabetizar juridicamente pessoas que não sabem o quanto PODEM nesse mundo!
Que eu acaricie com uma vida melhor o coração de Josés e Marias.
Que eu cumpra a beleza que há no Direito,
e que essa beleza deixe de ser pura teoria para mim!
E viva o Brasil!
quinta-feira, 19 de março de 2009
prazer, Inocência
Lá em casa?
ah, lá em casa tá super legal!
Estão comprando várias coisas novas,mudando outras coisas de lugar...
Eu acho que minha mãe vai fazer um quarto de borboletas pra mim, eu vi!
Eu vi a minha mãezinha comprando um monte de travesseiros coloridos.Eu nem vou contar pra ela que eu quero tudo rosa,pra não estragar a surpresa!
Eu vi minhas tias trazendo vários presentes, tinha bichinho pra mim...
A minha mãe não me mostrou, mas eu vi quando ela guardou tudinho no meu armário novo!
Sempre tem visita agora e a mamãe fica mostrando as coisas novas pra todo mundo!
Meu pai só chega em casa sorrindo e ele e a minha mãe, toda noite, agora, ficam na frente da janela da sala conversando e rindo...
Eu já vi também que ele tá com mania de ficar passando a mão na barriga dela,sabe que eu acho que deve ser por isso que tem uns dias que a barriga dela tá ficando maiorzinha...
segunda-feira, 16 de março de 2009
Bonita
Tava chovendo na capital carioca e eu ia rumo a partida, de volta para o interior.
O ônibus parou em algum sinal e não foi difícil observar aquela cena.
Na janela do carro que parou ao lado, que eu não pude gravar a cor, vi a Bonita.
Era uma menina de uns 6 anos mais ou menos.
A menina tinha a pele branca, muito branca para uma cidade praiana, e cabelos que, percebia-se que eram bem compridos,e negros, muito pretos,além de lisos.O que mais chamava a minha atenção na cena, além do ato da menina que vou descrever em breve, era o batom. A pele branquíssima, o cabelo escuríssimo não bastavam para o enorme contraste no rosto infantil,ela tinha um batom vermelho sangue, toda a cor que não havia naquela pele.
Eu imaginei a menina em frente ao espelho, passando delicadamente o batom e colocando cor ao rosto pálido.
O ato? Ela delicadamente soprava no vidro do carro, dava baforadas de ar e rapidamente riscava os dedinhos no vidro a fim de fazer um desenho, que logo sumia e ela ia, novamente, soltando golpes de ar contra os pingos de chuvas...
É só.
domingo, 15 de março de 2009
Sóriso
Tinha bons pais, um irmão menor e teve uma boa infância.
Não sei o porquê, mas quando vi Catarina atrás do balcão da loja suja que entrei, eu vi algo diferente.
Quando ela me respondeu, eu percebi.
Não quis ficar olhando, mas Catarina não tinha um dente da frente, ou era quebrado, eu não fiquei observado os detalhes.
Era uma moça jovem, feia, sem sal, magrela e mal cuidada, mas tinha nome!
Ela também tinha um namorado, que gostava de mulheres com dente e com sal.
A mulher pálida sentia-se constantemente censurada. Tinha motivos pra sorrir, mas não podia.
Às vezes, enfrentando uma situação engraçada, desejava escancarar a bocarra e soltar uma gargalhada deliciosa e não, não podia. Tinha vergonha.
Vergonha não só por si, mas por aqueles que a acompanhavam.
Aconteceu que um dia ela brigou com o namorado, pois o pegou com uma mulher muito, muito feia, mas que tinha todos os dentes.
Foi dormir chorando e querendo perder todos os outros dentes que possuía, assim, não haveria gritante diferença, ficaria por de tudo banguela, horrível e simétrica.
...
Quando acordou, não reconheceu o lugar.
Foi andando e vendo pessoas bonitas e feias, tanto fazia, mas todas não tinham o dente da frente ou o tinham quebrado, o de cima ou o de baixo, ou o do lado, mas todos numa visão de frente.
Todos sorriam na vila do meio sorriso, todos gargalhavam.
Grupos se reuniam para contar piada e poder tirar o atraso das risadas censuradas.
Distraída com tanta gente igual a si, Catarina tropeçou e caiu.
Quebrou e ficou sem nenhum dente na boca e começou a rir, ali mesmo, sentada no chão, e todos os novos conhecidos riram junto.
Era a Terra do Sóriso!!
eu e o meu mundo
1 ânsia
2 ânsias
Segura o vômito, Isabela, e junto com ele a ansiedade!
Eu nem sabia que mangueira de gás tinha validade.
...
Ontem chegaram três sonhadoras.
Plantas, panelas, livros e sonhos.
Colocaram os sonhos em gavetas.
Pais zelosos, mães corujas
o medo e a vontade andam juntos e dormem com elas.
...
Confusão de línguas e vozes
vozes nunca ouvidas antes
cada um conta em frases sua trajetória até ali.
Tão diferentes, um sonho só, e realizado! (parcialmente)
Que venham os próximos anos!
...
Ouço alguém bem parecido comigo
não vejo seu rosto, mas sei o seu gosto
Que vontade de gritar:
-TOCA RETRATO PRA IAIÁ!!
Arrumar cozinha ficou mais gostoso com esse som, menina vizinha.
Cimento fresco em lágrimas
De repente, seus cabelos finíssimos e loiros mexeram, ela foi ver de onde vinha aquele cheiro de cimento fresco que pairava no ar.
Liesel correu em direção ao local e olhou a textura daquele futuro solo.Teve vontade de desenhar, foi quando seu avô,dos lindos e miúdos olhinhos azuis se aproximou e fez a proposta.
Os dois escreveram seus nomes " Liesel e Vô Nonô" juntamente com a data.
A pequena talvez não tenha sabido interpretar, mas o avô que já sentia o peso da idade chegar com uma enorme velocidade, fixou o olhar nas escritas e pensou que estariam para sempre marcados ali.
A amizade destoante de duas gerações distantes, o carinho da mão com calos pegando na outra delicada para ensiná-la o valor das letrinhas e a vontade que todos nós temos de deixar nossas marcas.
Os olhos do velho enxeram-se de lágrimas que caíram no cimento formando uma poça em volta das assinaturas, mas o sol a secou.
sexta-feira, 13 de março de 2009
sexta-feira, 6 de março de 2009
A menina que roubava o mundo
Sempre gostara da liberdade e fazia questão de abominar descaradamente tudo o que fosse contrário à arte de ser livre.
Quando ela sentiu o vento,depois de ter apertado o cadeado do velho portão enferrujado de sua casa,lembrou-se de uma história.
Quando tinha mais ou menos seis anos,não se sabe bem o porquê,ela disse a mãe que sairia de casa,mesmo já fazendo noite.
Arrumou algumas das pequeninas peças de roupa na sua mochila de personagem infantil,e disse que estava partindo.A mãe, achando ser mais um dos dengos de sua menina,esperou e a deixou para ver o que ela faria.
Isabela passou pela porta, fechou.Passou pelo portão,fechou.Trancou o cadeado que reluzia com as luzes da rua e foi descendo os degraus, com um pouco de receio,afinal, com seis anos, mal sabia ler...
Quando chegou ao pequenino portão,ao final da escada,ela viu um homem, que até hoje não se sabe se era real ou fruto da (já grande) imaginação da pequena. Aquele monstro do mundo real assustou a menina, que subiu e chegou sem fôlego, batendo o cadeado ao ferro do portão para a mãe abrir pra ela novamente.
Pode ser que ela tenha tido medo, não se sabe, mas o fato é que ela sabia que,dentro de alguns bons anos, ela desceria a escada e fecharia os portões e, encontrando ou não monstros,teria que sair.
O tempo passou...
Agora, ela estava ali, iria para o mundo, se esse não fosse pequeno para ela, ainda.
A esfiha que eu nunca comi.
Quando vi, minha mãe conversava com uma mulher que era linda,porém sofrida.Dava para ver marcas no rosto dela,rosto claro, cabelos loiros.Ela vendia panos de prato e pedia para minha mãe comprar "pelo menos pra ajudar, Dona", ao mesmo tempo em que essa cena acontecia,vi uma criança que estava com ela, bonita igual, puxando a roupa de um dos fregueses da casa de esfihas e pedindo repetidamente "me dá um salgado, me dá um salgado". Eu vi que deram para ela, mas a outra que vinha, sua irmã, entrou desesperadamente na lanchonete e já foi dizendo que também sentia fome.
Sem pensar muito, eu fui buscar aqueles olhos quase claros e brilhantes de mãozinhas pequeninas e sujas e perguntei-lhe se queria um salgado também.A resposta foi óbvia, levei-lhe a bonita vitrine de salgados e falei que ela podia escolher.Depois de muita indecisão, ela escolheu um kibe, mas disse assim:
-Tia, me paga um "Garaná" também?
-Pago sim!
-Mas não pode ser gelado, tá?
-Tá,... ele está na geladeira,mas como você pediu o lanche pra levar, até você chegar em casa já perdeu o gelo!
-Não tia, tem que ser sem gelo, tem que ser sem gelo, tem que ser sem gelo!
-Tá bom, fique calma, vai ser sem gelo!
Em poucos segundos meu cérebro foi a mil, aqueles olhos, a pequenina boquinha, a quantidade de panos de prato em suas mãos, o desespero da fome...
Eu dei a bebida e a comida para a pequena, paguei e fui embora com a minha mãe.Senti meu estômago cheio, sentia meu rosto molhado em lágrimas,não tinha voz e não tinha fome.
Aquele salgado que eu deixei de comer porque não tinha do meu gosto e dei a menina me alimentou pelo resto da noite.
Seus olhos se tornaram os meus, suas mãos as minhas, e seu estômago vazio de fome o meu .
quarta-feira, 4 de março de 2009
oi,
Acordei com umas batidas na porta,
fui atender.
Era a "adultice" me chamando pra ir lá fora.
Eu olhei meio de longe pro lugar
tinha misto de chuva, sol e arco-íris.
tinha nublado e tinha colorido.
(...)
acho que vou acabar partindo pra onde ela quer me levar,
mas sem perder o samba!
versus
Eu não sei fazer escolhas
Quero tudo ter
quero tudo ser
não quero ter que optar.
quero poder partir
quero poder ficar
Sou um conflito barroco vivo
sou uma antítese
um paradoxo.
Não me faça muitas perguntas, só por hoje.
terça-feira, 3 de março de 2009
Hay Kay (créditos a Mariana Farnesi)
Ter sempre que achar a mesma coisa, eu heinh, que bobeira isso!
A vida não e imóvel pra se manter assim, muito menos as pessoas.
Tem isso né? Você acha uma coisa, vai lá e fala, faz um discurso, tem toda uma opinião formada, baseada em dados ou não...
Até que, um dia, você acorda, presta atenção em tudo aquilo que você defendia e pá, decide que não gosta mais. Razão? Não sei ué, não quero mais, não gosto mais, que saco, gente! MUDEI, entendeu? M U D E I , ué.. mudei de opinião, de gosto, descobri, conheci, amadureci, DESACHEI. Isso, é isso que vim fazer aqui com toda essa retórica mirabolante cheia de coloquialismos, vim criar um novo verbo.
Na onda dos novos padrões gramaticais desse país, peço a licença poética (mesmo que essa divagação não esteja nada poética) para criar um novo verbo, o DESACHAR.
(continua....)
Ps: Ao publicar esse texto em um outro lugar, fui informada de que o verbo desachar já existe...
segunda-feira, 2 de março de 2009
Menino nunca tinha visto sorriso e achou graça!
Foi que ele sempre ouviu o chamarem de menino.
"Menino,pega a cana"
"Menino vai dá de comer pros boi"
Até que Menino ganhou livro, foi por dar direção a gente de circo que passava e andava perdido.
Menino não sabia ler.Isso tinha graça na terra seca do agreste, porque Menino inventava suas histórias.
História de homem que se apaixonava por sereia e se entranhava pelo canavial até que encontrava mar.
História de homem que virava peixe.
Foi que Menino cresceu e um dia saiu pra vender cabra magra pela cidade.Perguntaram o nome do homem em uma das vendas, foi que ele disse "meu nome é Menino" e o mundo inteiro danou-se a rir.
Menino nunca tinha visto sorriso e achou graça.
Foi que voltou pra sua mulher e contou história de um mundo onde as pessoas eram por demais de feliz, mas tão feliz, que viviam de rir.
Carnaval na quinta-feira
Após se distrair, algo lhe chamou a atenção!
Era em uma das janelas do prédio, não se sabe bem o porquê, mas sua vista pareceu ficar bem próxima da cena, podendo reparar detalhes.
Via uma menina, cabelos claros e um vestido longo, muito colorido e florido.
Ela estava sozinha, mas nem parecia, de tanto que ria!
Em sua mão, várias fitas coloridas que a menina balançava enquanto rodava.
Uma música
Um samba lindo,
e a princesa parecia desfilar em sua própria escola de samba
em seu próprio carnaval
morria de rir, gargalhava
rodava, rodava em volta de seu vestido até trançar as pernas
balançava as fitas para o alto, para os lados
e dançava, lindamente.
A velha foi tomada por um sentimento estranho, algo que a incomodava, aquela alegria a irritava.
Quando ela piscou os olhos, a cena não estava mais ali, nem nada daquilo
Foi então que ela viu...
a menina era ela, em algum futuro bem próximo!
Sem cores, por enquanto.
e que se derrame uma chuva de confetes sobre ele!
Logo em seguida, vem a Colombina.
Ele se faz Pierrot.
De repente,ele senta e começa a escrever versos.
O carnaval pára.
O bloco pára.
Todos param pra ver suas letras desfilarem na Avenida.
E ele retrata a cena (em preto e branco!)
Pierrot Paradoxal.Eu só o vi uma vez, mas precisava registrar aqui essa vista!
domingo, 1 de março de 2009
Incesto das almas
Naquela noite não fora diferente, mas ela estragou um pouco da sua vida.
Há tempos que os dois não se viam, como sempre rolou a discussão(desde antes do primeiro beijo, há anos, que eles não conversam sem haver uma pontinha de provocação ou coisa parecida.)
Só que debaixo das estrelas daquele dia, ao som de uma música que não era do gosto de ambos, não houve nem ao menos palavras e sorrisos. Um pouco de ciúme do passado, um pouco de raiva, mas o beijo.Esse, involuntário dos dois. Eles não escolhem mais que se beijem, as bocas simplesmente se unem, elas são imãs,assim como os corpos. Suas cabeças não têm vontade própria e as línguas não se preocupam com diálogos.
Eles se odeiam, ou nem tanto assim, mas não querem se prender.Talvez, sejam tão incompatíveis por serem tão gêmeos assim, um incesto seria!
Eles fazem cinema, é beijo, é saída, é sem despedida.
Um par, um duelo, um jogo.
Para ninguém nunca ousar entender.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
A gorda
Seu jeito refletia o tipo físico.Tida pelos alunos como grossa, sempre a proporcionar o encontro daquelas sobrancelhas na cara enrrugada em gesto de reprovação.Seus dedos de cabeça gorda estão em minha mente sempre a movimentar o gesto negativo do indicador.
Mas, eu quero mesmo é contar um fato dessa figura grotesca, a professora que, na verdade, acho mesmo que gosta bem de mim, mas não é por conta disso que deixarei de contar algo que notei.
Enquanto fazíamos qualquer tarefa, ela ficava lá olhando pela janela as chaminés.Naquele dia, enquanto nos concentrávamos, tocou o telefone.Após um pouco da Gorda dizer "alô", eu percebi uma luz dentro da sala que não me deixou mais acabar os meus afazeres.Quando olhei para frente, em direção a mulher, ela sorria, como nunca havia visto antes.Falavam sobre coisas do trabalho mesmo, foi o que pude perceber, mas a impressão que me dava era que não era só aquilo para ela. De repente, ela soltou uma gargalhada funda, atraindo atenção daqueles que, diferente de mim, nada tinham percebido ainda. A sua gargalhada longa, deixou-me ver suas amígdalas bem de perto. A gorda riu bastante como se não fosse mais aguentar e fosse cair dura ali mesmo, na frente de toda turma.
Desligou.
Olhou para mim e disse : - Era o professor Ricardo!...
Eu fiz que sim, abaixei os olhos e logo os levantei novamente, a tempo de conseguir ver seu olhar que brilhava. Voltada para a janela, seu sorriso ia sumindo lentamente, quase que sendo puxado pelas chaminés atrás do vidro.Mulher gorda, mulher besta, mulher que gargalhou com a voz de um homem ao telefone.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
gire, sol!
Acordei e vi que estava deitada num campo cheio de girassóis...
olhei para os lados, senti o sol e voltei a dormir..
Acordei em meu quarto e lá havia um girassol bonito, todo embrulhado em papel amarelo manga.
Eu o coloquei na janela para tomar ar e ver o céu que se fazia bonito na manhã.
As horas se passaram e ele ficou lá.
Enquanto eu fazia minhas coisas, eu sempre tinha a impressão de que havia alguém ali na janela, mas era só a linda flor.
Parecia sempre você me olhando, com olhos de pólen...
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Um momento!
Há uma vontade enorme de vomitar tudo em linhas!
Essa mania de poemas!
Mas foi que me deparei com sonhos meus,
eles estavam em papéis, com direito a número de inscrição.
Agora vejam só...! Vejam se sonho pode ser numerado...,
logo ele que é de graça nesse mundo capitalista!
Então,vim alinhavar as letras pra dizer que...
ando mesmo com medo de sonhar!
(o desabafo é de um tempo em que eu ainda não tinha resultados dos meus feitos, mas até que não está desatualizado!)
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Meu carnaval não tem trio
4 dias
4444444444444444444444444444444444 amigos
444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444 sorrisos
"Bom dias" entre escovas de dentes
sorrisos entre uma caneca de água e outra
choro de felicidade na grama
discussões importantes
abraços
uma energia,
uma energia tão forte quanto forte
uma vontade de não parar de sorrir
e, com essa vontade, emocionar-se
sentir, dentro de si, um calor, uma luz forte, uma força para qualquer coisa que aconteça
A m i g o s
o reencontro com aqueles que você sabe que poderá contar!
Deixar de amar um colchão macio, um chuveiro quente e um poder tomar banho descalço
para amar acordar cedo, banho gelado, limpar banheiro, tomar banho segurando toalha e de chinelos.
Arte.
Muita arte, por cada canto, por todos os lados
mas uma arte diferente, objetivada no bem!
"trazendo sempre a esperança, o sorriso, no otimismo de que a paz virá
E a todo instante lembrar que é preciso, é preciso, sim, continuar
sempre aprender a amar!"
COMEERJ 2009 - Que fazeis de especial?
Meu carnaval não teve nem trio
nem marchinhas
nem confetes
nem serpentinas
mas teve muita, muita festa, samba e pulos no meu coração!
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
A Salomé, o Sol e o eufemismo doce.
Quando pequena uma vez disse para a mãe:
-Mamãe, vou me casar!
A mãe, achando graça da menina, perguntou:
-Aé? Com quem?-imaginando que seria com um dos mulecotes da vizinhança...
-Com o Sol, ué!- respondeu Salomé como se o seu futuro marido fosse alguém muito óbvio para todos.
Aqueles que ouviram o diálogo acharam graça da pequena.
E ela cresceu, junto com sua admiração e paixão pela estrela maior.
Muitos rapazes passaram na vida dela, mas parece que nenhum preenchia seu coração como devia fazer...
Um dia, Salomé pediu para andar de moto com seu pai.
O dia estava lindamente ensolarado, como ela sempre gostou...
correndo na moto, ela soltou e abriu os braços, colocou a cabeça bem em direção à luz do dia e sentiu seu rosto queimar deliciosamente.
De repente,ela sentiu uns movimentos estranhos e depois gritos.
Salomé não entendia bem o que estava acontecendo, só percebia muitas pessoas a sua volta, cochichos, gritos, choros.
Depois,Salomé foi entender o porquê de tudo isso.
Essas pessoas não entendiam que Salomé finalmente tinha ido encontrar seu único e grande amor, o Sol, e lá com ele fora morar, bem no quentinho.
Confetes, serpentinas
Pierrots, Colombinas que preferem Arlequins...
É Festa!
Eu tinha planos, eu estava feliz, até você chegar e desmoronar com tudo sem necessidade!
Por isso que, hoje, eu mal comi e, o prato com o qual comi, eu quebrei, pra ver em todos os cacos, o reflexo do meu coração( ele, o seu melhor brinquedo!)
Hoje eu tô sem vontade de sambar,
os paetês da minha máscara caíram
e, na minha vitrola, as marchinhas não tocam mais!
