quarta-feira, 29 de abril de 2009

A antropologia em minha vida


"Se Deus quiser, um dia eu quero ser índio

andar pelado, pintado de verde, num eterno domingo"


ô se quero...

terça-feira, 28 de abril de 2009

hoje.

Acordou e jantou. Pegou o controle remoto para ligar para casa.Tomou banho na pia da cozinha. Lavou a louça no chuveiro.Desceu a escada de costas. Tomou o ônibus para a direção contrária e fez cálculos com letras.

..É, há dias assim.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Prometo e juro.

Eu sei que você não vai acreditar não.
Nem eu acreditaria.
Mas ela lia Dom Casmurro aos 10 anos e chorava.
Não sabia a razão, mas se emocionava.
Ela lia em voz alta, justamente por isso.
Ela não sabia o significado de algumas, várias, palavras e lia pra escutá-las, sem nem querer saber o significado não.
Mas era bonito de se ouvir
Lia, lia, lia, até cansar de ler, de ouvir, até enjoar da sua própria voz ou do gosto salgado da lágrima que já escorria.
E agora, havia chegado a hora. Ela escrevia.
Ela escrevia sem querer ser profissional da escrita, pois assim, não teria o compromisso com as palavras.
Ela escrevia de forma a adequar bem aquelas letras e palavras, como em uma música.
Ela escrevia com o único objetivo de fazer soar bem.
E você não precisa entender uma linha. Só goste de ouvir.
Só.
Tá bem?

domingo, 26 de abril de 2009

de bege ao vinho.

Após comunicar delicadamente que queria o divórcio, Carlos fechou a porta, vagarosamente, e levou com ele 30 anos de casamento.
Foi tudo muito civilizado. 35 anos de convivência e ele chegou e disse o que Helena já esperava ouvir, mas não queria.
Eram um casal normal. Uma casa com paredes beges, almoço com a família de cada um, alternadamente, aos domingos. Sem filhos.
30 anos assim. Beges.
Não teve motivo especial para Carlos. Ele só não via muito motivo em continuar ali, sentado ao lado daquela mulher, esperando a morte chegar.
Ela não tinha outra vida. Era escritório da repartição pública.envelopes de papel pardo por todo o dia. casa. boa noite, Carlos. dormir.
Aí, de repente, ela se vira ali.
O apartamente continuava com as paredes beges. Carlos disse que ia pra casa da mãe dele, era melhor assim.
E não teve grito. nem choro. nem insistência
foi tudo no "tá, tá bom. gosto de você, seja feliz"
Mas, por dentro, Helena se sentia pálida, bege, sem sangue, oca.
E ainda estava ali, depois de alguns minutos, ouvindo o ecoar da porta se fechar. Tentando absorver a idéia.
Helena foi em direção ao aparelho de som antigo que tinham, afinal, não tinham o menor costume de ouvir música, a casa de parede bege era muda.
E ela foi, ligou. Pegou um cd dos mais antigos, talvez de quando tenha inventado o cd.
Era tango.
Helena apagou as luzes principais, deixou o ambiente à meia luz.
Helena foi a cozinha, pegou um vinho e uma taça.
Helena foi tirando a roupa vagarosamente e dançando conforme se despia.
Ela tinha descoberto em si a malemolência. Nunca soube que sabia dançar.
Abriu o vinho, começou a beber e girava.
Dançava loucamente. Havia volúpia no ar. Agora parecia que as paredes eram cor de vinho.
Ela via sua silhueta na parede, acompanhava sua sombra sensual.
Qualquer homem era capaz de se apaixonar por aquela sombra deliciosamente linda, caso não visse ser de uma mulher bege, pálida, magrela e desajeitada como Helena.
Naquela parede em que se via, a mulher tinha até curvas,por incrível que isso pareça.
Ela dançava para si, para ver sua sombra e se apaixonar por si.
Passava a mão sobre seu rosto e se descobria bonita.
Ela lambia seus braços, sentia um gosto delicioso no seu corpo.
Bebia o vinho, sozinha e dançando.
Helena havia se apaixonado por uma mulher que dançava sozinha em seu apartamento,nua, no meio da semana, bebendo vinho e se lambendo.

é tempo de morangos

Domingo.
Eu vou acordar, colocar um vestido longo até o pé e florido.
De enfeites? Apenas duas contas de pérola nas duas pequenas orelhas minhas.
E aí eu vou sair.
Tá sol, hum. Eu vou ficar assim de frente pra ele, encolhida como uma criança que acaba de tomar banho de mangueira e tá tremendo de frio. Adoro esse sol de... outono que estamos, né?
E aí eu vou sair. Vou correr pelo canavial. Depois, no fim dele, eu sento de perna de índio, jogo meu cabelo que, na cena está tão longo.ondulado.queimado de sol. e como morangos.
Na fazenda, eu sento de perna de índio. Jogo o cabelo já descrito no sol da estação que você quiser e hum. Como morangos.
E aí eu posso correr mais um pouco, ainda pego o movimento da Avenida que beira o mar. É domingo. Deu tempo de comprar meu jornal. Eu leio e só tem notícias lindas. Os políticos acordaram sem voz, dizem ser epidemia e o judiciário brasileiro ainda possui o respeito da nação. Nem teve escândalos.
Mas eu deito na areia e nem ligo se aqueles cabelos já descritos vão ficar à milanesa. É só pro sol me esquentar. Nessa estação, faz frio quando tá na sombra assim.
Aí eu vou me levantar, vou andando por aquele porto que só existe em mim. Tá bonita a cena, continua.
O sol já se faz em ir e o domingo já se acaba em tons de laranja. Agora bota uma música bonita pra gente dançar!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Delicadeza.

-É, não estou para fotos hoje. Acho que essa luz aqui não me favorece.

-O que te favorece é falta de luz. Escuro. E sem flash.


O encontro era o mesmo. O tempo não passou.As risadas tinham o mesmo som.
Faltaram duas. A saudade sentou com a gente para comer sanduíche.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

deitado no cimento .

E nesse nosso passeio, acho que eu vou me arrumar daquele jeito.
Ficar uma hora me arrumando para parecer desarrumada.
Quero andar nas ruas do Leblon. Máquina fotográfica a tiracolo.Não, não é para parecer turista.
É pra parecer brasileiro que gosta de fotografar, fazer filmes, mas que está recém-chegado de Paris, tipo Walter Salles.
Talvez eu coloque um arco no cabelo em vez de flor. ou não.
Agora me leva de volta e conta histórias do meio musical alternativo, mesmo que o cenário já não seja tão mais bonito. Tá sujo e dá até medo de ser assaltada nesse lugar.
Agora é o final. Pausa para a cena.
Chega o ônibus. Ela olha para o ônibus. Ela olha para ele. É, não tem jeito, tenho mesmo que ir.
Ela dá um beijo, um beijo qualquer. Ele puxa pelo braço. Eles dão um beijo, um beijo diferente.
21 gramas de beijo.
Agora ela entra e o ônibus tá lotado, de volta pra vida real. Mas ainda, pelo vidro, eu vi você indo embora, aos pouquinhos e destoando do cenário feio, deu tempo de eu dar de língua e você viu, lá de fora.

Até amanhã,(vírgula)

terça-feira, 21 de abril de 2009

Soco no estômago

Você bem que podia me bater.
Um soco, um tapa na cara bem dado.Quero marca de dedos vermelhas na bochecha direita
Meu pai bem que podia me dar uma surra de cinto hoje.Ou minha mãe me puxar pelos cabelos...
O fato é que eu preciso de alguma coisa.
Meu irmão podia me humilhar muito verbalmente.E me xingar.Ou chamar de burra.
Eu bem que poderia alugar um filme bem triste, com morte de um dos amantes do final.

O fato é que preciso desengasgar esse choro que ta engasgado aqui.
Não sei como, nem a razão dele ter entrado, mas sei que ele precisa sair.Só me arranje o motivo.

Acho que o nome disso é catarse.

Alô?

É. Acordei assim hoje, tem problema?
Urrum.Tô em preto e branco.
Palavrão é meu ponto final na frase.
Eu era mais delicada.
Talvez eu levante e acenda um cigarro.
Mas eu lembrei que não sei tragar.
Talvez eu levante e beba um conhaque, dose de macho.
Mas eu lembrei que nunca nem bebi.
“Ser feliz é pra se conseguir o quê?”
Tá. Eu já combinei com você.
A gente vai pra sua varanda, vou ouvir você falar dela.
Eu falo dele também.
A gente senta numa mesa.vai ter conhaque, dose de macho, e cigarros.
Você não fuma mais?
Só porque agora eu resolvi fumar?
Tá. Pode ser cigarro de palha pra você lembrar da sua cidade então.
Tchau, até amanhã!

O fabuloso destino de Isabela Rodrigues

"... Nos fins de semana, Amélie pega o trem para visitar o pai.
Às vezes, na sexta à noite, Amélie vai ao cinema:
-Gosto de me virar no escuro e observar os outros espectadores, também gosto de procurar detalhes que ninguém vê. Em compensação não gosto quando o motorista não olha para a estrada.

Amélie não tem namorado. Tentou uma ou duas vezes, mas o resultado não foi o que esperava. Em compensação cultiva um gosto particular por pequenos prazeres: enfiar a mão bem fundo no saco de cereais, quebrar a cobertura de crème brûlée com a colher e jogar pedras no Canal Saint Martin.
(...)
O tempo não mudou nada, Amélie continua se refugiando na solidão.


...E finalmente estamos na noite de 30 de agosto de 1997, quando ocorre o fato que mudará a vida de Amélie Poulain. "


E eu vivo, eternamente, esperando a minha noite de 30 de Agosto de 1997 chegar. A tal da Epifania.

domingo, 19 de abril de 2009

o parto

Já fazia tempo.As dores no ventre já não cessavam.
Sentia o mexer, o deslocar, os passos.Muita dor, muita.
Aquele feto doía-lhe a alma.
E bota compressa. e chora.
Sangue.
Dor.
E muda o cotidiano por causa de tudo aquilo.
A mulher que já não agüentava mais, ela não queria mais parir.
Sentia seu corpo todo lânguido após a dor
E nada.
O feto parecia rasgar-lhe toda internamente.Não queria nascer, queria machucar, queria sangrar, queria doer toda a mãe.
Descia cortando todo seu ventre e seu organismo.Suas veias
Cada célula gritava de dor.Dor cortante
A mulher começa a sentir o feto querer sair
Dias assim
Até que chega o dia do parto.
Tudo se prepara ao redor, a expectativa é formada.
A mulher senta no vaso.
Urina.
Sente.
A pedra desce!
Viva!
Pedra que pariu!

a vida inteira você quis um verso simples. eu te dou uma rosa

E agora, como que eu faço com a sua rosa vermelha?
Hoje eu estive lá, acabou tudo e eu fiquei com a rosa vermelha na mão, perambulando.
Você tá cansada de saber que eu não gosto de rosa vermelha, nunca gostei.
Eu fiquei olhando para ela, ela para mim e eu a tomei nas mãos.
Eu sei que não era aquela rosa vermelha colombiana que você preferia, mas você sempre ficava com elas ao final de tudo, colombianas ou não.
Desde que você foi embora é assim. Eu fico sem a menor idéia de onde colocar a rosa vermelha.
(...)
Bate uma revolta no meu coração,desculpa.
Mas bate uma revolta no meu coração, uma revolta que não deveria bater e que eu nem esperava que batesse. A revolta por você ter ido embora, desculpa.

Será que dá pra você aparecer no meu sonho pra eu te entregar a rosa vermelha de hoje?

meu(s) primeiro(s) amor(es)

É verdade que nunca nenhum rapazote bateu em minha porta pra pedir ao pai pra me namorar.
Também sei que é verdade que, na escola, os meninos me escolhiam pra ser castigo pros outros. “Quem errar o chute, vai ter que beijar a Denise”
Claro que eu sofria.
(...)
Sempre sonhei que um moço ia aparecer na minha janela, aquela na qual eu fico todos os dias à tarde, e ia me levar daqui. Cidadezinha ruim essa!
Ele ia chegar da capital e ia ter roupa engomada.
(...)
Pois que um dia apareceu uma cigana aqui no fim de mundo, eu fui escondida de minha mãe até a velha que botava carta da sorte.
Cheguei lá e a mulher disse que se espantou com a minha feiúra!
“Faz mal não, já acostumei, coloca logo carta, mulher!”
Foi que a cartomante fez a boca em formato de O quando viu minha sorte.
Disse que não acreditava e ia tirar de novo. Fiquei foi bem curiosa.
Deu o mesmo destino. Mesma carta.
“Mas é claro, destino não se muda, dona cigana!”
A mulher disse assim que na carta falava que iam aparecer muitos homens na minha vida, todos embaixo da minha janela.
Saí de lá e fui direto à Casa de Perfumes. Comprei água de colônia, talco e maquilagem.
Pois foi que passei a chegar toda tarde na janela como fazia antes, mas agora, aprumada!
Demorou um pouquinho, mas a profecia se concretizou.
Foi ontem, eu tava com o cotovelo já doendo de parapeito de janela quando ouvi os primeiros acordes!
Quando vi, eram vários homens me querendo!Todos rindo e tocando instrumentos para mim!
De certo que a cidade toda se chegou na janela, mas eu já mandei avisar pra fofoqueira que aquela música toda fora para mim, uma serenata dos meus homens!
Hoje já coloquei vestido novo pra esperar a volta deles, pode ser que fiquem mais tempo embaixo da minha janela dessa vez!

sábado, 18 de abril de 2009

Capitu

Depois de ler tudo aquilo, ela teve náuseas.
A cada letra parece que uma víscera sua saía do lugar e se enlaçava em outra.
Começou a sentir mal, tonteira, enjôo.
Sentiu o vômito beijar sua língua e o engoliu.
Para que aquilo tudo?
Desesperador.
Ela tinha vontade de ter escolhido nascer sem os olhos, pois parece que começava a ver o efeito que aqueles olhos causavam. Seu olhar.
Nem se fosse cega adiantaria. Aqueles olhos continuariam ali, seus olhos que ela sabia que tinham poder, que atraíam qualquer um a cada pensamento seu.
Queria escolher arrancar seus olhos e deixar um grande buraco vermelho de nervos no lugar, para que todos a olhassem e vomitassem, e não mais tivessem atração por aqueles olhos que puxavam corpos.

O fumacê e os meus miolos

Eu cheguei à esquina quando vi meu ônibus parado no ponto.
Imediatamente, apressei-me puxando a pesada mala de carrinho e carregando curvada a mochila de toneladas. Duas semanas longe de casa e da comida de Amélia.
Acontece que, quando fui atravessar a rua, pra ficar desesperada e quase ser atropelada pelos carros da pista onde moro, veio um fumacê, assim, bem do meu ladinho!
Toda a névoa branca com cheiro ruim embaçou minha visão de qualquer ônibus e qualquer carro. Eu entrei no meio da fumaça toda, engolindo, tossindo e fazendo uma mulher má, que estava na calçada, rir para mim, ou de mim.
Mas o ônibus se foi. Claro que não deu tempo.
Mas não era aquele que eu ia pegar mesmo, apesar de que daria para pegá-lo também!
Acontece que fui pro ponto então.
Esperei um bem pouquinho quando vi um possível meu ônibus se aproximando.
Acontece que entrou um outro ônibus na frente, tampou minha visão e minha chance de dar sinal pro motorista que, claro, foi embora e me deixou pra trás.
Ódio.
Tinha um cara no ponto que sabia que eu ia pegar aquele, que sabia que eu estava esperando e já tinha perdido um. Nem pra dar sinal pra mim, nem pra me mandar gritar, nem pra me avisar que aquele era o meu ônibus.
Mundo hostil,” o mundo todo é hostil.”
Que raiva.
É aí que começa minha divagação interessante.
Naquele ponto de ônibus, da cidade pouco bonita, eu tive tanta raivinha que comecei a delirar.
...Imagina se quando aquele ônibus idiota e verde tivesse parado na frente do MEU ônibus, eu tivesse pegado minha mala de carrinho e começasse a socar, socar, socar muito a lataria do grande carro.
Iria desgovernadamente amassando toda a lateral daquela condução verde ridícula. Quebraria os vidros, surtaria e o mundo conheceria minha ira.
Depois, pegaria o resquício de força e iria numa voadora atroz em direção àquele que não me deu notícia que meu ônibus chegava. Iria até ele voando com meu carrinho, minha arma branca, nas mãos, direto e pá, na cara dele, até ele cair para trás como em desenho animado.
Incrível!
Depois eu cairia, exausta de tanta raiva e revolução interior, cairia por sobre minha mala e mochila e dormiria um sono tranqüilo e calmo de quem fez uma excelente catarse...

Ainda bem que existe a imaginação!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Aline.

Ontem eu vi a menina morena que virou mulher
a menina que eu guardei porque tinha, no pulso,uma mancha de nescau que derramou.
Ontem eu vi que eu tô vendo tem tempo
que eu sei viver sem ela não,a morena.
Pode ser que eu tenha achado que depois íamos mesmo nos afastar
mas, que nada!
Apesar da distância,foi que ficamos mais juntinhas
tipo café com leite (se eu não tiver tomado sol)
tipo maçãs, cada uma com sua metade.
E hoje digo,meu amor por você é cláusula pétrea!

terça-feira, 14 de abril de 2009

nota vermelha(cor de Almodóvar) do dia.

Hoje eu lavei a louça sem luvas.
É porque já não há uma razão maior para mantê-las tão vermelhas.por essa semana.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Cotidiano

-genteee, não tem água pra beber!
-ué, não tem pão, comam brioches, não tem água, bebam cerveja!

(morar com Ana Karolina Leones e Bianca Carbogim)

terça-feira, 7 de abril de 2009

crise renal

E, se me disserem que comer bosta CURA pedra nos rins, eu como(!), sem nem precisar de água pra descer!

sábado, 4 de abril de 2009

Dia 31 de março de 2009.

Essa semana teve um dia que foi diferente.
diferente de todos os anos, de todos os dias, de todos, de todos.
é, eu me lembrei de você. Ao contrário do ano passado, que eu liguei pra sua casa uns dias depois. e nesse dia, nesse dia 31 de março de 2009 eu declarei ser o DIA INTERNACIONAL DA SAUDADE EM MEU CORAÇÃO.
eu lembrei de você e te pedi um presente do seu aniversário.
eu lembrei de uns anos atrás, tinha fantasia.
Vou colocar aqui, aquela nossa velha brincadeira. A maioria já conhece, mas eu quero colocar mesmo assim,tá?!

Para:Beta/De:Isa

Uma menina me ensinou quase tudo que eu sei
Ela queria tudo ter: estrela, flor,estilo.
A minha grande,
A minha pequena,
A minha honey baby
Naturalmente ela sorria,
Foi assim que a conheci
Menina do anel de lua e estrela,
Um raio de sol no céu da cidade
Penso em você, fico com saudade!
Plantei uma flor no coração dela, e ela me deu um sorriso trazendo paz.
És parte ainda do que me faz forte.
Hoje à noite não tem luar,
E eu estou sem ela
Vai ser difícil sem você,porque você está comigo o tempo todo.
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Lembra que o plano era ficarmos bem?
Mas não chore lágrimas de dor que molham o chão
E só fazem brotar semente chamada solidão.
A dor não presta, felicidade sim!
Na verdade, eu não vou chorar e hoje sei o que a Terra veio me ensinar.
Os olhos já não podem ver, são coisas que só o coração pode entender.
Como um anjo lindo
Mais leve que o ar, tão doce de olhar, que nem um adeus pode apagar.
O sol ensolará a estrada dela!

Carolina míope.

Carolina tinha seis anos quando a professora chamou sua mãe no colégio.
A professora aconselhou que Carolina fosse levada ao oftalmologista pois,acostumada com esse tipo de caso, podia perceber que a menina tinha certa dificuldade.Estava escrevendo com o rosto muito próximo da folha e apertava os olhinhos para ler o quadro negro com freqüência.Como boa mãe, Dona Carmem cumpriu as sugestões escolares.
Carolina chegou a uma sala bonita, movimentada por telefones e secretárias.Sentou perto de sua mãe e esperou.Chamaram a pequenina para a consulta!
Quando o médico, após os exames, explicou para Carolina que ela teria que usar óculos, a boca da menina fez um formato de O e ela arregalou os miúdos olhos.
O moço vestido de branco que deu a notícia sentou com a menina no chão.
Ele explicou para ela que algumas pessoas nascem especiais.Essas pessoas vêem o mundo de forma mágica, colorida e linda, como nos desenhos animados.Mas,nem sempre a vida era assim e essas pessoas precisavam enxergar a realidade, assim, elas veriam as coisas como são, nem tão bonitas, mas, dentro de seus corações, transformariam as cenas em belas novamente.Como iam precisar ver o real,então, elas usavam óculos.
(...)
Os corações dos míopes não precisam de lentes.

sexta-feira, 27 de março de 2009

tetodecéu

Eu queria mesmo era morar num balão
Desses que vejo partindo em céu azul daqui da estrada!

Balão colorido de amarelo, de vermelho e de azul.
Ah, se sêsse assim que seria tão bom!
Ia mesmo era comer pão quentadinho pelo sol com geléia de morango escorrendo pelas beiradas.
Que ia sentir vento na cara pra refrescar
E abrir a boca pra comer algodão docinho de nuvem
Sede? Nóis matava com água da chuva
Abria o bocão, fechava os olhim e deixava cair goela abaixo.

E quando balão não queresse avoar mais,
Aí nóis escolhia morrer!
Eu, o balão, a geléia e o pão!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Hoje tem marmelada!

Frederico morria de vergonha porque o pai era palhaço de um circo sem futuro.
Quando bem pequeno, o menino até se divertia com o fato.Tinha sorriso de graça quando queria. Era bem divertido ver seu pai chegando colorido em casa.
Com o tempo, Frederico começou a querer que o pai fosse mais preto e branco, vestisse cinza e formas retas, mas isso não fazia parte do homem que, ao notar a vergonha do filho, via ser desenhado em seu rosto de palhaço uma lágrima de pasta d`água.
Frederico cresceu e foi embora vestir cores neutras, falar manso e não contar pra ninguém que tinha um pai que vestia um sorriso pintado, estampas e risadas pra comprar o pão.
Um dia, o filho soube que o seu velho estava no leito de morte e pra lá correu.
Vendo aquelas rugas, antes escondidas por máscaras de sorriso, deitadas na cama de hospital, Frederico se desesperou.
Dentro do homem que foi menino cinza bateu um ódio ao cinza, ao discreto, ao neutro.
Sentia lágrimas lavando todo o seu corpo nojento que cheirava envelope de papel pardo.
Frederico tirou a gravata, jogou o paletó na cadeira próxima e disse:
-Pai, me ensina a ser palhaço?

(Inspiração : Palhaço do circo sem futuro- Cordel do Fogo encantado)

oi, eu sou a Isa e eu tenho algumas pedras!

"-Mas você não tem bebido água, né, minha filha?
-Mãe, a primeira coisa ruim pra quem tem crise renal é a dor, insuportável.A segunda coisa é, no meio da dor, você ter que ficar ouvindo "também, não bebe água.."
-Sabe, a mãe de quem tem crise renal sofre muito também!"

domingo, 22 de março de 2009

"Isabela, mas você vai fazer Direito?Sério? Nada a ver com você..."

Desigualdade.
algo nem tão mal assim.
A desigualdade pode ser necessária e bonita.
Sejamos desiguais!
Cada um com sua cor, seu rosto, sua cara e sua marca!
Cada um com seus gestos, suas bocas e seus gostos.
Cada um com seu bom ou mau senso.
A igualdade que deve existir é a jurídica.
Eu me encanto quando ouço "...e todos são iguais perante a lei"
e acredito. sim. acredito de verdade.
Diante de um livrinho, não importa cor,credo,cabelo,pinta,grana.
Todos são iguais.
Todos tem os mesmos direitos. Todos tem os mesmos deveres.
Há uma atmosfera linda ao redor dessas palavras.
Um encanto.
Algo mágico em pensar que isso existe, embora não pareça existir.
Há de existir, ó Justiça!
...
Que com os meus pequenos conhecimentos, eu possa mostrar àqueles que não sabem, os seus direitos.
Que eu possa dar voz para quem não sabe falar. e que eu grite por eles, BERRE.
Que eu possa mostrar que o seu mundo pode ser melhor, porque você nasceu, é um homem, um cidadão brasileiro!
Que eu consiga, com todo meu enorme idealismo, alfabetizar juridicamente pessoas que não sabem o quanto PODEM nesse mundo!
Que eu acaricie com uma vida melhor o coração de Josés e Marias.
Que eu cumpra a beleza que há no Direito,
e que essa beleza deixe de ser pura teoria para mim!
E viva o Brasil!

O criar um blog.

"Eu escrevo e te conto o que eu vi e me mostro de lá pra você."

quinta-feira, 19 de março de 2009

prazer, Inocência

É, meu nome é Aninha!
Lá em casa?
ah, lá em casa tá super legal!
Estão comprando várias coisas novas,mudando outras coisas de lugar...
Eu acho que minha mãe vai fazer um quarto de borboletas pra mim, eu vi!
Eu vi a minha mãezinha comprando um monte de travesseiros coloridos.Eu nem vou contar pra ela que eu quero tudo rosa,pra não estragar a surpresa!
Eu vi minhas tias trazendo vários presentes, tinha bichinho pra mim...
A minha mãe não me mostrou, mas eu vi quando ela guardou tudinho no meu armário novo!
Sempre tem visita agora e a mamãe fica mostrando as coisas novas pra todo mundo!
Meu pai só chega em casa sorrindo e ele e a minha mãe, toda noite, agora, ficam na frente da janela da sala conversando e rindo...
Eu já vi também que ele tá com mania de ficar passando a mão na barriga dela,sabe que eu acho que deve ser por isso que tem uns dias que a barriga dela tá ficando maiorzinha...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Bonita

Eu tava no ônibus quando vi a Bonita.
Tava chovendo na capital carioca e eu ia rumo a partida, de volta para o interior.
O ônibus parou em algum sinal e não foi difícil observar aquela cena.
Na janela do carro que parou ao lado, que eu não pude gravar a cor, vi a Bonita.
Era uma menina de uns 6 anos mais ou menos.
A menina tinha a pele branca, muito branca para uma cidade praiana, e cabelos que, percebia-se que eram bem compridos,e negros, muito pretos,além de lisos.O que mais chamava a minha atenção na cena, além do ato da menina que vou descrever em breve, era o batom. A pele branquíssima, o cabelo escuríssimo não bastavam para o enorme contraste no rosto infantil,ela tinha um batom vermelho sangue, toda a cor que não havia naquela pele.
Eu imaginei a menina em frente ao espelho, passando delicadamente o batom e colocando cor ao rosto pálido.
O ato? Ela delicadamente soprava no vidro do carro, dava baforadas de ar e rapidamente riscava os dedinhos no vidro a fim de fazer um desenho, que logo sumia e ela ia, novamente, soltando golpes de ar contra os pingos de chuvas...
É só.

domingo, 15 de março de 2009

Sóriso

Catarina era feliz, bem feliz.
Tinha bons pais, um irmão menor e teve uma boa infância.
Não sei o porquê, mas quando vi Catarina atrás do balcão da loja suja que entrei, eu vi algo diferente.
Quando ela me respondeu, eu percebi.
Não quis ficar olhando, mas Catarina não tinha um dente da frente, ou era quebrado, eu não fiquei observado os detalhes.
Era uma moça jovem, feia, sem sal, magrela e mal cuidada, mas tinha nome!
Ela também tinha um namorado, que gostava de mulheres com dente e com sal.
A mulher pálida sentia-se constantemente censurada. Tinha motivos pra sorrir, mas não podia.
Às vezes, enfrentando uma situação engraçada, desejava escancarar a bocarra e soltar uma gargalhada deliciosa e não, não podia. Tinha vergonha.
Vergonha não só por si, mas por aqueles que a acompanhavam.
Aconteceu que um dia ela brigou com o namorado, pois o pegou com uma mulher muito, muito feia, mas que tinha todos os dentes.
Foi dormir chorando e querendo perder todos os outros dentes que possuía, assim, não haveria gritante diferença, ficaria por de tudo banguela, horrível e simétrica.
...
Quando acordou, não reconheceu o lugar.
Foi andando e vendo pessoas bonitas e feias, tanto fazia, mas todas não tinham o dente da frente ou o tinham quebrado, o de cima ou o de baixo, ou o do lado, mas todos numa visão de frente.
Todos sorriam na vila do meio sorriso, todos gargalhavam.
Grupos se reuniam para contar piada e poder tirar o atraso das risadas censuradas.
Distraída com tanta gente igual a si, Catarina tropeçou e caiu.
Quebrou e ficou sem nenhum dente na boca e começou a rir, ali mesmo, sentada no chão, e todos os novos conhecidos riram junto.
Era a Terra do Sóriso!!

eu e o meu mundo

Isabela Rodrigues em : A primeira semana de aula- como morar sozinha.


1 ânsia
2 ânsias
Segura o vômito, Isabela, e junto com ele a ansiedade!
Eu nem sabia que mangueira de gás tinha validade.
...
Ontem chegaram três sonhadoras.
Plantas, panelas, livros e sonhos.
Colocaram os sonhos em gavetas.
Pais zelosos, mães corujas
o medo e a vontade andam juntos e dormem com elas.
...
Confusão de línguas e vozes
vozes nunca ouvidas antes
cada um conta em frases sua trajetória até ali.
Tão diferentes, um sonho só, e realizado! (parcialmente)
Que venham os próximos anos!
...
Ouço alguém bem parecido comigo
não vejo seu rosto, mas sei o seu gosto
Que vontade de gritar:
-TOCA RETRATO PRA IAIÁ!!
Arrumar cozinha ficou mais gostoso com esse som, menina vizinha.

Cimento fresco em lágrimas

A menina tava de mão com a mãe, ouvindo a conversa dela com mais alguém que não importava bem saber.
De repente, seus cabelos finíssimos e loiros mexeram, ela foi ver de onde vinha aquele cheiro de cimento fresco que pairava no ar.
Liesel correu em direção ao local e olhou a textura daquele futuro solo.Teve vontade de desenhar, foi quando seu avô,dos lindos e miúdos olhinhos azuis se aproximou e fez a proposta.
Os dois escreveram seus nomes " Liesel e Vô Nonô" juntamente com a data.
A pequena talvez não tenha sabido interpretar, mas o avô que já sentia o peso da idade chegar com uma enorme velocidade, fixou o olhar nas escritas e pensou que estariam para sempre marcados ali.
A amizade destoante de duas gerações distantes, o carinho da mão com calos pegando na outra delicada para ensiná-la o valor das letrinhas e a vontade que todos nós temos de deixar nossas marcas.
Os olhos do velho enxeram-se de lágrimas que caíram no cimento formando uma poça em volta das assinaturas, mas o sol a secou.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Rubem tormento deitado no cimento.
Rubem cimento deitado no tormento.
conte a métrica você também! vem!

sexta-feira, 6 de março de 2009

A menina que roubava o mundo

Logo que fechou o portão, remeteu-se a anos antes.
Sempre gostara da liberdade e fazia questão de abominar descaradamente tudo o que fosse contrário à arte de ser livre.
Quando ela sentiu o vento,depois de ter apertado o cadeado do velho portão enferrujado de sua casa,lembrou-se de uma história.
Quando tinha mais ou menos seis anos,não se sabe bem o porquê,ela disse a mãe que sairia de casa,mesmo já fazendo noite.
Arrumou algumas das pequeninas peças de roupa na sua mochila de personagem infantil,e disse que estava partindo.A mãe, achando ser mais um dos dengos de sua menina,esperou e a deixou para ver o que ela faria.
Isabela passou pela porta, fechou.Passou pelo portão,fechou.Trancou o cadeado que reluzia com as luzes da rua e foi descendo os degraus, com um pouco de receio,afinal, com seis anos, mal sabia ler...
Quando chegou ao pequenino portão,ao final da escada,ela viu um homem, que até hoje não se sabe se era real ou fruto da (já grande) imaginação da pequena. Aquele monstro do mundo real assustou a menina, que subiu e chegou sem fôlego, batendo o cadeado ao ferro do portão para a mãe abrir pra ela novamente.
Pode ser que ela tenha tido medo, não se sabe, mas o fato é que ela sabia que,dentro de alguns bons anos, ela desceria a escada e fecharia os portões e, encontrando ou não monstros,teria que sair.
O tempo passou...
Agora, ela estava ali, iria para o mundo, se esse não fosse pequeno para ela, ainda.

A esfiha que eu nunca comi.

Já anoitecia e eu estava realmente com muita fome,mas tinha visto que não havia a esfiha que eu queria e fui voltando para entregar o dinheiro para minha mãe e me consolando em comer algo em casa mesmo.
Quando vi, minha mãe conversava com uma mulher que era linda,porém sofrida.Dava para ver marcas no rosto dela,rosto claro, cabelos loiros.Ela vendia panos de prato e pedia para minha mãe comprar "pelo menos pra ajudar, Dona", ao mesmo tempo em que essa cena acontecia,vi uma criança que estava com ela, bonita igual, puxando a roupa de um dos fregueses da casa de esfihas e pedindo repetidamente "me dá um salgado, me dá um salgado". Eu vi que deram para ela, mas a outra que vinha, sua irmã, entrou desesperadamente na lanchonete e já foi dizendo que também sentia fome.
Sem pensar muito, eu fui buscar aqueles olhos quase claros e brilhantes de mãozinhas pequeninas e sujas e perguntei-lhe se queria um salgado também.A resposta foi óbvia, levei-lhe a bonita vitrine de salgados e falei que ela podia escolher.Depois de muita indecisão, ela escolheu um kibe, mas disse assim:
-Tia, me paga um "Garaná" também?
-Pago sim!
-Mas não pode ser gelado, tá?
-Tá,... ele está na geladeira,mas como você pediu o lanche pra levar, até você chegar em casa já perdeu o gelo!
-Não tia, tem que ser sem gelo, tem que ser sem gelo, tem que ser sem gelo!
-Tá bom, fique calma, vai ser sem gelo!
Em poucos segundos meu cérebro foi a mil, aqueles olhos, a pequenina boquinha, a quantidade de panos de prato em suas mãos, o desespero da fome...
Eu dei a bebida e a comida para a pequena, paguei e fui embora com a minha mãe.Senti meu estômago cheio, sentia meu rosto molhado em lágrimas,não tinha voz e não tinha fome.
Aquele salgado que eu deixei de comer porque não tinha do meu gosto e dei a menina me alimentou pelo resto da noite.
Seus olhos se tornaram os meus, suas mãos as minhas, e seu estômago vazio de fome o meu .

quarta-feira, 4 de março de 2009

oi,

Tô com fome de não sei o que é.
Acordei com umas batidas na porta,
fui atender.
Era a "adultice" me chamando pra ir lá fora.
Eu olhei meio de longe pro lugar
tinha misto de chuva, sol e arco-íris.
tinha nublado e tinha colorido.
(...)
acho que vou acabar partindo pra onde ela quer me levar,
mas sem perder o samba!

versus

A minha vida se resume no conflito entre o que quero e o que devo.
Eu não sei fazer escolhas
Quero tudo ter
quero tudo ser
não quero ter que optar.
quero poder partir
quero poder ficar
Sou um conflito barroco vivo
sou uma antítese
um paradoxo.

Não me faça muitas perguntas, só por hoje.



"Descobri que a parede da casa de Deus é azul." (alguém que não sei quem)

terça-feira, 3 de março de 2009

Hay Kay (créditos a Mariana Farnesi)

Que história é essa de não poder mudar de opinião?
Ter sempre que achar a mesma coisa, eu heinh, que bobeira isso!
A vida não e imóvel pra se manter assim, muito menos as pessoas.
Tem isso né? Você acha uma coisa, vai lá e fala, faz um discurso, tem toda uma opinião formada, baseada em dados ou não...
Até que, um dia, você acorda, presta atenção em tudo aquilo que você defendia e pá, decide que não gosta mais. Razão? Não sei ué, não quero mais, não gosto mais, que saco, gente! MUDEI, entendeu? M U D E I , ué.. mudei de opinião, de gosto, descobri, conheci, amadureci, DESACHEI. Isso, é isso que vim fazer aqui com toda essa retórica mirabolante cheia de coloquialismos, vim criar um novo verbo.
Na onda dos novos padrões gramaticais desse país, peço a licença poética (mesmo que essa divagação não esteja nada poética) para criar um novo verbo, o DESACHAR.
(continua....)






Ps: Ao publicar esse texto em um outro lugar, fui informada de que o verbo desachar já existe...

segunda-feira, 2 de março de 2009

Menino nunca tinha visto sorriso e achou graça!

Foi que o menino não tinha nome.
Foi que ele sempre ouviu o chamarem de menino.
"Menino,pega a cana"
"Menino vai dá de comer pros boi"
Até que Menino ganhou livro, foi por dar direção a gente de circo que passava e andava perdido.
Menino não sabia ler.Isso tinha graça na terra seca do agreste, porque Menino inventava suas histórias.
História de homem que se apaixonava por sereia e se entranhava pelo canavial até que encontrava mar.
História de homem que virava peixe.
Foi que Menino cresceu e um dia saiu pra vender cabra magra pela cidade.Perguntaram o nome do homem em uma das vendas, foi que ele disse "meu nome é Menino" e o mundo inteiro danou-se a rir.
Menino nunca tinha visto sorriso e achou graça.
Foi que voltou pra sua mulher e contou história de um mundo onde as pessoas eram por demais de feliz, mas tão feliz, que viviam de rir.

Carnaval na quinta-feira

Quando a velha desdentada e feia, conhecida como a mais rabugenta da vila chegou à janela de sua casa cheirando a mofo, viu o prédio bonito refletindo o sol em seu vidro caro.
Após se distrair, algo lhe chamou a atenção!
Era em uma das janelas do prédio, não se sabe bem o porquê, mas sua vista pareceu ficar bem próxima da cena, podendo reparar detalhes.
Via uma menina, cabelos claros e um vestido longo, muito colorido e florido.
Ela estava sozinha, mas nem parecia, de tanto que ria!
Em sua mão, várias fitas coloridas que a menina balançava enquanto rodava.
Uma música
Um samba lindo,
e a princesa parecia desfilar em sua própria escola de samba
em seu próprio carnaval
morria de rir, gargalhava
rodava, rodava em volta de seu vestido até trançar as pernas
balançava as fitas para o alto, para os lados
e dançava, lindamente.
A velha foi tomada por um sentimento estranho, algo que a incomodava, aquela alegria a irritava.
Quando ela piscou os olhos, a cena não estava mais ali, nem nada daquilo
Foi então que ela viu...
a menina era ela, em algum futuro bem próximo!

Sem cores, por enquanto.

Ele quer desfilar numa Avenida
e que se derrame uma chuva de confetes sobre ele!
Logo em seguida, vem a Colombina.
Ele se faz Pierrot.
De repente,ele senta e começa a escrever versos.
O carnaval pára.
O bloco pára.
Todos param pra ver suas letras desfilarem na Avenida.
E ele retrata a cena (em preto e branco!)

Pierrot Paradoxal.Eu só o vi uma vez, mas precisava registrar aqui essa vista!

domingo, 1 de março de 2009

Incesto das almas

O que acontece entre esses dois, eu não sei explicar, nem nunca saberei. Nem eles sabem, nem ninguém entende.
Naquela noite não fora diferente, mas ela estragou um pouco da sua vida.
Há tempos que os dois não se viam, como sempre rolou a discussão(desde antes do primeiro beijo, há anos, que eles não conversam sem haver uma pontinha de provocação ou coisa parecida.)
Só que debaixo das estrelas daquele dia, ao som de uma música que não era do gosto de ambos, não houve nem ao menos palavras e sorrisos. Um pouco de ciúme do passado, um pouco de raiva, mas o beijo.Esse, involuntário dos dois. Eles não escolhem mais que se beijem, as bocas simplesmente se unem, elas são imãs,assim como os corpos. Suas cabeças não têm vontade própria e as línguas não se preocupam com diálogos.
Eles se odeiam, ou nem tanto assim, mas não querem se prender.Talvez, sejam tão incompatíveis por serem tão gêmeos assim, um incesto seria!
Eles fazem cinema, é beijo, é saída, é sem despedida.
Um par, um duelo, um jogo.
Para ninguém nunca ousar entender.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

A gorda

Desde que a vi era assim.A mulher era mal ajambrada de cara e de corpo. Era basicamente um amontoado de características humanas essenciais: boca, orelha, braço, perna, barriga. Características essas, mal feitas, grosseiras, como um borrão em uma folha em branco.
Seu jeito refletia o tipo físico.Tida pelos alunos como grossa, sempre a proporcionar o encontro daquelas sobrancelhas na cara enrrugada em gesto de reprovação.Seus dedos de cabeça gorda estão em minha mente sempre a movimentar o gesto negativo do indicador.
Mas, eu quero mesmo é contar um fato dessa figura grotesca, a professora que, na verdade, acho mesmo que gosta bem de mim, mas não é por conta disso que deixarei de contar algo que notei.
Enquanto fazíamos qualquer tarefa, ela ficava lá olhando pela janela as chaminés.Naquele dia, enquanto nos concentrávamos, tocou o telefone.Após um pouco da Gorda dizer "alô", eu percebi uma luz dentro da sala que não me deixou mais acabar os meus afazeres.Quando olhei para frente, em direção a mulher, ela sorria, como nunca havia visto antes.Falavam sobre coisas do trabalho mesmo, foi o que pude perceber, mas a impressão que me dava era que não era só aquilo para ela. De repente, ela soltou uma gargalhada funda, atraindo atenção daqueles que, diferente de mim, nada tinham percebido ainda. A sua gargalhada longa, deixou-me ver suas amígdalas bem de perto. A gorda riu bastante como se não fosse mais aguentar e fosse cair dura ali mesmo, na frente de toda turma.
Desligou.
Olhou para mim e disse : - Era o professor Ricardo!...
Eu fiz que sim, abaixei os olhos e logo os levantei novamente, a tempo de conseguir ver seu olhar que brilhava. Voltada para a janela, seu sorriso ia sumindo lentamente, quase que sendo puxado pelas chaminés atrás do vidro.Mulher gorda, mulher besta, mulher que gargalhou com a voz de um homem ao telefone.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

gire, sol!

Acordei e vi que estava deitada num campo cheio de girassóis...

olhei para os lados, senti o sol e voltei a dormir..

Acordei em meu quarto e lá havia um girassol bonito, todo embrulhado em papel amarelo manga.

Eu o coloquei na janela para tomar ar e ver o céu que se fazia bonito na manhã.

As horas se passaram e ele ficou lá.

Enquanto eu fazia minhas coisas, eu sempre tinha a impressão de que havia alguém ali na janela, mas era só a linda flor.

Parecia sempre você me olhando, com olhos de pólen...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

(Entre gavetas, achei um pedaço de papel de pão e um desabafo...Vejamos: )


Um momento!
Há uma vontade enorme de vomitar tudo em linhas!
Essa mania de poemas!
Mas foi que me deparei com sonhos meus,
eles estavam em papéis, com direito a número de inscrição.
Agora vejam só...! Vejam se sonho pode ser numerado...,
logo ele que é de graça nesse mundo capitalista!
Então,vim alinhavar as letras pra dizer que...
ando mesmo com medo de sonhar!

(o desabafo é de um tempo em que eu ainda não tinha resultados dos meus feitos, mas até que não está desatualizado!)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Meu carnaval não tem trio

Mudança de Planos, Isabela!

4 dias
4444444444444444444444444444444444 amigos
444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444 sorrisos


"Bom dias" entre escovas de dentes
sorrisos entre uma caneca de água e outra
choro de felicidade na grama
discussões importantes
abraços
uma energia,
uma energia tão forte quanto forte
uma vontade de não parar de sorrir
e, com essa vontade, emocionar-se
sentir, dentro de si, um calor, uma luz forte, uma força para qualquer coisa que aconteça

A m i g o s
o reencontro com aqueles que você sabe que poderá contar!

Deixar de amar um colchão macio, um chuveiro quente e um poder tomar banho descalço
para amar acordar cedo, banho gelado, limpar banheiro, tomar banho segurando toalha e de chinelos.

Arte.
Muita arte, por cada canto, por todos os lados
mas uma arte diferente, objetivada no bem!
"trazendo sempre a esperança, o sorriso, no otimismo de que a paz virá
E a todo instante lembrar que é preciso, é preciso, sim, continuar
sempre aprender a amar!"

COMEERJ 2009 - Que fazeis de especial?

Meu carnaval não teve nem trio
nem marchinhas
nem confetes
nem serpentinas

mas teve muita, muita festa, samba e pulos no meu coração!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A Salomé, o Sol e o eufemismo doce.

Salomé sempre fora encantada com o sol.
Quando pequena uma vez disse para a mãe:
-Mamãe, vou me casar!
A mãe, achando graça da menina, perguntou:
-Aé? Com quem?-imaginando que seria com um dos mulecotes da vizinhança...
-Com o Sol, ué!- respondeu Salomé como se o seu futuro marido fosse alguém muito óbvio para todos.
Aqueles que ouviram o diálogo acharam graça da pequena.
E ela cresceu, junto com sua admiração e paixão pela estrela maior.
Muitos rapazes passaram na vida dela, mas parece que nenhum preenchia seu coração como devia fazer...
Um dia, Salomé pediu para andar de moto com seu pai.
O dia estava lindamente ensolarado, como ela sempre gostou...
correndo na moto, ela soltou e abriu os braços, colocou a cabeça bem em direção à luz do dia e sentiu seu rosto queimar deliciosamente.
De repente,ela sentiu uns movimentos estranhos e depois gritos.
Salomé não entendia bem o que estava acontecendo, só percebia muitas pessoas a sua volta, cochichos, gritos, choros.
Depois,Salomé foi entender o porquê de tudo isso.
Essas pessoas não entendiam que Salomé finalmente tinha ido encontrar seu único e grande amor, o Sol, e lá com ele fora morar, bem no quentinho.
É carnaval!
Confetes, serpentinas
Pierrots, Colombinas que preferem Arlequins...
É Festa!
Eu tinha planos, eu estava feliz, até você chegar e desmoronar com tudo sem necessidade!
Por isso que, hoje, eu mal comi e, o prato com o qual comi, eu quebrei, pra ver em todos os cacos, o reflexo do meu coração( ele, o seu melhor brinquedo!)

Hoje eu tô sem vontade de sambar,
os paetês da minha máscara caíram
e, na minha vitrola, as marchinhas não tocam mais!

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