sábado, 9 de abril de 2016

Sobre vivente


Fui dormir depois do banho quando lembrei de um ano para trás quando comprei com você uma bucha vegetal para o seu banheiro. Eu achava que você ia esfregar minhas costas no banho com ela naquela noite, um tanto de doçura, como meus avós faziam e um tanto de erotismo porque depois íamos atirar ela por qualquer lugar e trepar bem ali, aos meus gritos. Mas naquele dia foi que você veio com a porra de um papo clichê não-estamos-dançando-mais-a-mesma-música, nunca te falei, mas achei isso meio cafona. Você sempre gostou de coisa cafona, mas era daquele outro tipo, você gostava era de ser do exagero, do genuíno e do romântico e essa frase não-estamos-dançando-mais-a-mesma-música me traz à cabeça um casalzinho vestindo salmon, ela com salto médio de um sapato branco de verniz, meio anos oitenta, meio cafona, meio nada a ver com nada desses anos todos.
Mas depois de um tempo comprei uma bucha para mim. E eu tentei de tudo isolamento putaria depressão auto-ajuda me comprar flores umbanda meninas meninos homens drogas suicídio yoga  nights cervejas leves amigos lexotan homeopatia grito cromoterapia cinema astrologia brigas retiro espiritual psicanálise tinder meditação treino funcional poesia reike feminismo trabalho filosofia acender vela trezena novena comida orgânica fritura sono e insônia.  

Eu tentei de um tudo, mas ontem ainda peguei na bucha e lembrei de você nesse um ano atrás. 

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