quinta-feira, 23 de janeiro de 2014


Eu havia pegado a mania de sentar no parapeito da janela baixa que havia me encantado na primeira vez que entrei nesse apartamento. Sobretudo depois de ver filme em solidão.

Naquela noite em especial, quando eu me sentei, notei que o céu estava estrelado demais para uma noite em Copacabana. Senti um cheiro que parecia com as noites quentes de Seropédica, quando eu voltava pra casa e subia a escada íngreme do condomínio que chamávamos de Cortiço. Foi quando me transportei para aquele nostálgico portão de tantas e tantas despedidas, ao mesmo tempo em que, também olhando a grade que me segura no quinto andar, o letreiro luminoso em vermelho do restaurante de comida israelense e os lírios cor de laranja que eu coloquei para tomar a fresca, eu tive certeza que me lembrarei muito daqui. Que esse também vai ser mais um canto de memória, em especial essa noite depois do filme e das dúvidas.

A certeza da lembrança me conforta, em especial por ser lembrança feita de agora e fresca.  

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